Polêmico livro sobre o rock gaúcho é lançado no Brasil

Em fevereiro de 2021, ou seja, há mais de um ano e meio de sua publicação (prevista para outubro de 2022), o livro “100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho” ganhou as páginas do jornal Zero Hora, o maior em circulação no Sul do Brasil. Em sua capa, a exclamativa manchete: “Livros sobre cem grandes discos do rock gaúcho levanta discussões antes de ser lançado”. O assunto, que tomou de assalto as redes sociais tornou-se um dos mais comentados e, de quebra, sacudiu a cena do rock e da música jovem no Estado, por conta dos resultados que elegeram, por meio de uma curadoria formada por cem pessoas, os álbuns resenhados na obra.

O jornalista Alexandre Lucchese, que assinou a matéria em Zero Hora, ainda escreveu: “O rock gaúcho passa por uma fase de agitação e agressividade. E não estamos falando de andamentos rápidos e guitarras cortantes, mas de uma contenda armada longe dos palcos. Nas redes sociais, o projeto “100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho” tem sido aclamado e criticado ao tentar sedimentar uma lista com destaques incontornáveis da música jovem destas pradarias. A curadoria, no entanto, tem sido questionada com a mesma paixão que torcedores palpitam sobre a escalação de seu time na véspera de final”. Os resultados despertaram sentimentos os mais diversos em artistas e bandas que não se viram na lista. Alguns dos músicos que ficaram de fora não levaram na esportiva, sugerindo, inclusive, que os livros fossem queimados em praça pública, à la “Fahrenheit 451”, obra clássica de Ray Bradbury.

O projeto é uma iniciativa do designer do jornalista Cristiano Bastos, biógrafo de Júlio Reny, Flávio Basso e Nelson Gonçalves e também um dos autores do livro “Gauleses Irredutíveis – Causos e Atitudes do Rock Gaúcho” e do designer gráfico Rafael Cony, que trabalhou com bandas e artistas como Garotos da Rua, Bebeto Alves e Ratos de Porão. O livro “100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho”, lançamento da editora Nova Carne Livros, é uma obra que apresenta, por meio de resenhas, fotos e ilustrações, fatos e curiosidades sobre 100 discos de rock e suas vertentes, lançados durante os últimos 50 anos no Rio Grande do Sul. Possui também, como um de seus objetivos, iniciar um processo de documentação literária de preservação da memória musical do Estado, sendo o ponto de partida para coleção de registros em livro de parte da história fonográfica do RS.

Muita gente também criticou o fato de algumas bandas e artistas, a princípio, terem aparecido repetidamente enquanto outras não eram citadas. A crítica foi aceita pelos criadores, que restringiram a participação a um álbum por grupo ou cantor. A ação abriu espaço para 27 novos discos. Cada álbum citado também conta com uma seção “Ouça também”, além de vários capítulos especiais. Maiores detalhes de como se deu o processo tanto da concepção quanto do pleito e também da realização do trabalho, o autor, Cristiano Bastos, explica em trecho cedido com exclusividade.

Ao final, também exclusivo, um trecho do texto assinado pelo guitarrista Luiz Carlini, que conta a respeito de seu amor e intimidade com o rock gaúcho. E, ainda, informações sobre como adquirir a obra (ainda com um preço mais barato), que tem tiragem limitada (mil exemplares), da qual a maior parte já foi vendida durante a campanha de financiamento.

Introdução do livro
As primeiras palavras escritas para este livro deram-se numa despojada postagem de Facebook. Num domingo de maio de 2020, quando então vivia-se os primeiros dias do isolamento social imposto pela pandemia de coronavírus, a intenção de se fazer uma obra de jornalismo e artes gráficas sobre “100 Grandes Álbuns” de rock gaúcho foi anunciada. Pode-se dizer, sem medo de errar, que o conceito do livro que agora vocês têm em mãos, estimadas leitoras e leitores, nasceu pronto. A ideia primordial (que consistiria, a princípio, em um compilado de resenhas de discos), porém, acabou evoluindo naturalmente com a progressão do trabalho. Na verdade, um processo que só foi dado como encerrado no instante em que se precisou pôr o derradeiro ponto final. Assim, a concepção de 100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho, sem nunca desvirtuar-se da centelha que lhe deu origem, foi aperfeiçoada e a publicação tomou sua forma final.

