Morte de Charlie Watts: a história do fã de jazz que virou estrela mundial do rock com os Rolling Stones

O baterista dos Rolling Stones, Charlie Watts, morreu aos 80 anos, segundo a assessoria de imprensa do músico.

“É com imensa tristeza que anunciamos a morte de nosso amado Charlie Watts”, afirma a equipe do baterista, em um comunicado.

“Ele faleceu em paz em um hospital de Londres, hoje cedo, cercado por sua família.”

A nota afirma que Watts era “um querido marido, pai e avô” e “um dos maiores bateristas de sua geração”.

O comunicado acrescentou: “Pedimos gentilmente que a privacidade de sua família, membros da banda e amigos próximos seja respeitada neste momento difícil.”

A morte de Watts ocorre semanas depois de ter sido anunciado que ele não iria participar da turnê da banda nos Estados Unidos. Segundo a banda, ele estaria em recuperação de um procedimento médico não especificado. Watts já havia se recuperado de um câncer de garganta, em 2004.Ele era membro dos Stones desde janeiro de 1963, quando se juntou a Mick Jagger, Keith Richards e Brian Jones.

O trabalho de Watts era a base que escorava a música dos Rolling Stones. Ao mesmo tempo, para o baterista, tocar em uma banda que virou sinônimo de rock & roll não resultou na mesma “ego trip” vivenciada pelo vocalista Mick Jagger e o guitarrista Keith Richards.

Fã do jazz, Watts “disputava” com o ex-baixista Bill Wyman o título de membro menos carismático da banda; ele evitava os holofotes e raramente dava entrevistas.

Nascido em 2 de junho de 1941, em Londres, Watts vinha de uma família operária. Seu pai era motorista de caminhão, e ele cresceu em uma casa pré-fabricada para onde sua família se mudou depois de bombardeios alemães durante a Segunda Guerra terem destruído centenas de casas na região londrina onde moravam.

Um amigo de infância certa vez descreveu a paixão de Watts pelo jazz e lembra de escutar álbuns de artistas como Jelly Roll Morton e Charlie Parker no quarto do jovem.

Jazz era a paixão original de Watts

Na escola, Watts desenvolveu o gosto e o talento pela arte. Formou-se na Escola de Arte Harrow e trabalhou como designer gráfico em uma agência de publicidade.

Mas seu amor pela música era a força dominante em sua vida. Ele havia ganhado dos pais um conjunto de bateria aos 13 anos, no qual ele tocava ao som de seus discos de jazz.

Até que ele começou a se apresentar como baterista em casas noturnas e pubs e, em 1961, recebeu de Alexis Korner o convite para tocar em sua banda, Blues Incorporated. Ali também tocava o guitarrista Brian Jones, que levou Watts para a então iniciante banda The Rolling Stones – que havia perdido seu baterista original, Tony Chapman.

‘Traseiro de Mick Jagger’
O resultado daquele encontro inicial, segundo Watts descreveria mais tarde, foram “quatro décadas vendo o traseiro de Mick Jagger na minha frente”.

A habilidade e a experiência de Watts são consideradas inestimáveis. Junto com Wyman, ele fazia um contraponto às guitarras de Richards e Jones e à performance de Jagger.

Os primeiros shows dos Stones muitas vezes acabavam em caos, enquanto jovens fãs escalavam o palco para abraçar seus ídolos. Watts muitas vezes se via tentando manter o ritmo da bateria com garotas presas a seus braços.

Além de sua habilidade musical, ele encontrou utilidade também para sua experiência em design gráfico. Participou da confecção da capa do álbum de 1967, Behind the Buttons, e ajudou a criar os projetos de palco, que se tornariam cada vez mais importantes nas turnês.

Foi dele a ideia de promover a turnê de 1975 nos EUA com uma apresentação na traseira de um caminhão que se movia por Manhattan, em Nova York.

Ele lembrava-se de que bandas de jazz de Nova Orleans haviam usado dessa estratégia, que depois seria copiada também por bandas como AC/DC e U2.

Seu estilo de vida nas turnês contrastava com o dos demais integrantes dos Stones. Ele era conhecido por rejeitar as hordas de groupies que acompanhavam a banda nas viagens, mantendo-se fiel a sua esposa, Shirley, com quem havia se casado em 1964.

Ascensão e queda
No entanto, nos anos 1980, durante o que depois descreveria como uma crise de meia-idade. Watts viu sua vida descarrilar com bebidas e drogas, resultando em um vício em heroína.

“Fiquei tão mal que até o Keith Richards, abençoado seja, me pediu que me compusesse”, ele contou certa vez.

Ao mesmo tempo, sua esposa também enfrentava o alcoolismo, e sua filha, Seraphina, havia se tornado uma jovem “rebelde”, sendo expulsa de uma escola de prestígio por fumar maconha.

Nesse período, a relação de Watts com Jagger também chegou a seu ponto mais baixo.

Um episódio famoso se desenrolou em um hotel de Amsterdã, em 1984, quando Jagger, bêbado, teria acordado Watts berrando ao telefone: “onde está o meu baterista?”

Watts respondeu com uma visita ao quarto do vocalista, onde lhe desferiu um soco e disse “nunca mais me chame de ‘seu baterista’, seu maldito cantor”.

A crise durou dois anos e ele emergiu dela, sobretudo, com a ajuda de Shirley.

Vida
Dono de uma fortuna estimada em 80 milhões de libras (equivalente hoje a R$ 576 milhões) como resultado da duradoura popularidade dos Stones, Watts vivia com sua esposa em uma fazenda em Devon, na Inglaterra, onde criavam cavalos.

Ele também havia se tornado uma espécie de especialista em antiguidades, e coletava desde memorabilia da Guerra Civil Americana até carros antigos – o que é curioso, uma vez que Watts não dirigia.

Nos intervalos das turnês, Watts alimentava seu amor pelo jazz. Embora gostasse de toar rock e amasse seu trabalho nos Stones, ele diz que o jazz lhe dava “mais liberdade”.

Sempre elegante – Watts costumava figurar em listas de homens mais bem vestidos -, ele se manteve com os pés no chão durante sua carreira em uma das bandas mais longevas da história.

“Dizem que é para ser sexo, drogas e rock & roll”, ele disse uma vez. “Eu não sou bem assim.”

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*Fonte: bbc-brasil

Blackberry Smoke & Nick Perry – “You Can’t Always Get What You Want” (Rolling Stones)

Então! O que dizer quando uma das suas bandas preferidas se apresenta ao vivo e conta com a participação de um outros guitarrista da nova geração, do qual tu também é muito fan!? E ainda tocam um som dos Stones (salve Keith!).
É o que que acontece aqui nesse vídeo com o Blackberry Smoke e o Nick Perry! Putaquispariu….. Hey! ainda não me sai da cabeça que um dos melhores shows que já assisti ao vivo foi o do Blackberry Smoke, em POA, no Opinião. Tenho dito! E não, não seu desses que idolatram apenas mega-shows com bandas clássicas, claro que são massa, mas bons shows de verdade, via de regra, acontecem em lugares menores e com uma boa cerveja gelada.

Thanks God! Ah, valeu, valeu mesmo.

Ouça disco de blues jamais lançado por Mick Jagger

O produtor Rick Rubin era um profissional em grande destaque no mercado musical no início de 1992, ele já tinha acertado a mão em trabalhos de Beastie Boys, Run DMC e Red Hot Chili Peppers. Por conta desse sucesso estrondoso, foi procurado por Mick Jagger para ajudá-lo a produzir seu terceiro trabalho solo. Naquele momento, Rubin estava trabalhando com uma banda californiana chamada The Red Devils. Os caras eram um fenômeno que chamava a atenção por reunir em sua plateia, em um pequeno bar, personalidades como Billy Gibbons, do ZZ Top, Angus e Malcolm Young, do AC/DC, e o ator Bruce Willis.

