Plano radical para fazer o buraco mais profundo da Terra pode liberar energia ilimitada

Desde o seu lançamento em 2020, uma empresa de energia pioneira chamada Quaise atraiu muita atenção por seu objetivo audacioso de ser a empresa que chegue mais fundo na crosta terrestre do que qualquer outra.

Após o encerramento do arrecadamento de investimentos de capital de risco, a empresa que nasceu no MIT (EUA) já levantou um total de US$ 63 milhões (R$ 317 milhões): um início respeitável que poderia tornar a energia geotérmica acessível por todo o mundo.

A visão da empresa para se aproximar do núcleo da Terra é combinar métodos convencionais de perfuração com uma lanterna de potência de megawatts inspirada no tipo de tecnologia que poderia um dia tornar possível a energia da fusão nuclear.

A energia geotérmica é uma fonte limpa esquecida. Com a energia solar e eólica dominando cada vez mais o mercado de energia verde, os esforços para explorar o vasto reservatório de calor sob nossos pés permanecem ignorados.

Não é difícil entender a causa. Apesar de ser uma escolha perfeitamente útil de energia limpa, ininterrupta e ilimitada, há muito poucos lugares onde a rocha quente — adequada para extração de energia geotérmica — fica convenientemente próxima à superfície.

A Quaise pretende mudar isso desenvolvendo tecnologia que nos permitirá fazer buracos na crosta para em profundidades nunca alcançadas.

Até o momento, nossos melhores esforços para abrir caminho pela crosta do planeta chegaram a cerca de 12,3 quilômetros. Embora o Kola Superdeep Borehole e outros semelhantes possam ter atingido seu limite, eles representam feitos incríveis de engenharia.

Para avançar, precisaríamos encontrar maneiras de triturar o material compactado por dezenas de quilômetros de rocha acima e depois transportá-lo de volta à superfície.

As ferramentas de escavação também precisariam ser capazes de moer rochas a temperaturas superiores a 180 graus Celsius. Girar as brocas por uma distância tão longa também precisaria de um pensamento inteligente.

Uma alternativa potencial para os obstáculos acima é perfurar menos – e queimar mais.

Nascida da pesquisa de fusão nuclear no MIT Plasma Science and Fusion Center, a solução de Quaise é usar ondas milimétricas de radiação eletromagnética que forçam os átomos a derreterem juntos.

Dispositivos chamados girotrons podem produzir com eficiência feixes contínuos de radiação eletromagnética agitando elétrons em alta velocidade dentro de poderosos campos magnéticos.

Ao conectar um girotron de energia de megawatt às mais recentes ferramentas de corte, a Quaise espera poder abrir caminho através da rocha mais dura e quente, até profundidades de cerca de 20 quilômetros (12,4 milhas) em questão de meses.

Nessas profundidades, o calor da rocha circundante pode atingir temperaturas de cerca de 500 graus Celsius – o suficiente para transformar qualquer água líquida bombeada lá em um estado supercrítico semelhante ao vapor, perfeito para gerar eletricidade.

Usando seu financiamento inicial e de investimento, a Quaise prevê ter dispositivos implantáveis ​​em campo fornecendo operações de prova de conceito nos próximos dois anos. Se tudo correr bem, poderá ter um sistema funcionando produzindo energia até 2026.

Até 2028, a empresa espera poder assumir antigas usinas de energia movidas a carvão, transformando-as em instalações movidas a vapor.

É uma tecnologia ao mesmo tempo tão antiga e tão nova que devemos ter muitas perguntas sobre como e se ela pode ter sucesso. Para nossa sorte, Loz Blain, da New Atlas , listou vários deles para o CEO e cofundador da Quaise, Carlos Araque, responder.

Mesmo sem essa tecnologia, cerca de 8,3% da energia mundial poderia vir de uma fonte geotérmica, abastecendo cerca de 17% da população mundial. Perto de 40 nações podem confiar completamente na energia geotérmica agora.

No entanto, atualmente, menos de meio por cento da eletricidade do mundo é fornecida pelo calor sob nossos pés. Para permanecer no caminho para emissões líquidas zero até 2050, a energia geotérmica deve crescer cerca de 13% ao ano. No momento , sua expansão é uma mera fração disso.

Isso deixa muito espaço para crescer, mesmo que não encontremos uma maneira de expandir seu alcance. Se empresas como Quaise ajudarão a revigorar o interesse, esse azarão ainda está para ser visto.

O que é certo, porém, é que o tempo para reduzir as emissões e limitar o aquecimento global a algo menos catastrófico está diminuindo rapidamente. Estamos chegando ao fundo do poço, então talvez seja hora de cavarmos um pouco mais fundo. [Science Alert]

*Por Marcelo Ribeiro
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*Fonte: hypescience

Asteroide gigante e ‘potencialmente perigoso’ se aproximará da Terra em maio

Já imaginou se um asteroide gigante se chocasse com a Terra? Pois é exatamente isso que a NASA vem fazendo ao monitorar um asteroide estratosférico que passará “perto” do planeta Terra no mês de maio: reconhecido como um objeto com “poder destruidor” com diâmetro de 1,8 km, o 7335 (1989 JA), como o asteroide foi batizado, se aproximará do nosso planeta no dia 27 de maio. Apesar do alarme e da classificação como “asteroide potencialmente perigoso”, não há, segundo a agência espacial estadunidense, motivos para maiores preocupações.

Atualmente viajando em altíssima velocidade, no dia 27 o 7335 (1989 JA) irá passar “raspando” por nosso planeta, a “somente” cerca de 3,9 milhões de quilômetros de distância, mas, segundo a NASA, a proximidade não é suficiente para de fato ameaçar a Terra. De acordo com o site da agência, um “asteroide potencialmente perigoso” assim é classificado “baseado em parâmetros que medem o potencial do asteroide de se aproximar com perigo da Terra”, estabelecendo o limite em cerca de 7,4 milhões de quilômetros de distância. Qualquer corpo celeste que passe em distância inferior a essa do nosso planeta é classificado como “potencialmente perigoso”.

Outra medida importante para classificar a ameaça é o tamanho do corpo celeste, já que milhares de objetos se aproximam da Terra constantemente: o asteroide precisa ser maior que cerca de 140 metros de diâmetro para alcançar a classificação. Uma fotografia tirada no início de abril mostra o 7335 (1989 JA) a cerca de 57 milhões de quilômetros de distância, mas, no final de maio, a aproximação trará o asteroide para uma proximidade de “somente” 10,5 vezes a distância da Terra para a Lua.