Inicialmente, mas não por muito tempo, chegamos a cogitar a possibilidade de nós mesmos, idealizadores do livro, realizarmos a escolha dos álbuns. Fatalmente, isso incorreria numa seleção fundamentada, sobretudo, em critérios pessoais. Ou seja, além de pouco justa e nada democrática, em tal opção teríamos, além de tudo, pecado pela parcialidade. Ainda mais, levando-se em consideração a prolífica produção fonográfica relativa à música jovem no Rio Grande do Sul (que, aliás, não para de crescer).

Para buscar a equidade, decidimos por selecionar um grupo de curadores, os quais participaram de um grande pleito e cujo resultado consagrou os cem grandes álbuns que dão nome ao livro. Ressaltando, antes, que se decidiu pela nomenclatura “grandes”, em vez de “melhores”, já no primeiro dia do projeto. O objetivo foi justamente evitar um juízo de valor em relação às obras, o que teria ocorrido, caso escolhêssemos a enunciação “melhores”.

Embora os títulos resenhados em 100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho tenham obtido número de votos, para nós importou apenas o coeficiente que os possibilitou figurar nesta lista. Temos plena consciência de que, não importando se grandes ou melhores, há muito mais do que uma centena de discos que poderiam ser destacados nas páginas dessa publicação.

Quanto aos resultados, cuja divulgação terminou por gerar acaloradas discussões (saudáveis, em sua grande maioria), durante o carnaval de 2021, nunca questionamos as escolhas do corpo de curadores. Uma vez sacramentada a lista, concentramos nosso trabalho, que compreendeu, além de encontrar fontes bibliográficas confiáveis, na apuração de detalhadas informações sobre os álbuns junto aos autores.

Em relação aos procedimentos do pleito, no sentido de auxiliar nas escolhas, disponibilizamos aos curadores um panorama do universo discográfico da música jovem no Rio Grande do Sul. Assim, antes de enviarmos as “cédulas” de votação, empreendemos uma ampla pesquisa com o objetivo de recolher, em todas as épocas, a maior quantidade possível de títulos lançados por bandas e artistas gaúchos. O levantamento resultou num apanhado de cerca de 800 discos, os quais – mais de uma vez foi reiterado à curadoria – serviam apenas ao intuito de lhes “refrescar a memória”. Ou seja, as escolhas dos mesmos, se assim desejassem, poderiam se basear tanto nos títulos elencados por nós quanto naqueles que, porventura, não estivessem entre o montante inventariado pelos idealizadores.

Com a divulgação dos resultados, das redes sociais vieram críticas a respeito da ínfima presença de títulos referentes a grupos em início de carreira ou que ganharam lançamento nos últimos anos. Uma constatação indiscutivelmente legítima, que corroborou, ainda mais, na proposta da seção “Ouça Também”, prevista para complementar cada um dos cem álbuns resenhados, citando três outros como sugestão de audição. Da mesma forma que entendemos o clamor pela presença de bandas e artistas contemporâneos, também constatamos a necessidade de se contemplar, de alguma forma, a produção discográfica vicejada na Grande Porto Alegre e também no interior.

Em consequência disso, tendo como propósito deixar mais participativo o processo de seleção, instituímos, com ampla divulgação, uma campanha para que bandas e artistas enviassem releases, músicas e links para que pudéssemos conhecer seus trabalhos. Infelizmente, menos de dez atenderam ao pedido, o que fez com que os autores se jogassem numa gratificante cruzada de pesquisa e curadoria, que acabou por expandir o panorama fonográfico contemplado no livro, antes restringido aos discos eleitos, para um total de 400 títulos.