Jagger foi convidado por Rubin para curtir uma apresentação desse grupo e acabou ficando muito impressionado com o que viu, a ponto de convidar os caras para uma gravação. “Foi uma maratona de um dia”, lembrou Dave Lee Bartel, guitarrista do Red Devils, numa entrevista reproduzida pela revista Classic Rock. “Fizemos 13 músicas em 14 horas, todas elas versões de antigos blues, com Mick cantando ao vivo”, revelou.

Rubin sabia que tinha em mãos um trabalho grandioso, mas dias após a gravação, Jagger concluiu que as faixas soavam muito rústicas para seu próximo lançamento, que deveria buscar uma atmosfera mais comercial. Músicos de peso foram contratados e o Stone e seu produtor gastaram mais alguns meses em estúdio até o lançamento do novo disco. Wandering Spirit saiu em fevereiro de 1993 e serviu apenas para mostrar a Mick Jagger que era melhor ele voltar a trabalhar com seus colegas de Rolling Stones.

Sobre o Red Devils, a banda lançou seu trabalho de estreia em 1993, foi dissolvida no ano seguinte e seu vocalista Lester Butler morreu de overdose em 1998, aos 38 anos de idade.

O registro do que poderia ter sido um dos projeto mais interessantes de Mick Jagger nos anos 90 foi disponibilizado há algum tempo na internet pelo canal do YouTube Discography Channel Various Artists 2. Confira no player abaixo:

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*Fonte: aradiorock

Rolling Stones – Memórias do Exílio

Armas, brigas e sexo estão por trás de Exile On Main Street, obra-prima dos Stones lançada há 35 anos
Os bastidores da gravação deste clássico do rock’n’roll estão imortalizados no livro Exile On Main Street: A Season in Hell With The Rolling Stones. A seguir, você lê um “trecho” dessas memórias.

No primeiro semestre de 1971, com nove anos de ocupação do cargo de maior banda de rock do mundo, os Rolling Stones perceberam, com muito pesar, que, além de estarem quebrados, também teriam de deixar a Inglaterra para evitar o pagamento do imposto de renda. Eles levantaram acampamento e foram para a Riviera Francesa – muito bem descrita pelo escritor inglês Somerset Maugham como “um lugar ensolarado para pessoas sombrias”, onde todas as formas de comportamento escandaloso sempre foram toleradas desde que as contas fossem pagas em dia – e começaram a gravar seu novo álbum no porão da Villa Nellcôte, a mansão suntuosa de Keith Richards, à beira-mar. O resultado foi o único álbum duplo dos Stones, o clássico Exile On Main Street (1972).

Talvez a vida em Nellcôte tenha ficado calma demais para Keith Richards. Talvez ele só esteja entediado. Talvez, como “Spanish Tony” Sanchez – que Marianne Faithfull certa vez descreveu como “o traficante oficial dos Rolling Stones” – gostaria que acreditássemos, Keith simplesmente está reagindo ao que aconteceu na noite anterior. Seja lá qual for a razão, a necessidade incessante de caos com que Keith parece ter nascido, de repente, se instala como uma vingança e transforma o lugar em um inferno.

Tudo começa certa noite, durante um jantar em que comparecem Keith, sua companheira de longa data, Anita Pallenberg, Spanish Tony e Tommy Weber, um personagem fabuloso que parece ter saído diretamente das páginas do livro Suave é a Noite (Nova Cultural), do norte-americano F. Scott Fitzgerald. Tommy, que foi criado no interior da Inglaterra, na propriedade em que vivera o naturalista britânico Charles Darwin, era piloto de corrida profissional até que um pescoço quebrado colocou fim a sua carreira. Agora, aos 33 anos, com o cabelo loiro comprido batendo nos ombros, ele pode ser visto com freqüência caminhando pela vila, descalço, com calças largas e uma camisa esvoaçante que pode ter se esquecido de abotoar. Na prainha pedregosa de Nellcôte, às vezes vê-se Tommy tomando sol nu, para confirmar que ele é, sim, uma das pessoas verdadeiramente bonitas do planeta. Apesar de ninguém tocar no assunto, Tommy e Anita são tão parecidos que poderiam ser gêmeos univitelinos. Juntos, formam um casal estonteante. De acordo com o que Spanish Tony insiste em afirmar que aconteceu na noite anterior, pode ser que Tommy e Anita tenham chegado à mesma conclusão.

Veja bem, naquele verão na Villa Nellcôte, Anita era sempre o centro das atenções. E como não poderia ser? A mulher é linda, além de ser uma força da natureza. Apesar de quase nunca nadar, o modelito que preferia usar o dia inteiro era um biquíni de oncinha microscópico que não deixava nada a cargo da imaginação e, ainda assim, fazia com que todos pensassem como ela ficaria sem ele. Ela foi introduzida na banda como namorada/imagem espelhada do guitarrista-solo Brian Jones, que sempre gostou de se referir a si mesmo como “o líder indiscutível dos Rolling Stones”. Juntos, Brian e Anita transformaram-se no primeiríssimo casal do rock. Incapazes de serem fiéis a qualquer pessoa por muito tempo, brigavam, trepavam e desfilavam sua sexualidade ambígua em público para quem quisesse ver. Quando Brian finalmente passou dos limites até para Anita, ela o deixou para viver com Keith que, àquela altura, também tinha se apaixonado por ela. Na Távola Redonda do rock’n’roll ocupada pelos Rolling Stones, Anita era a chave. Quem a possuísse era detentor do poder. Mas, como o tempo comprovaria, ninguém era capaz de ficar com ela por muito tempo. Porque, no final das contas, Anita só pertencia a si mesma.

Para o caso de alguém duvidar que agora estamos entrando no purgatório e a estrada que percorremos estará cheia de almas perdidas, leve em consideração as outras duas mulheres que também estão jantando nesta noite em Nellcôte. Uma delas é Madeleine D’Arcy, uma dançarina loira bonita que fez Spanish Tony abandonar a mulher e os dois filhos alguns anos antes. Em uma foto que ele tirou dela naquele verão, Madeleine está à porta de Nellcôte com um vestidinho impossivelmente curto e um par de sapatos de plataformas altíssimas. Suas pernas são fortes e musculosas. Seu cabelo é cheio e brilhante, e ela estampa um enorme sorriso no rosto.

Dois anos mais tarde, Madeleine estaria fazendo de tudo em Brighton (Inglaterra), por 15 libras a noite, para sustentar seu vício em heroína. O cadáver dela, ferido e espancado, foi descoberto pela amiga íntima Marianne Faithfull. “Ela estava tomando metadona para tentar se livrar da heroína”, Tony escreveria posteriormente, “e de algum modo, a droga a levara a um frenesi inexplicável. Ela ficou batendo o rosto sem parar contra um criado-mudo, até ficar desfigurada, ensangüentada – e morrer.” Fora de si de tanto pesar, Tony injeta heroína pela primeira vez duas semanas depois da morte dela. Em “Lady Madeleine”, música do álbum de Marianne de 1977, Dreamin’ My Dreams, ela canta: “And I walk down the avenue/ And I’m missing you, Lady Madeleine/ And Spanish Tony don’t know what to do/ His strange world has all fallen through/ And he wonders, was his love in vain?/ And I think I might go quite insane”. [Caminho pela avenida / E sinto sua falta, Lady Madeleine / E Spanish Tony não sabe o que fazer / O mundo estranho dele desabou / E ele se pergunta se seu amor foi em vão / E acho que posso ficar bem louca].

Naquela noite, michele breton também está sentada à mesa. Ela é uma francesinha com ares de garoto, tem cabelo curto e peitos tão grandes que chegam a chocar – junto com Mick Jagger e Anita, aparece nua na cena da banheira em Performance, o filme em forma de psicodrama em que um gângster (James Fox) de classe baixa em fuga enlouquece depois de ser arrastado para o mundo distorcido de um rock star em decadência (Mick Jagger) e sua linda companheira “onissexual” (Anita Pallenberg). Quando o filme foi feito, Breton estava com 17 anos e nunca mais faria outro trabalho desses. Parece que foi escalada para o papel de Lucy principalmente por já ter participado de um ménage à trois com o roteirista e co-diretor Donald Cammell e a namorada dele, a texana Deborah Dixon. O mesmo vale para Anita.