Descoberto pela astrônoma estadunidense Eleanor Helin em maio de 1989, o asteroide em questão possui uma dimensão de quatro vezes o tamanho do edifício Empire State, em Nova York, com seus mais de 440 metros de altura e seus 102 andares, conforme informou a NASA em comunicado. Asteroides são objetos rochosos que orbitam o sol, mas que possuem um tamanho menor que um planeta, porém maior que um meteorito: o 7335 (1989 JA) completa uma volta ao redor do sol a cada 861 dias, ou 2 anos e 4 meses.

*Por Vitor Paiva
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*Fonte: hypeness

Primeiro eclipse solar de 2022 ocorre neste sábado (30)

Astrofísico da FEI explica o que esperar e como acompanhar o fenômeno celeste!

Neste sábado, dia 30 de abril, ocorrerá o primeiro eclipse solar de 2022. De tipo parcial, ele deve mostrar a Lua cobrindo mais de 50% da forma visível do Sol. E, embora não possa ser acompanhado em sua totalidade no Brasil, o fenômeno celeste deve atrair a atenção de cientistas e astrônomos amadores, ficando mais perceptível no sudeste do Oceano Pacífico e extremo sul da América Latina, principalmente na Argentina, Uruguai, Chile e Bolívia.

“Como seu ápice ocorrerá por volta de 17h40, no horário de Brasília, o fenômeno celeste tem sido chamado de ‘eclipse do pôr do sol’”, explica Cássio Barbosa, astrofísico e professor do departamento de Física da FEI. “Infelizmente, nas grandes cidades brasileiras, não será possível acompanhar a Lua obscurecendo parte da luz do Sol. Mas, se houver condições de visibilidade no dia e for feito o uso de filtros apropriados, será possível ver a Lua cobrindo marginalmente o Sol e os corpos celestes mais próximos, algo que pode ser interessante também”, conta ele.

Conforme esclarece o docente da FEI, eclipses solares acontecem quando, do ponto de vista terrestre, a Lua parece bloquear a luz do Sol, algo que, geralmente, se passa durante a fase de Lua nova. “No caso dos eclipses solares totais, com os dois corpos celestes plenamente alinhados, o disco lunar consegue sobrepor por completo a face da estrela. Já nos eclipses solares parciais, a interposição da Lua atravessa apenas o arco do disco solar”, diz Barbosa.

Ainda de acordo com professor, apesar do evento do próximo sábado (30/04) não ser plenamente visível no Brasil, ele marca a abertura da temporada de observações de fenômenos astronômicos naturais no ano.

“A boa notícia é que este eclipse não vem desacompanhado. Teremos outros três ao longo de 2022, sendo dois eclipses solares e um eclipse lunar, que ocorrerá no próximo dia 16 maio. Inclusive, para este último, não será necessário qualquer tipo de equipamento especial para acompanhar. Um bom binóculo é o suficiente para ver em detalhes”, recomenda.

Como acompanhar
Se não é possível ver com os próprios olhos, ao menos será possível acompanhar na página do Observatório Nacional no Youtube. O fenômeno terá início às 15h45 (horário de Brasília) e retransmissão ao vivo terá início um pouco mais cedo, às 15h.

Em casos em que seja possível avistar o eclipse, fica o alerta da Agência Brasil: a observação de eclipses solares nunca deve ser feita nem a olho nu, nem com óculos escuros, chapas de Raio X ou filmes fotográficos, porque a claridade e o calor do Sol podem danificar seriamente a retina. Uma sugestão dada por especialistas é comprar, em lojas de ferragens ou de materiais de construção, o chamado vidro de solda. A tonalidade desse vidro deve ser, no mínimo, 14. O vidro deve ser colocado diante dos olhos para uma observação segura do Sol.

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*Fonte: ciclovivo

Polos derretendo ao mesmo tempo: Antártida e Ártico registram aquecimento recorde

Um alerta recente revelou que os dois polos da Terra registraram simultaneamente recordes de aquecimento nos últimos dias, marcando picos de calor ao mesmo tempo. Na Antártida, foram documentadas temperaturas até 40ºC acima do esperado em alguns pontos para essa época do ano, enquanto estações meteorológicas na região do Polo Norte apresentaram indícios de derretimento ainda mais intenso, com os termômetros marcando até 30ºC a mais do que o normal, alcançando marcas normalmente só atingidas meses depois. O fenômeno sem precedentes ilustra a noção global do aquecimento pelo qual o planeta vem atravessando, provocando colapsos climáticos por toda parte.

A informação foi publicada pela agência Associated Press e, segundo especialistas, o aumento exacerbado das temperaturas nas extremidades da Terra é mais um indício claro de desequilíbrio no sistema climático do planeta, com quadros que podem se confirmar irreversíveis, como o derretimento das calotas polares. Para esse período do ano era esperado que o Polo Sul estivesse esfriando rapidamente com o fim do verão, enquanto o Ártico, no extremo norte, iniciasse um processo lento de conclusão do inverno, com os dias passando a durar mais tempo que as noites.

O aquecimento e derretimento do Ártico vem provocando quadros irreversíveis na região

“O aquecimento do Ártico e da Antártida é motivo de preocupação, e o aumento de eventos climáticos extremos – dos quais estes são um exemplo – também preocupa”, afirmou Michael Mann, diretor do Centro de Ciências do Sistema Terrestre da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos EUA. “Os modelos climáticos projetaram o aquecimento geral, mas acreditamos que eventos extremos estão excedendo as projeções dos modelos. Esses eventos mostram a urgência da ação”, concluiu. Segundo informações do Centro Nacional de Dados de Neve e Gelo dos EUA, a camada de gelo da Antártica registrou sua menor dimensão desde que as medições por satélite começaram a ser realizadas, em 1979, com área inferior a 2 milhões de km².

A Estação Concórdia, que registrou a temperatura recorde para o período na Antártida

A temperatura comum para o continente antártico nesse período do ano seria de -27,8ºC, mas a estação Concordia registrou marca de -12,2ºC, com o continente como um todo apresentando temperatura em média 4,8ºC mais quente. Já a estação Vostok aguardava um frio de -47,7ºC, mas chegou a registrar -17,7ºC, com a região em geral marcando 3,3ºC acima da média registrada entre 1979 e 2000. “São estações opostas. Você não vê o polo norte e o sul derretendo ao mesmo tempo”, afirmou Walt Meier, cientista do Centro Nacional de Dados de Neve e Gelo em Boulder, no Colorado.