Editorialmente, outra significativa mudança, ocorrida quando 100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho encontrava-se em avançado processo de redação e editoração, se deu em relação aos boxes com textos que complementam as resenhas sobre os discos principais, em suas respectivas páginas. Faltando pouco mais de um mês para o prazo estabelecido – após terem sido redigidos todos os textos, os quais detinham-se em curiosidades (no jargão jornalístico, o fait divers, ou seja, variedades) –, nos demos conta a tempo de que, dada a natureza específica dessa obra, nas informações contidas nos boxes também deveriam sobressair outros títulos do mesmo artista. Com esse reajuste editorial, a conta saltou de 400 para 600 títulos.

Por sua vez, com os capítulos especiais (enquadrando a produção de compactos, EPs, coletâneas, discos coletivos, ao vivo e, ainda, fitas cassete), pensados logo no início do projeto, tal horizonte multiplicou-se. Ao longo do trabalho, também decidimos pela criação de dois inclusivos capítulos: um sobre a produção fonográfica de mulheres e outro sobre música negra, assinados, respectivamente, pela jornalista Bruna Paulin e pelo músico Edu Meirelles. De última hora, com o livro já bem encaminhado, concluímos que seria pertinente a criação, ainda, de dois outros capítulos, os quais desdobraram o temário “rock gaúcho” em livros e filmes (o primeiro coligindo uma bibliografia selecionada, e o outro, com a assinatura de Carlinhos Carneiro, elencando obras audiovisuais relativas a videoclipes, filmes e documentários). A inclusão desses dois novos itens foi uma decisão natural, uma vez que muitos dos discos retratados em 100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho, e a mítica envolvendo suas produções, também aparecem em obras literárias, filmes e documentários. Ocupando quatro páginas do livro, cada capítulo resenha 17 títulos (somando, assim, outras 153 obras) que põem em destaque um conjunto de produções notoriamente importantes.

Por fim, somando-se a tudo isso, o capítulo intitulado “Hors-Concours”, cuja decisão dos autores em criá-lo deu-se logo após o processo eletivo dos “100 Grandes”. Os textos presentes em Hors-Concours discorrem sobre obras discográficas de três nomes (Conjunto Farroupilha, Elis Regina e Conjunto Melódico Norberto Baldauf), que foram de fundamental relevância quanto à propagação e popularização, para o Brasil e para o mundo, da música jovem florescida no Rio Grande do Sul. São colaborações assinadas, respectivamente, pelos jornalistas Zeca Azevedo (que também prefacia o livro), Ariel Fagundes e Marcello Campos.

O livro conta, ainda, com três textos-tributo. O primeiro, escrito pela produtora cultural Joana Alencastro, lembra a trajetória de Lory Finocchiaro e o segundo, assinado pelo jornalista Cristiano Bastos, de Luis Vagner. Ambos os compositores são os homenageados desta obra. No terceiro texto, Carlos Gerbase, baterista da banda Os Replicantes, revive antigas e divertidas memórias sobre o produtor Carlos Eduardo Miranda. Os leitores também são coroados com a deferência de Luiz Carlini, um dos fundadores do Tutti Frutti, que partilha conosco sua relação íntima de amizade e afeição pelo rock’n’roll gaudério.

Quase na reta final da empreitada, os autores entenderam que ainda havia a necessidade de incluir textos que propusessem uma reflexão mais robusta sobre temas cujas as abordagens vinham sendo pensadas e debatidas ao longo de todo o processo editorial. No primeiro deles, logo nas páginas iniciais, o jornalista e pesquisador musical Fernando Rosa divide com os leitores preciosos detalhes de sua vivência com o rock do Rio Grande do Sul, desde os anos 60. Intitulado “Esse tal de rock gaúcho”, o texto assinado por Rosa, citando nomes conhecidos e relembrando outros nem tanto, porém essenciais, percorre uma longa trajetória temporal que desemboca nos dias atuais.