Chapada de haxixe e drogas psicodélicas durante as filmagens, Breton passaria os cinco anos seguintes vagando a esmo pela França e a Espanha. Presa por porte de drogas na ilha espanhola de Formentera, ela mora um ano em Cabul (Afeganistão), injetando morfina. Durante esse período, vende seu passaporte, junto com todos os seus pertences. Decidida a largar as drogas intravenosas depois de uma viagem de LSD, vai para a Índia, onde fica hospitalizada durante três meses. Então, retorna ao Afeganistão, viaja para a Itália e acaba se fixando durante 13 anos em Berlim (Alemanha), onde Mick Brown, escritor inglês que trabalhava em um livro sobre Performance, encontra-a em 1995. “Não fiz nada da minha vida”, ela diz a ele. “Onde foi que tudo começou a dar errado? Não consigo me lembrar. É mais ou menos como o destino.”

Algo parecido pode ser dito em 1971 sobre a relação tumultuada entre Keith Richards e seu parceiro no crime musical, Michael Philip Jagger. Um dos temas principais que permeia a confecção do novo álbum é a tensão, que não pára de crescer, entre esses dois irmãos de armas. Assim como muito do que acontece na mesa de Nellcôte nesta noite, não é lá muito errado dizer que as dificuldades entre eles começaram a sério durante as filmagens de Performance. Brian Jones, que fundou os Stones, mas perdeu a banda para Mick, a mulher que amava para Keith e a própria vida na seqüência, foi quem ensinou a Mick e Keith que não era nada demais mandar ver com a namorada um do outro, porque nenhuma mulher jamais poderia se interpor entre os Rolling Stones. No entanto, três anos antes, Mick foi além dos limites. Dia após dia, enquanto Keith ficava de cara amarrada esperando em seu Rolls-Royce estacionado na frente da casa em Lowndes Square, em Londres, onde Performance era filmado no segundo semestre de 1968, Mick mantinha uma caso tórrido com Anita – a melhor amiga de Marianne Faithfull, namorada de Mick na época. Mick e Anita mandando ver, até mesmo na frente das câmeras, era uma coisa. A insistência de Mick em continuar atrás de Anita – enquanto ele e Marianne estavam de férias com Anita e Keith na América do Sul depois que as filmagens terminaram – era outra completamente diferente. Dois homens menos notáveis, ou quem sabe mais comuns, teriam trocado socos e parado de se falar ali mesmo – apesar de se conhecerem havia muito tempo e de terem criado obras brilhantes juntos.

Não Mick e Keith. Os dois se uniam não apenas pelos quadris, mas também pela carteira. Também eram especialmente ingleses em sua recusa inabalável de jamais confrontar um ao outro a respeito do que quer que seja. Da mesma maneira como fariam escolares levemente travessos – o que os dois continuavam parecendo ser -, eles preferiam reclamar um do outro atrás de portas fechadas para um terceiro, ao mesmo tempo em que continuavam trabalhando juntos. Como Mick no momento está em cruzeiro pelo Mediterrâneo com sua novíssima esposa, a adorável Bianca, os Stones não estão trabalhando nadinha no novo álbum. Em sua vila palaciana no sul da França, Keith precisa encontrar algum jeito de fazer o tempo passar – que não seja gravando. De modo que, uma vez terminado o jantar, Madeleine D’Arcy e Michele Breton acompanham Keith e Anita para o quarto de Spanish Tony no andar de cima, onde, nas palavras dele, todos resolvem “relaxar com a ingestão de alguns comprimidos de Mandrax (cujo princípio ativo é a metaqualona, com efeito hipnótico e sedativo), seguida de goles generosos de conhaque Courvoisier. A combinação faz com que você apague quase com a mesma rapidez do que se levar uma pancada na cabeça com um revólver de caubói. Em menos de uma hora, todos nós tínhamos desabado na minha cama Luís XIV enorme”. Ao retomar a consciência, às cinco da manhã, Tony escuta “sussurros e risadas baixinhas de duas pessoas do outro lado da cama”. Achando primeiro que deviam ser Keith e Anita, descobre que, na verdade, eram Tommy e Anita – que então começa a gemer com suavidade. “Dava para sentir a cama sacudindo enquanto Tommy subia sorrateiro em cima de Anita”, Tony escreve, “e daí começaram a fazer amor, primeiro com suavidade, depois com violência. Durante todo o tempo, Keith e Michele ficaram lá roncando em sua alegre inconsciência drogada.” Quando a ação termina, Tony cai no sono mais uma vez. De manhã, ele acorda “e vê Keith e Michele se espreguiçando, retomando a consciência gradualmente.” Tommy e Anita não estão à vista. Ao ser indagado se há alguma verdade nisto, Tommy Weber posteriormente diria: “Não me lembro de nenhuma dessas coisas. Pode ter acontecido, mas realmente não seria tão vulgar assim.”

Não se diz mais muita coisa sobre nada no café-da-manhã, e então, Keith e Tony saem a toda, a bordo do Jaguar XKE de Keith, para dar uma olhada em uma lancha à venda no porto próximo a Beaulieu. Quando Tony e Keith estão a caminho do porto, Tony toma para si a responsabilidade de contar a Keith, de maneira bastante vitoriana, que enquanto estavam todos inconscientes na noite anterior, Tommy tomou “liberdades” com Anita, que estava apagada. “Ele enfiou a mão embaixo do vestido dela”, diz, “e ficou apalpando. Não foi nada sério, mas achei que você devia saber, assim vai poder expulsar o cara quando voltarmos para casa hoje à noite.”

É verdade que Tony não suporta, literalmente, nem olhar para Tommy e que ficaria mais do que feliz em fazer qualquer coisa para denegrir sua posição junto a Keith, mas seus comentários podem ter fundo mais comercial do que de amizade. Tommy – que até esta altura da vida só tinha relação meramente social com a cocaína – conquistara o respeito ilimitado dos hóspedes de Nellcôte no início do verão, quando trouxera consigo cerca de meio quilo da substância branca escondida em cintas de dinheiro (presas à cintura de seus dois filhos pequenos, Jake, de 8 anos, e Charlie, de 6 anos, também conhecido como “Boo-Boo”). Agora, Tommy está tão instalado em Nellcôte que Tony, além de vê-lo como uma ameaça direta a sua posição de membro do círculo fechado, também o considera ameaça a seu ganha-pão. Posteriormente, Tommy dirá: “Não fazia parte de qualquer rota de fornecimento, de jeito nenhum”, mas, na hora, parece que Tony pensa exatamente assim.

Chegando a Beaulieu “no meio de uma chuva quente de verão”, Keith e Tony vão procurar o escritório do mestre do porto para que ele possa dirigí-los à pessoa que está vendendo o barco. De repente, outro Jaguar novinho em folha, desta vez um XJ6, tenta apertar-se na estrada estreita para ultrapassá-los. Quando o pára-choque do outro Jaguar raspa na lateral do carro de Keith, ouve-se um horrível ruído de coisas raspando. “Toda a fúria de Keith pareceu explodir de supetão”, escreve Tony. Através da janela aberta do carro, ele grita: “Que porra você acha que está fazendo?”. Ignorando as “desculpas cuspidas” do “casal de peões italianos no XJ6”, Keith então completa: “Seus estrangeiros idiotas. Vou esmagar a cabeça de vocês”.