*Por Vitor Paiva
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*Fonte: hypeness

Plano radical para fazer o buraco mais profundo da Terra pode liberar energia ilimitada

Desde o seu lançamento em 2020, uma empresa de energia pioneira chamada Quaise atraiu muita atenção por seu objetivo audacioso de mergulhar mais fundo na crosta terrestre do que qualquer um já havia cavado antes.

Após o encerramento do financiamento de capital de risco da primeira rodada, o spin-off do MIT já levantou um total de US$ 63 milhões: um começo respeitável que poderia tornar a energia geotérmica acessível a mais populações em todo o mundo.

A visão da empresa para se aproximar do centro da Terra é combinar métodos convencionais de perfuração com uma lanterna de potência de megawatts inspirada no tipo de tecnologia que poderia um dia tornar possível a energia de fusão nuclear .

A energia geotérmica tornou-se a renovável esquecida. Com a energia solar e eólica dominando cada vez mais o mercado de energia verde, os esforços para explorar o vasto reservatório de calor sob nossos pés permanecem teimosamente bem atrás .

Não é difícil entender o porquê. Apesar de ser uma escolha perfeitamente boa de energia limpa, ininterrupta e ilimitada, há muito poucos lugares onde rochas quentes adequadas para extração de energia geotérmica ficam convenientemente próximas à superfície.

Quaise pretende mudar isso desenvolvendo tecnologia que nos permitirá fazer buracos na crosta para registrar profundidades.

Até o momento, nossos melhores esforços para abrir caminho pela pele do planeta chegaram ao fundo do poço em cerca de 12,3 quilômetros (7,6 milhas). Embora o Kola Superdeep Borehole e outros semelhantes possam ter atingido seu limite, eles representam feitos incríveis de engenharia.

Para avançar, precisaríamos encontrar maneiras de triturar o material espremido por dezenas de quilômetros de rocha suspensa e depois transportá-lo de volta à superfície.

As ferramentas de escavação também precisariam ser capazes de moer rochas a temperaturas superiores a 180 graus Celsius (356 graus Fahrenheit). Virar as brocas por uma distância tão longa também precisaria de um pensamento inteligente.

Uma alternativa potencial para os obstáculos acima é perfurar menos – e queimar mais.

Nascida da pesquisa de fusão nuclear no MIT Plasma Science and Fusion Center, a solução de Quaise é usar ondas milimétricas de radiação eletromagnética que forçam os átomos a derreterem juntos.

Dispositivos chamados girotrons podem produzir com eficiência feixes contínuos de radiação eletromagnética agitando elétrons em alta velocidade dentro de poderosos campos magnéticos.

Ao conectar um girotron de energia de megawatt às mais recentes ferramentas de corte, a Quaise espera poder abrir caminho através da rocha mais dura e quente, até profundidades de cerca de 20 quilômetros (12,4 milhas) em questão de meses.

Nessas profundidades, o calor da rocha circundante pode atingir temperaturas de cerca de 500 graus Celsius – o suficiente para transformar qualquer água líquida bombeada lá em um estado supercrítico semelhante ao vapor, perfeito para gerar eletricidade.

Usando seu financiamento inicial e de investimento, a Quaise prevê ter dispositivos implantáveis ​​em campo fornecendo operações de prova de conceito nos próximos dois anos. Se tudo correr bem, poderá ter um sistema funcionando produzindo energia até 2026.

Até 2028, a empresa espera poder assumir antigas usinas de energia movidas a carvão, transformando-as em instalações movidas a vapor.

É uma tecnologia ao mesmo tempo tão antiga e tão nova que devemos ter muitas perguntas sobre como e se ela pode ter sucesso. Para nossa sorte, Loz Blain, da New Atlas , listou vários deles para o CEO e cofundador da Quaise, Carlos Araque, responder.

Mesmo sem essa tecnologia, cerca de 8,3% da energia mundial poderia vir de uma fonte geotérmica, abastecendo cerca de 17% da população mundial. Perto de 40 nações podem confiar completamente na energia geotérmica agora.

No entanto, atualmente, menos de meio por cento da eletricidade do mundo é fornecida pelo calor sob nossos pés. Para permanecer no caminho para emissões líquidas zero até 2050, a energia geotérmica deve crescer cerca de 13% ao ano. No momento , sua expansão é uma mera fração disso.

Isso deixa muito espaço para crescer, mesmo que não encontremos uma maneira de expandir seu alcance. Se empresas como Quaise ajudarão a revigorar o interesse, esse azarão ainda está para ser visto.

O que é certo, porém, é que o tempo para reduzir as emissões e limitar o aquecimento global a algo menos catastrófico está diminuindo rapidamente. Estamos chegando ao fundo do poço, então talvez seja hora de cavarmos um pouco mais fundo.

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*Fonte: sabersaude

Ciclo da água da Terra está mudando mais rápido que previsto

Um dos fatores que mais preocupa toda a humanidade é a preservação da água potável. Isso porque a mudança climática está modificando o ciclo da água que é depositada na terra.

Uma nova pesquisa, publicada na revista Nature, apontou que o ciclo da água está mudando mais rápido do que estava estimado, com base nas mudanças nos oceanos. Essa constatação mostra a necessidade de diminuir as emissões de gases que aquecem a atmosfera, antes que o ciclo da água mude de forma definitiva.

A mudança do ciclo da água
À medida que a Terra se aquece, o ciclo da água começa a intensificar-se no padrão em que o molhado fica mais molhado e seco ainda mais seco. Isso significa que a água doce está deixando as regiões mais secas do planeta e focando em regiões úmidas.

Isso representa que as áreas relativamente secas, ficarão secas com mais frequência, assim como as regiões úmidas podem ter mais tempestades e inundações extremas.

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês) da Organização das Nações Unidas (ONU) apresentou que as mudanças do ciclo da água já estão acontecendo. Um exemplo pode ser as inundações sem precedentes na Alemanha e o aumento das chuvas em Mumbai, na Índia.

No entanto, essas mudanças são apenas o começo. Nas próximas décadas, a intensificação do ciclo da água pode tornar mais difícil para as pessoas conseguirem água potável em muitas regiões do planeta.

O problema é que mesmo que o ciclo da água esteja se intensificando, não se sabe com qual rapidez isso está acontecendo.