Por fim, nas páginas derradeiras, o músico e compositor Marcelo Birck comete o segundo texto de fôlego, em que tece considerações acerca da importância dos fanzines para a consolidação do conceito de “rock gaúcho”, nos anos 80 e 90. Entre outros pontos, Birck analisa a frequência com que o rock feito em Porto Alegre, e seus “estranhamentos”, ganhava destaque em tais publicações.

Inicialmente prometido para novembro de 2021 (e aqui cabe um pedido de desculpas dirigido a quem adquiriu seus exemplares pelo financiamento coletivo), 100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho terminou sofrendo o atraso de alguns meses. A todos que, em razão da demora, nos procuraram querendo saber notícias a respeito do lançamento, argumentamos, em tais ocasiões, que “um livro não se faz a ‘toque de caixa’”. Embora um prazo tenha sido estabelecido, a verdade é que, dado o ineditismo do projeto, não sabíamos, na verdade, a real dimensão que tal esforço demandaria em sua realização.

Nesses dois intensos anos de labor, parte importante do trabalho consistiu na apuração de informações (processo jornalístico, por vezes difícil, devido às escassas e muitas vezes pouco confiáveis fontes de pesquisa documental disponíveis) e também em entrevistas realizadas com mais de uma centena de artistas. Depois de tudo, a mais extenuante das etapas: a checagem das informações. E, a despeito disso, no caso de certos discos foram inúmeras as vezes em que as informações constantes em seu respectivo texto tiveram de ser revistas, seja pelos autores ou pelos artistas. Durante a elaboração, inúmeras também foram as remodelações gráficas até que se chegasse à obra que agora, prezadas leitoras e leitores, enfim vocês poderão degustar. Sem contar, ainda, nesse tão minucioso quanto cuidadoso trabalho, o primordial processo de digitalização e restauro ao qual foram submetidas as capas, contracapas e selos dos discos que serviram de matriz para ilustrar as páginas do livro.

Nessa exploração guiada pelos meandros da produção fonográfica do Rio Grande do Sul, a bordo de 100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho, aproveitamos para agradecer a todos que, de uma forma ou outra, nos ajudaram a tornar isso possível. Curtam a leitura e as audições, tanto quanto nós curtimos o desafio e, sobretudo, a aventura que foi escrever esse livro.

Que venham muitos outros.

Trecho do livro
Nas páginas finais do livro 100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho, o guitarrista paulistano Luiz Carlini (integrante da banda Tutti Frutti) escreveu sobre sua relação com o rock do Rio Grande do Sul, o impacto causado pelos cabeludos do Liverpool Sound e a importância da música jovem do estado.

Meu primeiro contato com aquilo que, na década seguinte, ganharia o nome de “rock gaúcho”, foi no início dos anos 70, ainda moleque, ou “piá”, como dizem no Sul. Certa noite, em 1971, eu estava ligado na TV, ainda em preto e branco, para ver os Mutantes no “Som Livre Exportação”. Exibido pela Rede Globo, o televisivo era conduzido por Elis Regina e Ivans Lins. Naquela noite, o Som Livre Exportação foi apresentado de Porto Alegre. Lá pelas tantas, se apresentou no programa uma banda local, chamada Liverpool Sound. Uns cabeludos tocando um puta rock’n’roll. Eu era louco, fissurado por rock, e pensei: “Que porra é essa!”. Ali, naquele momento, fui arrebatado. “Entrei na raia e comecei a dançar esse rock’n’roll, xará”. Não tenho dúvidas de que fui o primeiro fã paulista do Liverpool.