Antes que tony possa detê-lo, Keith saca “uma enorme faca de caça alemã” da bolsa, pula para fora do carro e grita: “Seu idiota imbecil da porra!”, diz para o “velho” que dirigia o outro carro. Ao ouvir a comoção, Jacques Raymond, o mestre do porto, que Tony descreve como “um gigante de um metro e 90 e ombros largos”, sai de seu escritório. Ele faz o casal entrar às pressas e faz sinais para que Keith se afaste, o que só o deixa ainda mais enraivecido. Como Raymond não fala inglês e Keith não conhece nenhuma palavra de francês, Tony faz o que pode para acalmar a situação. É aí que Keith empunha a faca. Raymond revida com uma voadora de direita. Lá se vai Keith. Sempre na posição de soldado leal, Tony responde com um soco na cara do mestre do porto, assim “derrubando o Golias em cima de uma mesa”.

Keith se levanta e sai correndo na direção do XKE. De acordo com Tony, ele retorna um momento depois com o Colt .45 de brinquedo do filho Marlon na mão – e, assim, torna-se pioneiro no conceito de usar uma arma de mentira para esquentar uma situação de verdade. Raymond empurra o casal italiano para o chão e prontamente saca seu próprio revólver. Infelizmente para Keith, a arma do mestre do porto, por acaso, é de verdade. Apavorado com a possibilidade de que o mestre do porto volte a arma para ele, Tony tira a pistola de brinquedo da mão de Keith, joga-a no chão e começa a gritar, em francês, que Keith não tem pistola nenhuma. Segundos depois, ouve-se o som de sirenes que se aproximam. Keith diz a Tony que fique com o XKE e pula para dentro de um Dodge. Voltando em disparada para Nellcôte, em velocidade que ele estima entre 230 e 240 quilômetros por hora, Tony dispara pelo caminho de entrada, pula para fora do carro, fecha com tranca os enormes portões de ferro fundido da vila, guarda o Jag na garagem e espera.

Ao passo que Tony parece bem feliz de se retratar como o herói do dia em seu livro Up and Down With The Rolling Stones (Para Cima e Para Baixo com os Rolling Stones), foi sua nêmesis, Tommy Weber, que impediu que a situação saísse do controle. “Na verdade, eu estava no porto com Jake, Charlie e Marlon”, lembra. “Acho que os meninos estavam no Jaguar e eu estava com meu carro. Um dos seguranças do porto tentou agarrar Keith e dar um soco nele, mas errou o alvo e quase acertou Marlon. Àquela altura, Keith sacou um .38 e daí a batalha toda começou.” Jake, filho de Tommy, que estava esperando no carro, lembra-se especificamente de ter recebido a informação de que Keith abrira o rosto do mestre do porto com um soco de direita, a mão em que usava seu anel pesado de caveira, assim comprovando que a jóia, que é sua marca registrada, não é apenas ornamental, mas também tem grande serventia em um entrevero. Tommy Weber prossegue com seu relato: “Entendendo a complexidade e as implicações políticas da coisa toda, coloquei as crianças no meu carro e as levei de volta a Nellcôte para ‘dar uma limpada no lugar’ antes que a polícia baixasse lá em peso, o que obviamente aconteceria. Apesar de gozarmos da proteção do prefeito local, não tínhamos assim tanta proteção da alfândega e estávamos em um porto. Então, vi que a coisa era mesmo séria. Keith e Spanish Tony estavam se divertindo muito em uma ‘disputa de faroeste’ com todos aqueles seguranças. Mais tarde, me disseram que eles achavam que eu estava fugindo deles, mas eu sabia que tinham bastante capacidade para cuidar de si mesmos. Levei as crianças para tirá-las daquela situação e também para chegar a Nellcôte e avisar Anita e todo mundo lá que era preciso limpar tudo que estivesse a vista, porque iríamos sofrer uma batida policial. E foi exatamente o que aconteceu. Peguei o .38 e joguei no porto e Keith disse à polícia que era o revólver de brinquedo de Marlon. Fui eu quem tirou a arma da mão de Keith no porto. Precisei desarmá-lo, se não ele o teria usado.”

Quando a polícia chegou a Nellcôte para falar com Keith na tarde seguinte, ele explica que, devido ao ataque não-provocado do mestre do porto, Marlon batera a cabeça no chão e agora Keith pretende processar o sujeito por agredir seu filho ainda criança. Os advogados dos Stones e a polícia então se reuniram para discutir a questão. Ninguém sabe dizer ao certo quanto dinheiro troca de mãos durante essa reunião. Naquela noite, no entanto, o delegado de polícia vai jantar em Nellcôte. Keith lhe oferece alguns álbuns autografados dos Rolling Stones. E, como Tony escreve, “aquele foi o fim do probleminha, no que dizia respeito a ele”.

Apesar do que Tony afirma ter acontecido naquela cama apinhada na noite anterior à troca de socos em Nellcôte, Tommy continua hospedado na vila. Mas, na condição de casal, Keith e Anita já se molharam em tantas tempestades, de todas as naturezas imagináveis, que a fidelidade física pareceria a menor de suas preocupações. Ao mesmo tempo, transar com outra pessoa enquanto seu parceiro está desmaiado ao seu lado parece um pouco demais até para eles. Mas bom, como Keith certa vez disse no cais de Old Bailey: “Não somos velhos. Não estamos preocupados com noções mesquinhas de moral”.

No dia 7 de junho de 1971, depois de uma viagem de quatro dias de carro de Londres, o trailler de gravação dos Rolling Stones chega a Nellcôte. Durante um mês inteiro, antes que Mick partisse em lua-de-mel, ele e Keith tinham examinado o interior da França em busca de lugares onde a banda pudesse gravar. “Claro que ninguém gostava de nada”, o road manager Jerry Pompili diria posteriormente. “Perdemos um mês e, no fim, eles resolveram gravar na casa de Keith mesmo. É a cara dos Stones.” Em grande parte, o trailler existe não apenas porque os Stones desperdiçaram tanto dinheiro com a reserva de horas de estúdio caríssimas, que não eram aproveitadas porque eles chegavam atrasados ou nem apareciam para as sessões, mas também devido ao resquício de culpa que Mick e Keith ainda sentiam por ter permitido que Andrew Oldham (o primeiro empresário deles) mandasse embora, em 1963, o pianista original da banda, Ian Stewart, porque ele não tinha cara de popstar nem agia como tal. “Acho que, como maneira de recompensá-lo, eles montaram o caminhão e disseram: ‘Prontinho, Stu. Você é que cuida disto aqui’ “, diria depois o técnico de gravação Andy Johns. Os Stones também investiram a soma astronômica de 65 mil libras para construir o que Johns posteriormente classificaria como “o primeiro caminhão de gravação adequado da Europa”. Já tinha sido usado, assim como Stargroves, a propriedade rural de Mick na Inglaterra, para gravar faixas que estão em Sticky Fingers, além de “Sweet Black Angel”, que acabou entrando em Exile On Main Street.

Pouco depois da chegada do trailler, o acontecimento que seria considerado como o fato mais importante do verão ocorre. Keith e Tommy resolvem passar o dia andando de kart em uma pista local. De acordo com o histórico de Keith dirigindo na Inglaterra, não deve ser surpresa para ninguém a catástrofe que se seguiu. Ele resolve ir para cima de Tommy que, em um veículo automotor, é de longe melhor motorista. Keith praticamente o ataca a toda velocidade com seu kart. “Com certeza, parecia que queria me assassinar”, Tommy lembra. “Ele estava tentando me derrubar. Mirou bem em cima de mim e a coisa virou. (…) Eu ainda estava tentando diminuir a velocidade dos carros, e ele estava com a cabeça no meu colo, o kart em cima dele, e as costas ralando no asfalto. As costas dele ficaram iguais a um bife cru. Ele olhava para mim e dizia: ‘Tommy, acho que está na hora de você ir ao médico e conseguir você sabe o que para a gente’. E isso foi o início de tudo. O acidente com o kart instigou os opiáceos.”