A utilização do oceano como um pluviômetro
O principal motivo para ser difícil medir as mudanças no ciclo da água é que não existem medidas suficientes de chuvas e evaporação da Terra. Resumidamente, é muito difícil instalar pluviômetros permanentes ou tanques de evaporação em 70% das superfícies de água do nosso planeta. Além disso, ao analisar as mudanças, é preciso de medições de décadas atrás.

Por isso, os cientistas decidiram usar o oceano, visto que eles podem ser mais ou menos salgados dependendo da região. Um exemplo é que o Atlântico é mais salgado que o Pacífico, isso porque quando a chuva cai no oceano, dilui a água e ajuda a torná-la menos salgada. No entanto, quando a água evapora da superfície, o sal fica no oceano, aumentando a salinidade.

Isso significa que as mudanças mais bem registradas na salinidade do oceano podem ser usadas como um pluviômetro para detectar modificações no ciclo da água. Estudos anteriores usaram esse método para rastrear as mudanças na salinidade na superfície do oceano. Essa nova pesquisa apontou que o ciclo da água está se intensificando cada vez mais.

Porém, o oceano não fica parado como um pluviômetro convencional, já que as correntes e ondas mantêm as águas dos oceanos em constante movimento. Por causa disso, fica uma incerteza sobre a ligação entre a salinidade e a mudança do ciclo da água.

Após isso, foram desenvolvidos novos métodos, que permitem vincular com precisão as mudanças na salinidade do oceano, isso por meio das modificações no ciclo da água, em que a água doce é levada das regiões mais quentes para as mais frias.

As estimativas apontam que o ciclo mais amplo da água está mudando na atmosfera, sobre a terra e por meio dos oceanos. O estudo apontou que de 46.000 a 77.000 quilômetros cúbicos de água mudaram dos trópicos para as áreas mais frias desde 1970.

Isso simboliza uma intensificação do ciclo da água de até 7%. Isso representa a mesma porcentagem de mais chuva em áreas mais úmidas e de menos chuva, ou mais evaporação, em locais mais secos. Isso é bem superior às estimativas que estavam entre 2 e 4%.

Como seria o futuro com a mudança do ciclo da água ?
A mudança no ciclo da água significa secas extremas e chuvas mais fortes e mais frequentes. Mesmo que os governos mundiais mantenham o aquecimento global em um teto de 2℃, prevê-se que a Terra terá eventos extremos em média 14% mais fortes em comparação aos anos de 1850-1900.

O relatório do IPCC aponta que algumas pessoas e ecossistemas serão mais atingidos do que outros. Por causa disso, foi notado que as nações mediterrâneas, o sudoeste e sudeste da Austrália e a América Central ficarão mais secas, já as regiões de monções e os pólos ficarão mais úmidos ou mais nevados.

Em áreas mais secas atingidas pela mudança no ciclo da água, pode-se esperar ameaças reais de viabilidade das cidades.

Década de pesquisa científica aponta a relação entre as emissões de gases de efeito estufa e o aumento das temperaturas globais, o que provoca a mudança no ciclo. Essa é a principal razão que os cientistas apontam para a diminuição desses gases e diminuir os danos das mudanças climáticas.

*Por Nathália Matos
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*Fonte: fatosdesconhecidos / Science Alert

Nova teoria sugere que Planeta Terra é um ser inteligente

No artigo os pesquisadores discutem o que chamam de “inteligência planetária”.

Um planeta pode ser inteligente? Essa parece ser a questão central de uma nova teoria proposta por astrobiólogos, de que os planetas também são entidades inteligentes. Este experimento mental se baseia na noção de que a atividade coletiva da vida, na forma de micróbios ou plantas, mudou planetas como a Terra e permite que eles tenham vida própria.

No artigo publicado no International Journal of Astrobiology, os pesquisadores discutem o que chamam de “inteligência planetária” – a ideia de atividade cognitiva operando em escala planetária – para levantar novas ideias sobre as maneiras pelas quais os humanos podem lidar com questões globais, como as mudanças climáticas, por exemplo.

Se a atividade coletiva da vida – conhecida como biosfera – pode mudar o mundo, a atividade coletiva da cognição e a ação baseada nessa cognição também podem mudar um planeta? Uma vez que a biosfera evoluiu, a Terra ganhou vida própria. Se um planeta com vida tem vida própria, ele também pode ter mente própria?

Inteligência planetária
Conhecemos a inteligência como um conceito que descreve indivíduos, grupos coletivos, até mesmo os comportamentos curiosos de vírus ou fungos. As redes subterrâneas de fungos, por exemplo, formam um sistema de vida que reconhece as mudanças nas condições climáticas e responde ativamente a elas. Essas coisas alteram profundamente a condição de todo o planeta.

“O que importa é quando a inteligência coletiva é colocada para trabalhar em direção ao propósito coletivo mais essencial da vida: a sobrevivência. Tal como a concebemos, a inteligência planetária é medida pela capacidade da vida em um planeta de se sustentar em perpetuidade”, observaram os pesquisadores.

“Ainda não temos a capacidade de responder comunitariamente pelos melhores interesses do planeta”, disse Adam Frank, professor de física da Universidade de Rochester e coautor do artigo, em um comunicado à imprensa.

A noção de um planeta ganhando vida própria foi observada pela primeira vez através da percepção da “biosfera” na ciência. “A biosfera nos diz que uma vez que a vida aparece em um mundo, esse mundo pode ganhar vida própria”, escreveram os pesquisadores.

Tecnosfera imatura
Curiosamente, a teoria observa que a Terra pode estar cheia de vida inteligente – mas “não parece muito inteligente”. “Ainda não temos a capacidade de responder comunitariamente pelos melhores interesses do planeta”, diz o astrofísico Adam Frank, da Universidade de Rochester. “Há inteligência na Terra, mas não há inteligência planetária.”

A Terra parece estar presa em um estágio chamado de “tecnosfera imatura”. Este é um cenário em que a atividade tecnológica está plenamente desenvolvida e enraizada – mas ainda não está integrada harmoniosamente com outros sistemas, como o ambiente físico. É importante integrar essas duas esferas, pois somente quando os processos biológicos e tecnológicos estiverem em sincronia podemos garantir a produtividade e o futuro do ser humano neste planeta.

“A biosfera descobriu como hospedar a vida por si mesma bilhões de anos atrás, criando sistemas para movimentar nitrogênio e transportar carbono”, diz Frank. “Agora temos que descobrir como ter o mesmo tipo de características de auto-manutenção com a tecnosfera.”