Depois que a Rita Lee saiu dos Mutantes, montei o Tutti Frutti para acompanhá-la. Entre 73 e 78, lançamos cinco álbuns e viajamos por todo o Brasil. Meus primeiros shows em Porto Alegre foram em 74, numa breve temporada, de três ou quatro noites, no Teatro Leopoldina, quando lançamos o LP Atrás do Porto Tem Uma Cidade. No ano seguinte, na turnê Fruto Proibido, voltamos para um show no Gigantinho. Quando fui passar o som, percebi que meu amplificador, um Marshall valvulado, havia queimado. Naqueles dias, os equipamentos viajavam de uma cidade para outra de caminhão, aos solavancos. Alguém falou de um guitarrista que tinha um Marshall e fomos na casa dele, buscar o amplificador. Só em Porto Alegre, mesmo, para alguém ter um Marshall naquela época. Quanto mais, emprestá-lo.

A partir dos anos 80, comecei a ir com mais frequência para o Rio Grande do Sul. Toquei com o Erasmo Carlos e com o Guilherme Arantes em shows memoráveis no Araújo Vianna e também em diversos clubes e cidades do interior. Quando acompanhei Neusinha Brizola, no Rio de Janeiro, conheci o Joe Euthanázia. Também no Rio, conheci o Humberto Gessinger. Estávamos no mesmo hotel. Ele me deu uma cópia do primeiro LP dos Engenheiros do Hawaii e ficamos um bom tempo conversando sobre guitarras. Os Garotos da Rua também estavam em alta, aparecendo nos principais programas de TV, como o Cassino do Chacrinha. Uma maré fortíssima vindo do Sul. Nesses dias, também fui sondado para produzir o primeiro álbum dos Cascavelletes, o que não aconteceu. Porém, fiquei amigo do Nei Van Soria e assisti alguns shows de sua banda.

A cultura gaúcha tem raízes muito fortes. Existem CTGs espalhados pelo mundo. Nomes como Teixeirinha, Gaúcho da Fronteira e Conjunto Farroupilha são reconhecidos tanto nacional quanto internacionalmente. Minha aproximação com o rock gaúcho também tem a ver com o som e com as letras. Uma sonoridade que se identifica com o “veneno do rock de São Paulo”. Um rock’n’roll que fala a minha língua. Depois de São Paulo, do bairro da Pompéia e dos palcos, o Rio Grande do Sul e Porto Alegre são minha segunda casa. Me considero o guitarrista paulistano mais gaúcho que existe.

100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho

• 300 páginas coloridas, em papel couchê;
• Formato 30x25cm;
• Capa dura;
• 100 discos resenhados;
• Capítulos especiais (compactos, discos ao vivo, fitas cassete, EPs, coletâneas e álbuns coletivos, música negra, mulheres na música, livros e filmes sobre rock gaúcho);
• Quase mil obras citadas, com informações e capas;
• Garanta seu exemplar diretamente com os autores: Cristiano Bastos: whatsapp 51 982986277; Rafael Cony: whatsapp 51 999196952
• Valor: R$ 250, com frete incluído para todo Brasil.
• Previsão de lançamento: 24 de outubro

*Por Luiz Pimentel
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*Fonte: terra