Como os rolling stones têm o princípio de nunca viajar para lugar nenhum sem um médico por perto, àquela altura já fazia algum tempo que o profissional de saúde escolhido no local mandava até Nellcôte um “piquer” (na França, uma pessoa que é mais ou menos uma enfermeira distrital) para ministrar substâncias injetáveis. Naquele momento específico, a substância injetada diariamente era a Vitamina B-12. Naquela época, esta prática estava muito em voga entre os endinheirados dos dois lados do Atlântico que se viam em situações de alto estresse e que não podiam se dar o trabalho de fazer exercícios para manter o velho e bom sistema imunológico em dia. “Keith estava sofrendo forte dor física”, diz Tommy Weber. “E ele sabia o que era aquilo. E sabia o que aquilo faria. Ele via aquilo no mundo. Na verdade, estava fulo da vida por ter que ser a pessoa que precisava manter todo mundo na linha, inclusive Mick. Quando percebe isso, você compreende que Keith estava livre. Ele podia ir onde quisesse. Podia permitir que Mick recebesse todas as críticas do mundo careta enquanto ele era capaz de realmente tentar e descobrir que porra estava acontecendo.”

Ninguém pode dizer com certeza se o que levou Keith a retomar o uso de drogas foi o simples desejo de aliviar a dor física ou a percepção de que, com o trailler de gravação estacionado na frente da vila, finalmente tinha chegado a hora de ele começar a trabalhar no novo álbum e que, para fazê-lo, além de ter que descer ao porão escuro de sua casa toda noite, também precisaria bombear as profundezas ocultas de sua própria alma musical – expedição que talvez não conseguisse empreender sem auxílio químico de verdade. “Foi por isso que ele disse aquilo”, Tommy explica. “Obviamente, aquilo estivera pesando em sua mente e ele tinha tentado não começar de novo, sabendo que o trabalho estava lá e que exigia aquele nível de decadência. Não acho que seja o caso de estar em estado alterado para fazer música. Era o estilo de vida dele. ‘It’s only rock’n’roll, but I like it’ [É só rock’n’roll, mas eu gosto]. Era o prazer, o estado decadente que lhe dava aquela autoconfiança fantástica para criar obras incríveis.” Seja lá quais tenham sido suas verdadeiras razões, Keith é o responsável por fazer os pedidos. E assim realmente a loucura naquele verão em Villa Nellcôte começa.

A certa altura da segunda semana de junho, os Stones de fato começaram a tocar juntos pela primeira vez em Nellcôte. A partir de então, Bill Wyman lembra que trabalhavam toda noite, das oito às três da manhã, durante o restante do mês. No entanto, de acordo com Wyman, “nem todo mundo comparecia toda noite. Para mim, essa foi uma das maiores decepções daquele período. Nos nossos dois álbuns anteriores, tínhamos trabalhado bem e escutado o produtor Jimmy Miller. Em Nellcôte as coisas eram muito diferentes e demorou um pouco até eu entender o por quê.”

No âmbito do mundo altamente enclausurado dos Rolling Stones, em que Mick Jagger manda com poderes absolutos, há uma pessoa que ele não consegue controlar: Keith Richards. Dia após dia, Keith fica doidão e demora-se no banheiro do andar de cima – enquanto isso, Mick e o restante dos Rolling Stones ficam sentados, esperando. Mick não pode fazer nada para obrigar Keith a criar novas melodias para as quais possa compor letras. Ele está totalmente na palma da mão de seu amigo mais antigo. Da mesma maneira, sem a ajuda de Mick, Keith não tem como terminar o álbum em que os Stones estão trabalhando. Sem o disco, os Stones não podem fazer turnê nos Estados Unidos. Sem o dinheiro que vão ganhar lá, não têm como sobreviver enquanto banda. Lá no porão, descobrem outro problema: a umidade que tende a se acumular nos porões das casas grandes da Riviera Francesa durante o verão. “As guitarras perdiam a afinação no meio de uma música”, conta Andy Johns. “Sempre. Ou parávamos ou chegávamos ao fim e eu avisava: ‘Vamos ter que fazer de novo porque estava desafinado’.” Apesar desses problemas, todo mundo ainda acredita que gravar o álbum na villa era um plano brilhante. A razão para isso é simples. No baralho que forma os Rolling Stones, Keith transformou-se no coringa sorridente. Apesar de ser ele que ralhasse mais alto com Brian, agora vive em um fuso horário que é só dele.

Certa noite, bem tarde, no porão, quando Keith está fazendo um overdub em “Rocks Off”, a faixa que depois seria a primeira finalizada para o álbum, ele cai no sono. O fato em si não é nenhuma novidade. Como Johns se lembrará posteriormente, “ele costumava dar umas pescadas. Tocava a introdução e ficava em silêncio durante o primeiro verso porque tinha tirado um cochilo e nunca mais retornava.” O trailler estava equipado com um sistema de comunicação de duas vias e uma câmera para que quem estivesse na mesa pudesse ver a banda e se comunicar com eles enquanto tocavam. Como nenhum dos dois sistemas de comunicação funcionava muito bem, Johns passou a maior parte do verão correndo para o porão de Nellcôte a fim de conversar com os músicos. “E eu não ia parar a fita para dizer: ‘Acorda!’. (…) Então nós só ficávamos lá esperando, deixando correr. Dava para saber que estávamos chegando perto quando Keith saía do porão para escutar um playback. Isso significava que estávamos chegando a algum lugar. Ele sabia o que queria, sabia sim.”

Ao retomar a consciência, às três da manhã, Keith pede para ouvir o que acabara de fazer, mas cai no sono mais uma vez. Chegando à conclusão de que a noite realmente chegou ao fim, Johns volta para a vila onde mora com o trompetista Jim Price, a uma boa meia hora de Nellcôte. Quando Johns chega lá, o telefone toca. “Oi!”, Keith diz, nada feliz de ter acordado e percebido que todo mundo tinha ido embora. “Onde você se meteu, porra? Estou com uma idéia para outro trecho de guitarra.” Johns prontamente pega o carro e percorre todo o caminho até Nellcôte, onde, às cinco da manhã, Keith começa a fazer sua faixa ritmada que, como Johns diria mais tarde, “foi espetacular. Fez a música funcionar. Foi excelente. Como um contra-ritmo. Duas Telecasters, uma de cada lado do estéreo, e é absolutamente brilhante. Então, fico feliz por ele ter me chamado de volta aqui.”

Mesmo assim, com tão poucos progressos reais obtidos no porão, o tempo começa a pesar para cima de todo mundo. Por falta de algo melhor para fazer, Andy Johns e Jim Price resolvem montar um cassino na vila em que moram. “Compramos uma roleta profissional”, Johns lembra, “as pessoas iam até lá e nós apostávamos na roleta até uma ou duas da manhã e daí mudávamos para pôquer. Às vezes, jogo de dados. E começamos a ganhar um bom dinheiro com os dados e a roleta. Keith foi lá uma vez. E não quis se juntar ao jogo. Acho que foi porque ele poderia perder. Ou porque nós poderíamos ganhar. O que, é claro, seria um crime de lesa-majestade. Foi a hora que ele me injetou.” Johns, na época com 22 anos, cheirou heroína algumas vezes, mas nunca tinha injetado a droga. “Durante o decurso daquele projeto”, conta, “comecei a usar porque era fácil de conseguir.”

Na noite em que Keith vai visitar Johns e Price em seu cassino improvisado na Riviera Francesa, o primeiro vai para o quarto, “para trocar de camisa ou por alguma porra de uma razão qualquer, e Keith está lá com uma seringa e uma colher. Eu tinha sido criado para achar que aquele era um comportamento nada adequado. Mas, àquela altura, já estava mais para lá do que para cá, e disse: ‘O que você está fazendo?’. E ele respondeu: ‘Ah, você também quer?’. E eu respondi: ‘Certo, tudo bem’. E ele: ‘Ah, esta agulha está fodida. Não vai funcionar. Vamos para a minha casa’. Então pulamos para dentro do carro dele e fomos até Nellcôte. Keith me leva para o andar de baixo e cozinha alguma coisa. Não injetou na veia, simplesmente espetou minha pele em qualquer lugar. E disse: ‘Agora você é homem’. E eu pensei: ‘Que atitude adolescente da parte dele’. E que atitude adolescente da minha parte: ‘Ah, também vou fazer isto’ “.