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*Fonte: ciclovivo

Asteroide com maior risco de impacto poderá atingir a Terra em 2023

O Observatório Astronômico Mount Lemmon, no Arizona, EUA, detectou um asteroide com alto risco de impacto com a Terra. Ele se aproximará da Terra em meados de 2023.

Asteroide com maior risco de impacto poderá atingir a Terra em 2023
O asteroide 2022 AE1, encontrado em 6 de janeiro em uma pesquisa do Observatório Astronômico Mount Lemmon, no Arizona, nos Estados Unidos, segundo os cientistas, tem o maior risco de colisão com a Terra entre todos os objetos próximos da Terra conhecidos.

Os dados sobre o objeto são fornecidos no site do Centro para o Estudo de Objetos Próximos à Terra (CNEOS) do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA.

O tamanho do asteroide 2022 AE1 é comparável ao tamanho do hipotético “meteorito de Tunguska” – cerca de 70 metros, o que equivale à altura de um prédio de 23 andares.

A velocidade de movimento deste corpo cósmico é de 19,83 km/s. A magnitude visual do brilho – 22V, o que o deixa no limite da possibilidade de observação por grandes telescópios. Na última semana devido à lua cheia, o objeto não é visível.

Atualmente, o objeto recebeu um ponto na escala de dez pontos de Turim de perigo que emana de um objeto celestial. Um ponto é o limite da norma. Você deve começar a se preocupar quando a pontuação for de 4 pontos ou mais.

A magnitude do perigo na escala de Turim é determinada com base na probabilidade matemática de uma colisão e na energia cinética de uma colisão – de zero no caso em que a probabilidade de uma colisão está abaixo do erro de observação, a dez quando uma colisão é inevitável.

Uma potencial colisão com a Terra é possível em 4 de julho de 2023. Os cientistas estimam a probabilidade de uma colisão em 1 em 1700.

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*Fonte: ovnihoje

Camada de ozônio está se recuperando e restaurando circulação de ventos

Em meio à enxurrada de más notícias dos últimos dias, eis que temos boas novas para compartilhar! Um levantamento apontou que a camada de ozônio está se recuperando e regenerando a circulação de ventos por todo o planeta, em especial no Hemisfério Sul, e a restauração parece estar associada às medidas acordadas e postas em ação a partir da assinatura do Protocolo de Montreal, em 1987.

Regeneração
O Protocolo de Montreal estabeleceu as diretrizes para frear a fabricação e uso de agentes associados com a destruição da camada de ozônio que envolve o planeta, entre eles os clorofluorocarbonetos – substâncias conhecidas popularmente como CFCs. Já no início dos anos 2000, se registrou uma queda significativa nas concentrações desses materiais na atmosfera, assim como o início da recuperação da camada de ozônio em escala global e da redução do colossal “buraco” que existia nela sobre a Antártida.

Agora, o levantamento apresentado apontou que, na mesma época, o impacto na circulação dos ventos registrado em decorrência das alterações na atmosfera provocadas pelo uso de substâncias envolvidas na rarefação da camada de ozônio começou a se normalizar. Mais precisamente, se notou uma pausa na migração de correntes de ar em direção aos polos terrestres e inclusive uma reversão em algumas das anomalias nos padrões de ventos que vinham sedo registradas até então.

Só para você entender melhor a importância desse resultado, você já deve ter ouvido falar de correntes de ar conhecidas como “correntes de jato”, certo? Elas circulam a grandes altitudes e velocidade entre a troposfera e a estratosfera e fluem em direção aos polos. Pois, por conta da rarefação da camada de ozônio, essas correntes haviam começado a circular mais ao sul do que o normal no nosso hemisfério, afetando, com isso, os padrões de chuva – e possivelmente até os de correntes oceânicas, interferindo, por sua vez, no clima.

O que o levantamento mostrou foi que, pouco mais de 1 década depois de o Protocolo de Montreal entrar em vigor, o deslocamento das correntes de jato parou – e inclusive sofreu reversão em alguns pontos –, mostrando que o esforço conjunto e o compromisso global de parar com a fabricação e emissão de substâncias prejudiciais para a camada de ozônio rendeu excelentes frutos.

Mas, apesar de o resultado do estudo merecer ser celebrado, é importante mencionar que as emissões de gases de efeito estufa continuam sendo um sério problema. Ademais, nos últimos anos, foi detectado um aumento na emissão de outros materiais associados com a rarefação da camada de ozônio, especialmente na China, algo que pode afetar a reversão das correntes aos padrões normais e, na pior das hipóteses, voltar a empurrá-las em direção aos polos.

*Por Maria Tamanini
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*Fonte: tecmundo

A rotação da Terra está diminuindo – e pode ser a razão pela qual temos oxigênio para a vida

Desde sua formação, há cerca de 4,5 bilhões de anos, a rotação da Terra tem diminuído gradualmente e, como resultado, seus dias têm se tornado progressivamente mais longos.

Embora a desaceleração da Terra não seja perceptível nas escalas de tempo humanas, é o suficiente para operar mudanças significativas ao longo de eras. Uma dessas mudanças, sugere uma nova pesquisa, é talvez a mais significativa de todas, pelo menos para nós: o prolongamento dos dias agora está relacionado à oxigenação da atmosfera terrestre.

Especificamente, as algas azuis (ou cianobactérias) que surgiram e proliferaram há cerca de 2,4 bilhões de anos seriam capazes de produzir mais oxigênio como um subproduto metabólico porque os dias da Terra ficaram mais longos.

“Uma questão persistente nas ciências da Terra é como a atmosfera da Terra obtém seu oxigênio e quais fatores são controlados quando essa oxigenação ocorre”, disse o microbiologista Gregory Dick, da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos.

“Nossa pesquisa sugere que a taxa na qual a Terra está girando – em outras palavras, a duração do dia – pode ter tido um efeito importante no padrão e no tempo de oxigenação da Terra”.

Existem dois componentes principais nessa história que, à primeira vista, não parecem ter muito a ver um com o outro. O primeiro é que a rotação da Terra está diminuindo.

A razão pela qual a rotação da Terra está diminuindo é porque a Lua exerce uma atração gravitacional no planeta, que causa uma desaceleração rotacional, uma vez que a Lua está gradualmente se afastando.

Sabemos, com base no registro fóssil, que os dias duravam apenas 18 horas, há 1,4 bilhão de anos, e eram meia hora mais curtos do que hoje 70 milhões de anos atrás. As evidências sugerem que estamos ganhando 1,8 milissegundos por século.