ULTRAMEN 30 ANOS – A história de uma das bandas mais icônicas de Porto Alegre

Eu já estava ansioso aguardando por esse documentário, porque é de uma de minhas bandas prefridas aqui do Rio Grande do Sul. Lembro muito bem da primeira vez que os assisti ao vivo, aliás foi uma paulada. Eu tocava com a Troublemakers e um dia a Rádio Ipanema com a produção da “visonária” Kátia Sumann, organizou um show da nossa banda e a Ultramen, em alguma cidade perto de Porto Alegre. O ponto de saída marcado para o show de logo mais a noite era na Usina do Gasômetro, onde a Ultramen tocaria na tarde e assim que acabassem, subiam no bus e as nossas bandas seguiriam em frente. Foi nesse dia em que pude vê-los ao vivo, até então só havia escutado eles na Ipanema (que tocava sim as novas bandas, dando uma força danada a nova cena rocker gaúcha – baita época!). Chegamos mais cedo só para poder assistí-los. Não consigo esquecer a potência que “passava” o som deles, tudo com muito groove, uma mistura bem temperada, som pegado, inclusive até um cover do Black Sabbath tocaram. Fiquei muito impressionado e satisfeito de ver uma banda com uma música que me agradou em cheio! Esse dia ficou para sempre marcado na minha memória, sério. Já disse inúmeras vezes para alguns amigos, de que tenho como um dos melhores shows de banda gaúchas que já assisti – isso que era bem no começo da carreira deles, nem tinham o seu primeiro álbum lançado ainda. Fiz questão de compra uma fita K7 demos deles (tenho até hoje). Depois ainda tocamos juntos mais umas duas ou três vezes em eventos do Opinião naquela época e sempre foram bons companheiros nessas empreitadas, acho eles incríveis como músicos e pessoas. Fico contente com todo o merecido sucesso que alcançaram. Bem, essa é a minha breve historinha sobre essa banda que admiro bastante! Keep on rock.

“100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho” documenta a memória musical do RS

Não há dúvidas de que o rock n’ roll possui raízes profundas no Rio Grande do Sul. Em 1959, o Conjunto Melódico De Norberto Baldauf lançou o LP Rock On Big Hits, que lançou as primeiras gravações de rock feitas por músicos do estado. Porém, esse conjunto não era uma banda de rock propriamente dita. Segundo artigo do músico Arthur de Faria, o “Marco Zero do rock gaúcho” foi a Banda Apache, formada ainda em 1962. Em 1965, já surgiu a primeira banda de rock porto-alegrense formada só por mulheres: As Andorinhas.

Na década seguinte, o sucesso do grupo Bixo da Seda ajudou a cunhar o termo “rock gaúcho” e, ao longo dos anos 1980, essa cena realmente explodiu com o surgimento e/ou popularização de vários artistas importantes (Taranatiriça, Astaroth, Cascavelletes, TNT, DeFalla, Os Replicantes, Júlio Reny, Graforréia Xilarmônica, Garotos da Rua, Rosa Tattooada, Engenheiros do Hawaii, Nenhum de Nós, e por aí vai). Ao longos dos anos 1990 e 2000, uma nova geração de bandas – como Bidê ou Balde, Cachorro Grande, Walverdes, Acústicos e Valvulados, Comunidade Nin-Jitsu e Ultramen – fez muito sucesso e revitalizou esse cenário. Já entre os anos 2000 e 2010 vieram nomes como Vera Loca e Identidade, mais próximos do rock clássico, e bandas como Pública e Cartolas, bem mais identificados com o indie rock em voga na época.

Hoje, o rock ocupa um espaço muito diferente do que outrora – não apenas no Rio Grande do Sul, mas no mundo todo -, e é importante resgatar a memória para que não se perca o registro dessa produção que marca a cultura do estado. É nesse sentido que nasce o projeto do livro 100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho, do jornalista e escritor Cristiano Bastos com projeto visual do músico, produtor e artista gráfico, Rafael Conny.

Com acabamento luxuoso, incluindo capa dura e sobrecapa especial, a obra registra em 264 páginas a apresentação de uma centena de discos que ajudam a contar essa história. Além da listagem detalhada dos álbuns, o livro traz uma pesquisa profunda sobre a evolução da fonografia do pop e do rock no Rio Grande do Sul e capítulos especiais dedicados somente aos compactos, coletâneas e bootlegs mais importantes do rock gaúcho.

100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho está sendo produzido através de um projeto de financiamento coletivo que já está aberto (confira as recompensas e apoie aqui).

*Por Ariel Fagundes

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*Fonte: noize

 

Egisto Dal Santo & Trouble Makers

Muito bom ver hoje uma “repostagem ” no Facebook do grande músico e produtor do rock gaúcho, Egisto Dal Santo, mostrando algumas das coletâneas do rock gaúcho por ele produzidas. E a Trouble Makers, antiga banda da qual fiz parte, esteve presente com algumas músicas nesse material. Bons tempos.