Johns então volta para o trailler de gravação quando Ian Stewart entra, dá uma olhada nele e diz: “Andy, que horas são? Andy, que horas são?”. “E, é claro”, Johns lembraria mais tarde, “eu não conseguia enxergar. Então, fiquei olhando para o meu relógio e dizendo: ‘São, hum, acho que talvez… bom…’. E Stu disse: ‘Você esteve com o Keith, não é mesmo? Ai meu Deus, ele está encrencado…’. Ele percebeu a porra toda em dez minutos. Eu disse: ‘Stu, não fiz nada’. Simplesmente menti. Ele sabia. Mas eu só fui me tornar um junkie propriamente dito um pouco mais para a frente. Quando fomos para a Jamaica fazer Goat’s Head Soup [1973], já estava afundado naquilo.”

Rapaz de sorte, Andy Johns fica o verão todo em Nellcôte e, de algum modo, sobrevive para contar sua história. O mesmo não pode ser dito a respeito de John Lennon – que deu uma passada na casa durante o Festival de Cinema de Cannes -, Gram Parsons, Jimmy Miller, Madeleine D’Arcy, Ian Stewart, o fotógrafo Michael Cooper, Olivier Boelen (produtor do Living Theatre), Jean de Breteuil (o traficante com conexões nobres que forneceu a dose fatal a Jim Morrison), Spanish Tony Sanchez e Michele Breton – ambos desaparecidos de guerra que, supõe-se, não estão mais entre nós. Dizer que os sacrifícios humanos exigidos durante a confecção de Exile on Main Street foram extremos é uma atenuação de proporções gigantescas. Mas mesmo que alguém tivesse tentado dizer aos freqüentadores de Nellcôte que um altíssimo número deles, nas palavras imortais de Pete Townshend, morreriam antes de ficar velhos, ninguém teria escutado. Todo mundo estava muito mais preocupado em viajar.

Trecho do livro Exile On Main Street: A Season in Hell With the Rolling Stones (Capo Records), de Robert Greenfield – sem previsão de lançamento no Brasil

Exile On Main Street

Rocks – Off Depois que Keith Richards caiu no sono ao fazer o overdub de um trecho de guitarra, o técnico de gravação Andy Johns encerrou os trabalhos. Mas foi arrastado de volta ao estúdio às cinco da manhã para que Richards pudesse adicionar mais um detalhe. “Absolutamente brilhante”, diz Johns. “Ele sabia o que queria. Sabia sim.”

Rip This Joint – Bill Plummer toca contrabaixo com Bobby Keys no sax tenor e barítono. Esta é uma das únicas seis faixas de Exile apresentadas regularmente na turnê dos Stones pelos Estados Unidos, em 1972.

Shake Your Hips (a.k.a. Hip Shake) – Escrita por Slim Harpo e cantada por Mick Jagger com uma voz que Richard Williams, do [semanário] Melody Maker, considerou ter “afetação desnecessária”.

Casino Boogie – Nicky Hopkins no piano e Jagger cantando “Dietrich movies/Close-up boogies/Kissing cunt in Cannes” [Filmes de Dietrich / Reboladas em close-up / Beijar bocetas em Cannes].

Tumbling Dice – Primeiramente batizada de “Good Time Woman”, esta canção – o primeiro single de Exile – surgiu durante as sessões de Sticky Fingers (1971). Charlie Watts teve dificuldade com um trecho de bateria, então o trabalho do produtor Jimmy Miller entrou na edição.

Sweet Virginia – Jagger mostra o melhor de suas raízes. O vocal tem influência de Gram Parsons, hóspede em Nellcôte, que ficou amigo de Richards desde que eles se conheceram em Los Angeles durante os ensaios dos Stones para a turnê de 1969 pelos Estados Unidos.

Torn and Frayed – Outra faixa com influência de Parsons, com Al Perkins na guitarra e letra que fala ou de Richards ou de Parsons.

Sweet Black Angel – O tributo de amor de Jagger a Angela Davis, na época presa por acusações de assassinato e seqüestro. Ela foi considerada inocente durante a turnê norte-americana dos Stones em 1972. Originalmente gravada ao vivo no trailler de gravação e em Stargroves, a propriedade de Jagger na Inglaterra, com Miller na percussão.

Loving Cup – Originalmente gravada no estúdio Olympic, em 1969, a canção foi apresentada pelos Stones durante o show gratuito no Hyde Park, em Londres, no dia 5 de julho de 1969, quando o guitarrista Mick Taylor estreou com a banda. O show começou com Jagger lendo um poema para Brian Jones, que tinha sido encontrado morto na piscina de casa dois dias antes.

Happy – A assinatura de Richards. Inspirado pela notícia de que sua companheira de longa data, Anita Pallenberg, estava grávida, ele entrou no porão de Nellcôte e saiu com esta música durante uma passagem de som, com Keys no sax barítono e Miller na bateria.

Turd on the Run – Bill Plummer no baixo, com overdub feito no [estúdio] Sunset Sound, em Los Angeles, depois de os Stones terem ido embora do sul da França. Jagger na gaita-de-boca. Como Richards relatou à jornalista Lisa Robinson em 1989: “Ele não pensa quando toca gaita-de-boca. Vem de dentro. E Mick sempre tocou assim, desde o início”.

Ventilator Blues – A única faixa que foi composta com a colaboração de Mick Taylor – que acreditava merecer mais crédito pela composição do que Jagger e Richards estavam dispostos a lhe dar. Havia um único ventilador em uma janela de canto do porão de Nellcôte que, como Johns observa, “não funcionava muito bem. ‘Ventilator Blues’ é uma das minhas músicas preferidas. Fala do ventilador na janela”.

I Just Want to See His Face – Dr. John no piano, sem crédito, Richards no órgão, Plummer no baixo acústico, Taylor no baixo elétrico e Miller na percussão. Jagger inventou as letras na medida em que foi gravando a canção.

Let It Loose – Outra faixa de Exile originalmente gravada no estúdio Olympic (em Londres).

All Down the Line – A escolha inicial de Jagger para um single. Johns não conseguiu imaginá-la no rádio, então Jagger mandou o pianista e road manager Ian Stewart para uma estação em Los Angeles com uma fita. No banco traseiro de uma limusine, Jonhs escutou a canção na companhia de Jagger, Richards e Watts.

Stop Breaking Down – Esta cover de Robert Johnson – com Stewart tocando piano de boogie-woogie e Taylor na guitarra slide – também foi gravada originalmente no estúdio Olympic.

Shine a Light – A canção mais antiga do álbum, gravada no Olympic. Traz o falecido Billy Preston no órgão e no piano, Taylor no baixo (apesar de depois Bill Wyman alegar que era ele) e o produtor Miller na bateria.

Soul Survivor – Richards no baixo. Apesar de descrever a relação dos dois durante as sessões de Nellcôte, Jagger canta: “You ain’t giving me no quarter/I’d rather drink seawater/I wish I’d never brought you/It’s gonna be the death of me”. [Você não vai me dar troco nenhum / Prefiro beber água do mar / Preferia nunca ter te trazido / Você vai acabar me matando].

O Livro do Exílio
Por José Emilio Rondeau

Em Abril de 1971, quando o álbum Sticky Fingers estava para inaugurar o selo próprio da banda – apresentando ao mundo aquela que se tornaria a logomarca mais conhecida de toda a história do rock, a debochada e lasciva língua vermelha -, os Rolling Stones trocaram a Inglaterra pelo sul da França. A idéia era estabelecer residência no Mediterrâneo e gravar um novo disco para impulsionar a turnê americana do ano seguinte. E a estratégia lógica foi montar um estúdio na casa de Keith Richards: Nellcote, uma vila à beira-mar que teria abrigado nazistas.