O segundo componente é algo conhecido como o Grande Evento de Oxigenação – quando as cianobactérias emergiram em tão grandes quantidades que a atmosfera da Terra experimentou um aumento acentuado e significativo de oxigênio. Sem essa oxigenação, os cientistas pensam que a vida como a conhecemos não poderia ter surgido; então, embora as cianobactérias não sejam tão populares para nós hoje, o fato é que provavelmente não estaríamos aqui sem elas.

Ainda há muita coisa que não sabemos sobre este evento, incluindo questões latentes como por que aconteceu na época que aconteceu e não algum tempo antes na história da Terra.

Foram necessários cientistas trabalhando com micróbios cianobacterianos para conectar os pontos. Na dolina da Middle Island, no Lago Huron, América do Norte, podem ser encontrados tapetes microbianos que são considerados análogos das cianobactérias responsáveis ​​pelo Grande Evento de Oxigenação.

As cianobactérias roxas que produzem oxigênio por meio da fotossíntese e os micróbios brancos que metabolizam o enxofre competem em um tapete microbiano no leito do lago. À noite, os micróbios brancos sobem até o topo do tapete microbiano e comem enxofre. Quando o dia amanhece e o Sol se estende alto o suficiente no céu, os micróbios brancos se retraem e as cianobactérias roxas sobem ao topo.

“Agora elas podem começar a fotossintetizar e produzir oxigênio”, disse a geomicrobiologista Judith Klatt, do Instituto Max Planck de Microbiologia Marinha, na Alemanha.

“No entanto, leva algumas horas antes de realmente começarem, havendo uma longa defasagem pela manhã. As cianobactérias acordam mais tarde do que os micróbios com hábitos matutinos, ao que parece”.

Isso significa que a período diurno em que as cianobactérias podem bombear oxigênio é muito limitado – e foi esse fato que chamou a atenção do oceanógrafo Brian Arbic, da Universidade de Michigan. Ele se perguntou se a mudança na duração dos dias ao longo da história da Terra teve um impacto na fotossíntese.

“É possível que um tipo semelhante de competição entre micróbios contribuiu para o atraso na produção de oxigênio na Terra primitiva”, explicou Klatt.

Para demonstrar essa hipótese, a equipe realizou experimentos e análises nos micróbios, tanto em seu ambiente natural quanto em um ambiente de laboratório. Eles também realizaram estudos de modelagem detalhados com base em seus resultados para vincular a luz solar à produção de oxigênio microbiano e a produção de oxigênio microbiano à história da Terra.

“A intuição sugere que dois dias de 12 horas devem ser semelhantes a um dia de 24 horas. A luz do sol sobe e desce duas vezes mais rápido, e a produção de oxigênio segue em compasso”, explicou o cientista marinho Arjun Chennu, do Centro Leibniz de Pesquisa Marinha Tropical na Alemanha.

“Mas a liberação de oxigênio dos tapetes bacterianos não, porque é limitada pela velocidade de difusão molecular. Este desacoplamento sutil da liberação de oxigênio da luz solar está no cerne do mecanismo”.

Esses resultados foram incorporados a modelos globais de níveis de oxigênio, e a equipe descobriu que o aumento dos dias estava relacionado ao aumento no oxigênio da Terra – não apenas o Grande Evento de Oxigenação, mas outra segunda oxigenação atmosférica chamada de Evento Neoproterozoico de Oxigenação em torno de 550 a 800 milhões anos atrás.

“Nós vinculamos as leis da física operando em escalas muito diferentes, da difusão molecular à mecânica planetária. Mostramos que existe uma conexão fundamental entre a duração do dia e a quantidade de oxigênio que pode ser liberado por micróbios que vivem no solo”, disse Chennu.

“É muito emocionante. Desta forma, ligamos a dança das moléculas no tapete microbiano à dança do nosso planeta e sua Lua”.

A pesquisa foi publicada na Nature Geoscience.
*Por: Michelle Starr
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*Fonte: universoracionalista

É fundamental pensar sobre o futuro…

Você já percebeu que sempre estamos pensando no futuro, fazendo projetos para ele, e mesmo tentando prevê-lo? Pois é… Essa é uma característica natural do ser humano, ou seja, a necessidade de procurar antecipar os tempos vindouros sempre está presente em nós. Assim, sempre proliferaram magos, adivinhos, horóscopos, etc. Tal comportamento faz parte de nossa natureza de seres pensantes, mas, segundo um provérbio árabe “aquele que prevê o futuro mente mesmo quando fala a verdade.”

Então sabemos que é impossível prever o futuro. Mas podemos prospectá-lo, com ferramental adequado, e então determinar com razoável precisão o que está para vir de encontro a nós. E mais: desvelando prováveis futuros, será possível preparar e moldar o futuro que nos toca mais proximamente… E isso é tremendamente importante! Mas o que seria prospectar? Segundo a OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – o ato de prospectar, ou prospectiva, é realizar “tentativas sistemáticas para observar a longo prazo o futuro da ciência, da tecnologia, da economia e da sociedade com o propósito de identificar tecnologias emergentes que provavelmente produzam maiores benefícios econômicos e sociais”. Repare no verbo observar, para procurar identificar futuras tendências que possam resultar em progresso e “maiores benefícios econômicos e sociais”… Ou seja, segundo Maurice Blondel (1861 – 1949), polêmico filósofo francês que, dentre várias teorias por ele desenvolvidas, procurou estudar as relações entre a ação e o pensamento humanos e sua orientação histórica e social: “O futuro não é previsto. Ele é preparado”. Que afirmativa importante e verdadeira!

Pois é… Para tal, a prospectiva utiliza um ferramental bastante amplo, envolvendo várias áreas do conhecimento humano e observações detalhadas na área que se quer prospectar. Na realidade, ela não se preocupa com o futuro em si, mas sim com as tendências que possam ser aproveitadas com proveito para moldar o futuro, como Blondel citou. Um exemplo, mesmo que simples e carinhoso: é comum perguntar a uma criança: “O que você vai ser quando crescer”? Pergunta impossível de responder, mesmo para nós adultos, em relação ao que nos resta de tempo nesse mundo… No entanto, se observarmos bem a resposta e continuamente monitorarmos o comportamento da criança, poderemos descobrir nela tendências para uma moldagem de futuro, como dotes artísticos, habilidades marcantes, etc. E aí, quem sabe, ajudá-la em sua evolução, através da educação e formação acadêmica adequadas.