Muito grato mestre Egisto!

Livro “100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho”

Será lançada na sexta (31/7), ainda dentro das comemorações do dia mundial do rock, a campanha de financiamento coletivo com o objetivo de captar recursos para a publicação do livro 100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho. O projeto, que é idealizado pelo jornalista e escritor Cristiano Bastos (um dos autores de Gauleses Irredutíveis – Causos e Atitudes do Rock Gaúcho; e das biografias Júpiter Maçã: A Efervescente Vida & Obra; Julio Reny – Histórias de Amor & Morte; e Nelson Gonçalves – O Rei da Boemia), terá projeto gráfico do designer Rafael Cony.

Os 100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho serão eleitos por meio de um corpo de jurados (músicos, jornalistas, produtores) do RS e também do Brasil. Será colocada em votação a produção discográfica produzida no Rio Grande do Sul desde anos 1950 (quando se tem o registro da primeira música “rock” feita no Estado: Stupid Cupid, com o Conjunto Farroupilha) até os dias hoje.

Segundo Bastos, que tem passagens por revistas como a Rolling Stone Brasil, Bizz, entre outros veículos da imprensa musical, ainda que o nome “rock” intitule o livro, outros gêneros musicais – do pop ao soul, do metal ao punk, do funk ao samba rock – não ficarão de fora.

Ao corpo de jurados será fornecido uma listagem com a sugestão de centenas álbuns de bandas e artistas para auxiliá-los na escolha. A previsão de lançamento do livro100 Grandes Álbuns do Rock Gaúcho (que terá formato de luxe e a dimensão de um disco de vinil: capa dura, papel couchê, colorido) é em meados de 2021. Objeto de colecionador, a tiragem da obra, cujo objetivo é que tenha mais de um volume, será de mil cópias.

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*Fonte: rogerlerina

Os Cascavelletes – “Vortex Demo” (1986)

Essa por muito é considerada uma das melhores gravações da história dos Cascavelletes, assim como também top 10 da história do rock gaúcho (se não, a melhor, mais autêntica e vigorosa). Muito por causa da energia visceral da banda naquela época, coisa bem do começo do grupo, em um intenso momento criativo logo após Flávio Basso & Nei Van Soria, terem deixado a banda TNT.

*Eu me lembro muito bem dessa fita k7 naquela época. Era muito cotada. As músicas eram pura contravenção juvenil, na melhor vibe “testosterona” adolescente. Nos dias atuais, músicas assim seriam um grande problema por causa do “patrulhamento ideológico de plantão”, mas imagina só então o que foi naquela época… Quer coisa mais rock’n roll do que isso para aqueles anos 80!? A tal questão de temas meio que proibitivos (ou não usuais nas músicas), gerou ainda mais interessa da gurizada no som da banda, que era muito boa.

É uma raridade ter um desses k7 originais. Verdadeiro item para colecionador do rock gaúcho. Lamentavelmente eu não tenho (apenas em mp3), apesar de ter uma coleção bem bacanuda de fitas K7, de bandas daquela época. Essa lamentavelmente me escapou… apesar de ter batalhado para conseguir uma. Putz! Lembro de alguns poucos amigos que tinham e a apresentavam como um precioso troféu. Será que eles ainda a tem?

Segue a história, o resto é bobagem. Keep on rock, baby!

 

“Júpiter Maçã: A Efervescente Vida & Obra” – livro

É assinada pelos jornalistas Cristiano Bastos e Pedro Brandt, a biografia “Júpiter Maçã: A Efervescente Vida & Obra”. Resultado de uma minuciosa pesquisa jornalística realizada ao longo de mais de dois anos, a obra passa a limpo a trajetória de Flávio Basso, morto em dezembro de 2015 e que completaria 50 anos em 2018.