Lá, em Nellcôte, os Stones gravaram boa parte de Exile On Main St., o álbum duplo que, para muitos, marca o ápice da obra da banda. Os seis meses passados em Nellcote são revisitados agora no livro A Season in Hell With The Rolling Stones, do mesmo Robert Greenfield que seguiu a turnê de 1972 para uma série de matérias publicadas originalmente na Rolling Stone matriz e depois transformadas no excelente livro STP: A Journey Through America With The Rolling Stones.

Não espere um relato das gravações do disco. O livro explora os bastidores (baixarias?): a procissão de traficantes, parasitas e bandidinhos pé-de-chinelo (que forneciam heroína a Keith e a sua mulher, Anita Pallenberg), aristocratas amigos (Tommy Weber, ex-piloto de corridas escalado para montar uma rádio pirata em Monte Carlo), e popstars junkies (o brilhante Gram Parsons, em pleno acaso), mais as encrencas variadas do dono e da dona da casa (desastres de carro, kart e barco; brigas com locais que, por muito pouco, não terminam em cadeia), um tantão de drama folhetinesco, fofocada a granel e algumas pitadas de sabedoria sobre Stones, drogas e rock’n’roll (cortesia de Marshall Chess, ex-presidente da Rolling Stones Records).

Com alguns tropeços factuais imperdoáveis (errar o álbum em que saiu “Jumping Jack Flash” compromete todo o resto), o livro tem pelo menos uma gema eletrizante: as 17 páginas contendo a saga de Keith Richards, carregado de clínica em clínica na Suíça para se limpar de heroína antes de embarcar para a turnê americana de 1972. Uma “cura” agonizante que, encerrada, ele comemora com uma cafungada olímpica de heroína trazida às pressas da Inglaterra.

*Por Robert Greenfield

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*Fonte: rollingstone

Clube dos 27: a enigmática morte do fundador dos Rolling Stones, Brian Jones

Um certo mistério ronda a morte de alguns músicos e artistas que falecem na fatídica idade de 27 anos: Janis Joplin, Jimi Hendrix, Kurt Cobain e Amy Winehouse são alguns dos nomes que fazem parte do chamado Clube dos 27.

O músico e guitarrista britânico, Brian Jones também faz parte dessa estatística curiosa. O jovem foi encontrado sem vida na piscina de sua mansão, em Sussex, no Reino Unido, aos 27 anos. No entanto, seu óbito gera diversas especulações e teorias.

Início da carreira e criação da banda

Nascido em 28 de fevereiro de 1942, Lewis Brian Hopkin Jones veio de uma família cercada de amantes da música. Filho de um engenheiro e de uma dona de casa, desde jovem, Jones destacava-se por seu talento musical.

Ainda criança aprendeu a tocar piano durante aulas proporcionadas por sua mãe. O menino aprendeu a manusear diversos instrumentos, mas, sua paixão era mesmo a guitarra, objeto que tinha apreço e nunca largava.

Na adolescência, mantinha um estilo extravagante e uma vida baseada no típico conceito de sexo, drogas e rock’n roll, da década de 1960. O garoto problema até chegou a se matricular na faculdade, porém, abandonou a vida acadêmica, entrando de cabeça no mundo da música.

Depois de se apresentar sozinho em clubes de jazz e blues, Brian sentiu que era a hora de montar uma banda. Em maio de 1962, o guitarrista divulgou um anúncio no periódico Jazz News, convidando músicos para participarem de um teste no conhecido pub Bricklayer’s Arms, em Londres.

O anúncio chamou a atenção de ninguém menos que o cantor Mick Jagger, que levou seu amigo de infância Keith Richards para o teste, com Charlie Watts juntando-se posteriormente. E a partir daí, The Rolling Stones estavam oficialmente formados.

O nome da banda foi dado por Brian, que se inspirou no trecho de uma canção de Muddy Waters, Rollin’ Stone, o nome foi utilizado oficialmente pela primeira vez, durante a apresentação da banda no Marquee Club de Londres, em 12 de julho de 1962. Foi de Brian o posicionamento artístico tomado pela banda, em seus anos iniciais.

Jones não tinha a mesma habilidade de escrita que Jagger e Richards, mas, possuía o domínio dos instrumentos como ninguém. Em 1969, os Rolling Stones já faziam um enorme sucesso e os músicos ganhavam muito dinheiro, Brian não soube administrar a fama e abusava das drogas e álcool, além de ter sido preso algumas vezes.

Seu comportamento estava atrapalhando o andamento dos shows e gravações do grupo, os Stones decidiram então expulsá-lo da banda, antes de uma turnê que fariam pelos Estados Unidos naquele ano.

Tragédia anunciada

Na madrugada de 2 de julho de 1969, três semanas após ter sido afastado da banda que ele mesmo formou, Brian Jones foi encontrado morto em sua casa, por sua namorada sueca, Anna Wohlin.

A mulher retirou o corpo de seu amado da piscina da mansão do músico, acreditando que ele ainda estava vivo. Porém, após a chegada dos médicos, o homem foi declarado morto.

Na época, o relatório dos legistas afirmou que a causa da morte foi um acidente, provavelmente afogamento após o uso abusivo de drogas. Três dias após a morte do ex-colega de banda, os Rolling Stones — já com um novo guitarrista-, se apresentaram em um show gratuito, dedicando o concerto à Jones.

Não demorou muito para que diversas teorias da morte repentina de Brian surgissem na mídia. Foi dito que o mestre de obras Frank Thorogood, que trabalhava em uma reforma na mansão do músico, havia afogado o roqueiro.

Em um filme intitulado Stoned, lançado no ano de 2005, algumas hipóteses foram levantadas. A obra dizia que Frank teria confessado o crime à sua filha, em seu leito de morte, no ano de 1993. Contudo, não existem provas contundentes dessa história e a versão nunca foi confirmada.

Legado de Jones

Para o líder da banda, Mick Jagger, a expulsão do guitarrista foi necessária na época: “Éramos jovens, e às vezes as pessoas pegam no pé dele. Mas ele atraiu isso para si mesmo, era muito invejoso, muito difícil, muito manipulador.”, afirmou Jagger em entrevista.

Apesar da perda enigmática do musicista e da distância entre ele e os outros colegas, os Rolling Stones não teriam sido os mesmos sem Brian. Seu último álbum feito com os Stones foi o Let it Bleed, do qual ele participou em algumas canções. Mesmo tímido como compositor, suas contribuições marcaram a história dos Stones, principalmente as músicas Stoned (1963) e Now I’ve Got A Witness (1964).

O documentário Rolling Stone: Life and Death of Brian Jones, lançado no início de 2020, tem como foco principal a possibilidade de que o músico tenha mesmo sido assassinado, o filme está previsto para ser veiculado em plataformas de streaming ainda esse ano, e tem o objetivo de destrinchar ainda mais esse famoso mistério, que cerca o mundo do rock a mais de 50 anos.

*Por Penélope Coelho

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*Fonte: aventurasnahistoria

Rolling Stones: Mick Jagger fala sobre próximas inéditas que banda deve lançar

O vocalista Mick Jagger comentou, em entrevista ao Zoe Ball Breakfast Show, sobre o andamento das próximas músicas inéditas que os Rolling Stones devem lançar. Ao que tudo indica, o material pode ser agrupado em um novo álbum de estúdio, mas ainda não há previsão para sair. As declarações foram transcritas pelo NME.

“Não sei… não prenda a respiração esperando por isso!”, brincou Mick, inicialmente, ao ser perguntado sobre as canções inéditas que podem chegar por aí. Em seguida, ele deu uma resposta mais concreta: “Gravamos algumas faixas quando fizemos ‘Living in a Ghost Town’, estou concluindo alguns vocais e outros instrumentos, além de mixagens”.