Outro exemplo, também muito comum: eu estava acompanhando minha esposa em algumas compras de roupas em uma loja de fábrica. Nós, maridos, sabemos como isto pode ser complicado e demorado, não é? Mas então, conversando com uma vendedora, perguntei como atualizam o estoque, e ela me respondeu que através do estudo detalhado de revistas femininas, viagens a grandes centros, observação de concorrentes, conversas com clientes, etc. Ou seja, prospectiva da próxima moda, na descoberta das novas tendências, para que os negócios da loja não sejam ultrapassados pela concorrência, ou mesmo para se sobrepujar a ela…

Ou seja, procurar enxergar as tendências nos permitirá planejar o que fazer para moldar nosso futuro, reduzindo incertezas e melhorando nosso conhecimento sobre algo que possa nos interessar em nossa carreira, no futuro de nossos filhos, no sucesso de nosso negócio. Prospectar é não esperar que a mudança aconteça para tomar providências, que podem ser tardias, mas sim atuar proativamente, até mesmo provocando a mudança desejada.

*Por Ademilson Ramos
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*Fonte: engenhariae

Mapa permite ouvir os sons das florestas ao redor do mundo

Um dos mapas interativos mais interessantes que a gente já encontrou na internet é aquele que permite escutar as línguas e sotaques do mundo (aqui) e agora há a opção para quem deseja relaxar ou se surpreender ouvindo outra língua: a dos animais na floresta.

Clicando aqui você pode conferir de cantos de pássaros à respiração lenta de uma preguiça, de vários países.
O mapa é iniciativa de uma organização artística do Reino Unido, a Wild Rumpus que convidou usuários de todo o mundo a enviarem os sons de florestas próximas para que outras pessoas no mundo todo pudessem ter acesso a eles.

Ao Lonely Planet, a codiretora da organização, Sarah Bird disse que o mapa também serve como um arquivo de ecossistemas que estão sendo rapidamente transformados pela mudança climática. “Está bem documentado que o tempo passado na natureza pode ajudar a diminuir a frequência cardíaca e melhorar o bem-estar. Se não podemos ficar na floresta, isso parece a segunda melhor coisa”, comentou.

Sons do Brasil
Até a publicação deste post, as colaborações enviadas do Brasil eram somente treze. Se anima a participar?

Como não é preciso ter nenhum equipamento especial para captar os sons, talvez você consiga também ouvir a respiração ou algum som humano nas colaborações.
Se você está perto de algum lugar de natureza e deseja colaborar acesse o mapa no https://timberfestival.org.uk/soundsoftheforest-soundmap/ e clique em “Contribute”. Uma nova janela será aberta com as instruções que estão em inglês. Se você não fala/lê inglês e ainda assim quer contribuir, clique com o botão direito do mouse na página e clique em “traduzir para o português”. A partir daí fica mais fácil.

Ah, segundo o site as colaborações são inseridas por eles manualmente no mapa, portanto seja paciente para ver/ouvir sua contribuição nele.

Sobre a Wild Rumpus
A Wild Rumpus, colabora com a National Forest do Reino Unido na realização do Timber Festival, que ocorre anualmente em julho (em 2020 ocorreu online por causa da pandemia; em 2021 foi realizado com protocolos sanitários e para 2022 os ingressos para o festival já estão à venda).

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*Fonte: mochileiros.com

Cientistas revelam locais que precisamos preservar para evitar caos climático

Pequena proporção da Terra hospeda toneladas de carbono em vegetação e solos irrecuperáveis até 2050

Um novo mapeamento detalhado identificou as florestas e turfeiras ricas em carbono que a humanidade não pode destruir se quiser uma catástrofe climática. A pesquisa foi publicada na revista Nature Sustainability e traz informações fundamentais.

Os cientistas identificaram 139 bilhões de toneladas (139 Gt) de carbono em árvores, plantas e solos como “irrecuperáveis”, o que significa que a regeneração natural não poderia substituir sua perda até 2050, data em que as emissões globais líquidas de carbono devem terminar para evitar os piores impactos de aquecimento global.

Entre as áreas que precisam ser preservadas estão as vastas florestas e turfeiras da Rússia, Canadá e Estados Unidos e as florestas tropicais na Amazônia, no Congo e no sudeste da Ásia. Pântanos de turfa no Reino Unido e manguezais e florestas de eucalipto na Austrália também estão na lista.

Só na última década, a agricultura, a extração de madeira e os incêndios florestais causaram a liberação de pelo menos 4 Gt de carbono irrecuperável, disseram os pesquisadores.

Além de combater o uso de combustíveis, acabar com o desmatamento é crucial para enfrentar a crise climática. Ao mesmo tempo em que o compromisso assumido na COP26 por grandes nações Brasil, China e Estados Unidos, em fazer isso até 2030 traz esperança, existe o receio em saber que uma promessa semelhante foi feita em 2014 e nunca foi cumprida.

“A PROTEÇÃO DO CARBONO IRRECUPERÁVEL, JUNTAMENTE COM A DESCARBONIZAÇÃO GENERALIZADA DAS ECONOMIAS MUNDIAIS, TORNARÁ MAIS PROVÁVEL UM CLIMA SEGURO, AO MESMO TEMPO QUE CONSERVA ÁREAS IMPORTANTES PARA A BIODIVERSIDADE.”

O carbono irrecuperável da Terra é altamente concentrado, mostraram os pesquisadores. Metade dela é encontrada em apenas 3,3% das terras do mundo, tornando os projetos de conservação focados altamente eficazes.

Segundo a pesquisa, apenas metade do carbono irrecuperável está atualmente em áreas protegidas, mas incluir 5,4% das terras do mundo nestas áreas de proteção a garantiria 75% do carbono irrecuperável.


Indígenas: os melhores guardiões

Os povos indígenas foram reconhecidos pela ONU como os melhores protetores da terra, mas apenas um terço do carbono irrecuperável é armazenado em seus territórios reconhecidos. Os estoques irrecuperáveis ​​de carbono se sobrepõem fortemente às áreas de rica vida selvagem, portanto, sua proteção significa a preservação em massa da vida selvagem.

“Essas são as áreas que realmente não podem ser recuperadas em nossa geração – é o carbono de nossa geração que deve ser protegido. Mas com o carbono irrecuperável concentrado em uma área relativamente pequena de terra, o mundo poderia proteger a maioria desses lugares essenciais para o clima até 2030”, explica a principal autora do estudo, Monica Noon, da Conservation International.