Para desenvolver esta biografia, os autores consultaram materias como jornais, revistas, livros, sites, gravações de rádio e vídeos de acervos particulares ou disponíveis na Internet. Complementaram o trabalho entrevistas com pessoas próximas ao artista gaúcho, também conhecido por Woody Apple, Júpiter Maçã e Jupiter Apple. A pesquisa ainda levantou um acervo iconográfico que ressalta a complexidade da obra de Flávio Basso.

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*Fonte: correiodopovo

 

Dingo Bells em Venâncio Aires

Ontem a noite, uma quinta-feira tradicional de cidade interiorana aqui do sul, teve show da banda Dingo Bells. A banda é tida como uma das gratas revelações do rock/música gaúcha nos últimos tempos, não que isso em importe, sou daqueles que precisa ver para crer quando o assunto é banda de rock. Eu já conheço o som dos caras, alías seguido escuto durante o trabalho o seu último álbum – “Tudo vai mudar” (2018), então tranquilo, fui bem de boas assistir a esse show. Mas daí é que veio a chinelada na cara. Já tinha assistido a banda em Santa Cruz do Sul, num desses festivais da cerveja Gaúcha, achei tudo muito bacana, ficou uma boa impressão e tal mas sei lá, talvez não tenha sido realmente capturado pelo som dos caras.

Chego no local do show quase na hora de começar, que aliás, era cedo – (bom isso de show num horário mais “dito normal”, que não começa às 3h da madruga….),  enfim, tudo ok exceto o fato de que achei ter pouco gente. Coisa normal para essa cidade burra culturalmente falando, já cansei de ir em shows que mereciam um público bem melhor por aqui. Se fosse uma dupla sertaneja ou um DJ desconhecido qualquer, estaria lotado o local. Mas enfim, cada um sabe o que faz e as suas escolhas. Mas que essa cidade tem um bom punhado de roqueirinhos de merda, que pouco ou nada entendem além do que a “manada” curte, não participam e nem vão a nada desse tipo de evento – Ah! Tem! Mas direto ao assunto – o show começa e os caras tocam inicialmente várias músicas mais lentas e introspectivas (se é que posso assim chamar). Depois a coisa cresce e incendeiam o local. Cada vez mais intenso até o ponto em que quase num efeito de hipnose, estão com o público nas mãos. Eles sabem das coisas.

Daí fica aquela questão no ar, de que não é preciso viajar longe para se assistir a um bom show, nem muito menos pagar caro o ingresso, camarote ou o escambau, tem muita coisa boa acontecendo e é bem próximo “de você”, basta se ligar, ficar atento. Esse show de ontem foi bem divulgado. Quanto a isso não tem desculpa.
Ontem foi uma ocasião assim, ingresso barato, precisei caminhar apenas algumas quadras de minha casa e acabei assistindo a um dos melhores shows dos últimos tempos. Banda muito bem entrosada, cancheira (que vocais afudê), tocando com “vontade” e com tesão, entregaram de mãos beijadas para nós os sortudos (sim, muita sorte estar ali nesse momento) um super show. Tudo muito bem tocado e próximo ao som do álbum, coisa que até então acreditava de que seria bem difícil de reproduzirem ao vivo ali no palco, porque as suas músicas são cheias de pequenos detalhes aqui e ali. Não é uma banda fácil de compreender o som. Mas acontece que estava tudo lá. Eita! Perfeito.

Depois do show a banda ainda ficou tranquilona, perto do palco atendendo as pessoas para fotos, trocar uma ideia e esse tipo de coisa. Os caras super acessíveis e nada de estrelismos. Muito bom isso. Então é o seguinte, quem foi sabe do que estou falando. Foi um baita show. Ponto. Baita banda. Ponto. Baita noite. Ponto.
Tenho dito.

Grato por mais um show incrível anotado no caderninho da vida.

*Se não conhecem a banda, aqui ó: www.dingobells.com.br