O cantor pontuou que está trabalhando nessas músicas da forma como pode, já que não é possível encontrar com os demais integrantes dos Stones durante a pandemia. “Temos que nos reunir e fazer algumas sessões a mais. Não podemos fazer isso agora, mas já estão soando boas… o que fizemos até agora soa bem legal para mim”, disse.

A inédita “Living in a Ghost Town”, produzida já em tempos de pandemia, foi lançada como single no último mês de abril.

No fim de 2019, o guitarrista Ronnie Wood havia revelado, em entrevista ao The Sun, que os Rolling Stones planejavam lançar um novo álbum e fazer uma turnê em 2020. Os planos, é claro, foram interrompidos pela pandemia.

“O novo álbum é como um quebra-cabeças. Ainda precisamos colocar as peças que faltam. Esperamos lançá-lo em 2020 e dar sequência à nossa turnê mundial”, disse Wood, na ocasião.

Relançamento de Goats Head Soup

Além de novas canções, os Stones abriram o baú e resolveram divulgar três faixas antigas, porém mantidas como inéditas até então, no relançamento do álbum “Goats Head Soup” (1973), que chega a público no próximo dia 4 de setembro em CD e vinil. São elas: “Criss Cross”, “Scarlet” (com Jimmy Page, do Led Zeppelin, e Rick Grech, do Blind Faith) e “All the Rage”.

As duas primeiras já foram liberadas para o público. Confira “Criss Cross”:

 

O relançamento de “Goats Head Soup” terá as seguintes versões: CD simples e duplo, edições em vinil e box set com 4 CDs. Além da gravação original em uma mixagem nova em estéreo, o relançamento oferece raridades e mixagens alternativas, o áudio integral do show em Bruxelas (Bélgica) de outubro de 1973 e as três faixas inéditas em questão.

Abaixo, está a tracklist completa da versão em box set do relançamento de “Goats Head Soup”:

CD 1 – álbum original com mixagem em estéreo de 2020

1. Dancing With Mr. D
2. 100 Years Ago
3. Coming Down Again
4. Doo Doo Doo Doo Doo (Heartbreaker)
5. Angie
6. Silver Train
7. Hide Your Love
8. Winter
9. Can You Hear the Music
10. Star Star

CD 2 – raridades e mixagens alternativas

1. Scarlet
2. All The Rage
3. Criss Cross
4. 100 Years Ago (Piano Demo)
5. Dancing With Mr. D (Instrumental)
6. Heartbreaker (Instrumental)
7. Hide Your Love (Alternative Mix)
8. Dancing With Mr. D (Glyn Johns 1973 Mix)
9. Doo Doo Doo Doo Doo (Heartbreaker) – (Glyn Johns 1973 Mix)
10. Silver Train (Glyn Johns 1973 Mix)

CD 3 – ao vivo ‘Brussels Affair’

1. Brown Sugar
2. Gimme Shelter
3. Happy
4. Tumbling Dice
5. Star Star
6. Dancing With Mr. D
7. Doo Doo Doo Doo Doo (Heartbreaker)
8. Angie
9. You Can’t Always Get What You Want
10. Midnight Rambler
11. Honky Tonk Women
12. All Down the Line
13. Rip This Joint
14. Jumpin’ Jack Flash
15. Street Fighting Man

CD 4 (Blu-Ray)

1. Dancing With Mr. D
2. 100 Years Ago
3. Coming Down Again
4. Doo Doo Doo Doo Doo (Heartbreaker)
5. Angie
6. Silver Train
7. Hide Your Love
8. Winter
9. Can You Hear the Music
10. Star Star

+ clipes de “Angie”, “Dancing With Mr. D” e “Silver Train”.

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Por Igor Miranda | *Fonte: whiplash

Rolling Stones lançará música de 1974 com participação de Jimmy Page

Os Rolling Stones estão preparando um baita presente para os fãs — principalmente aqueles que também curtem um bom e velho Led Zeppelin.

Uma faixa do grupo gravada em 1974 com a participação de Jimmy Page e arquivada desde então fará parte da edição de luxo do disco Goats Head Soup que deve ser lançada ainda este ano, mais especificamente em Setembro.

Chamada “Scarlet”, provavelmente em homenagem à filha de Page, a canção é descrita pelo The Guardian como “contagiante e atrevida” como tudo que a banda fazia na época, já que essa fase viu o grupo lançar verdadeiros clássicos como Let It Bleed, Sticky Fingers e Exile on Main St.

Além dela, outras duas canções inéditas estarão no box set e você já pode ouvir uma delas, “Criss Cross”. A terceira faixa é chamada “All the Rage” e o veículo britânico a descreve como algo “pós-‘Brown Sugar’”. A edição especial ainda terá um disco ao vivo, intitulado Brussels Affair, em seu pacote.

Vale lembrar ainda que os Stones preparam o lançamento de seu mais novo álbum de inéditas e divulgaram de surpresa a faixa “Living in a Ghost Town” em Abril. A música chegou até a ganhar um remix assinado pelo DJ brasileiro Alok.

*Por Felipe Ernani

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*Fonte: tenhomaisdiscosqueamigos

Keith Richards – 75 anos

Hoje um dos maiores ícones ou então, lenda “ainda viva’ da história do rock – e também da guitarra, Keith Richards (Rollingn Stones), está comemorando seu aniversário de 75 anos. Ele que há poucos dias anunciou que tem se afastado do consumo de bebidas alcoólicas, segue firme e forte em sua sina do rock’n roll (ufa!), ainda bem.

Vida longa ao mestre!

“É maravilhoso estar aqui. Aliás, é maravilhoso estar em qualquer lugar”
(Keith Richards)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Keith Richards revela que parou de beber: ‘Era a hora de sair’

Os Rolling Stones começam a última parte da turnê No Filter em abril de 2019 e para o guitarrista Keith Richards, todo o giro da banda, iniciado ainda em 2017, tem sido inédito.

O músico inglês revelou, em entrevista à Rolling Stone EUA, que tem deixou de ingerir bebidas alcoólicas.

“Já faz um ano”, contou o músico. “Eu parei. Me cansei disso.” Mas, ele admite que, às vezes, ainda bebe “uma taça de vinho, ou uma cerveja”.

É um grande passo para alguém cujo hedonismo era uma parte fundamental do mito construído a sua volta. “Era a hora de sair”, confessa. “Assim como todas as outras coisas”, conta.

Foi uma correção na vida de Keith Richards? “Você pode chamar assim, sim”, contou rindo. “Mas eu não noto nenhuma diferença grande – exceto pelo fato de eu não beber. Não estava me sentindo [certo]. Eu fiz isso. Não queria mais.”

O Stone Ronnie Wood, sóbrio desde 2010, após décadas de problemas de abuso de substâncias, ficou muito feliz com a notícia e percebe grandes mudanças no amigo.

“É um prazer trabalhar com ele assim”, diz Wood. “É muito mais suave. Ele está aberto a mais ideias, enquanto antes eu lidava com ele pensando: ‘ele vai me mandar à merda por dizer isso’. Agora, ele vai dizer ‘legal, cara’.”

“Isso não estava mais funcionando”, explicou Ronnie Wood sobre Richards e bebida.

“Eu acho que o Keith que costumávamos conhecer e amar tinha um ponto no qual, se ele bebesse mais um, ele extrapolava e se tornava desagradável. Esse ponto chegava cada vez mais cedo, e ele percebeu isso.”

Richards disse que percebeu uma diferença no palco durante os primeiros shows da banda em 2018: “É interessante tocar sóbrio”.

“Estamos em nossos setenta anos, mas ainda estamos agitando como se tivéssemos 40 anos, sabe?”, acrescentou Woods.

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*Fonte: revistarollingstone