“DEVEMOS PROTEGER ESSE CARBONO IRRECUPERÁVEL PARA EVITAR UMA CATÁSTROFE CLIMÁTICA – DEVEMOS MANTÊ-LO ENTERRADO.”

A pesquisa descobriu que 57% do carbono irrecuperável estava em árvores e plantas e 43% em solos, principalmente turfa. As turfeiras globais armazenam mais carbono do que as florestas tropicais e subtropicais, concluiu.

Segundo os cientistas, a proteção do carbono irrecuperável deve envolver o fortalecimento dos direitos dos povos indígenas, encerrando as políticas que permitem a destruição e ampliação das áreas protegidas.

Carbono irrecuperável em áreas ameaçadas

A Rússia, fortemente atingida por incêndios florestais nos últimos anos, abriga o maior estoque de carbono irrecuperável com 23%. O Brasil está em segundo lugar e os índices de desmatamento do país vem batendo recordes sucessivos desde a eleição de Jair Bolsonaro. O Canadá e os EUA ocupam o terceiro e quinto lugares – juntos, os países que também vêm sendo palco de grandes incêndios florestais, acumulam 14% do carbono irrecuperável do mundo. As áreas úmidas do sul da Flórida são outro importante depósito de carbono irrecuperável.

A Austrália abriga 2,5% do carbono irrecuperável do mundo, em seus manguezais costeiros e ervas marinhas, bem como florestas no sudeste e sudoeste, que foram também foram atingidas por grandes incêndios em 2019 e 2020. No Reino Unido, as turfeiras cobrem 2 milhões de hectares e armazenam 230 milhões de toneladas de carbono irrecuperável há milênios, mas a maioria está em más condições.

As turfeiras e os manguezais são focos de carbono irrecuperável, devido à sua alta densidade de carbono e ao longo período que precisariam para se recuperar, que podem chegar a séculos.

As florestas tropicais são menos densas em carbono e crescem relativamente rápido, mas permanecem críticas por causa das áreas muito grandes que cobrem.

*Por Natasha Olsen
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*Fonte: ciclovivo

Mudanças climáticas: bebês de hoje enfrentarão 7 vezes mais ondas de calor no mundo que seus avós

Um bebê recém-nascido ainda nem teve tempo de contribuir – como todos nós fazemos, com nossos hábitos de consumo e alimentares e uso de combustíveis – para as emissões de gases poluentes que causam o aquecimento global.

Apesar disso, esse bebê vai sofrer exponencialmente mais do que seus avós com as mudanças climáticas em curso no planeta.

Na prática, crianças nascidas em 2020 devem enfrentar, ao longo de sua vida, uma média de sete vezes mais ondas de calor extremo do que alguém que nasceu em 1960. Em alguns países, esse aumento é de até dez vezes.

As conclusões são de um estudo recente publicado na revista Science, a partir de projeções sobre tamanho e idade da população global, temperaturas futuras e eventos climáticos extremos, com base nas informações do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC na sigla em inglês).

Se, além das ondas de calor, outros tipos de eventos climáticos extremos forem colocados nessa conta, estima-se que a nova geração passará por uma incidência média 2 a 7 vezes maior de queimadas, secas, enchentes, tempestades tropicais e quebras de safras (colheitas menos proveitosas) ao longo de suas vidas, em comparação com a geração nascida 60 anos atrás.

“Quanto mais jovem você for, maior será o aumento da exposição a extremos climáticos. Ou seja, as gerações mais jovens são as que têm mais a perder, especialmente os recém-nascidos”, explica à BBC News Brasil o principal autor do estudo, o cientista climático Wim Thiery, da Universidade Vrije de Bruxelas (Bélgica).

“Também podemos pensar ao contrário: quanto mais jovem você for, mais você pode se beneficiar se aumentarmos nossas ambições e reduzirmos o aquecimento global”, principalmente se for possível manter o aquecimento dentro do limite de até 1,5°C estabelecido no Acordo Climático de Paris em 2015, que tem se tornado uma meta cada vez mais remota, na visão de muitos observadores climáticos.

“Para as gerações mais jovens, aumentar as ambições tem um efeito direto sobre suas vidas”, conclui Thiery.

Do calor de quase 50°C no verão do Canadá a enchentes na Alemanha e secas mais prolongadas no Brasil, os eventos climáticos extremos são uma das principais consequências diretas das mudanças climáticas.

Segundo um importante relatório do IPCC divulgado em agosto, todo o planeta já enfrenta alterações no ciclo da água, que provocam desde chuvas mais volumosas – e enchentes -, até secas mais intensas.

“Sob um aquecimento global de 1,5°C, haverá aumento de ondas de calor, estações quentes mais longas e estações frias mais curtas”, explicou o painel da ONU em agosto.

Se esse aumento da temperatura global for ainda maior, sob 2°C, “extremos quentes vão, com mais frequência, alcançar limites de tolerância para a agricultura e a saúde”.

‘Vida sem precedentes’

Se, por terem mais tempo de vida pela frente, as crianças serão as mais afetadas, Thiery e seus colegas afirmam que o aquecimento global já deixa toda a população global sujeita a uma “vida sem precedentes”.

“Descobrimos que todas as pessoas que têm entre zero e 60 anos hoje viverão uma vida sem precedentes, sob mais ondas de calor e quebra de safra, independentemente de sua idade ou do alcance das mudanças climáticas”, diz o cientista.

“Os que têm menos de 40 anos, além disso, sofrerão com muito mais enchentes e secas, mesmo no cenário mais ambicioso de aquecimento de até 1,5°C. Os mais jovens são os que têm mais a perder, mas todos os que estão vivos hoje estão sob condições que chamamos de um ‘território ainda não navegado’.”

Para mostrar isso de modo mais concreto, a Universidade Vrije criou uma calculadora chamada My Climate Future (meu futuro climático).

Nela, uma pessoa pode prever o aumento dos eventos climáticos em sua vida a partir do ano em que nasceu, do lugar onde vive e com base em três cenários – o mais otimista, de um planeta 1,5°C mais quente; o mediano, em média 2,4°C mais quente, com base na trajetória atual e nas promessas e compromissos climáticos assumidos até agora; e um mais pessimista e altamente quente.

As regiões do mundo onde o sofrimento vai ser mais agudo e sentido por mais pessoas, segundo os cálculos de Thiery, são o Oriente Médio e o norte da África e a África Subsaariana.

Mas as estimativas para o resto do mundo estão longe de serem animadoras.

Na América Latina, uma criança nascida em 2020 vai enfrentar, em relação a alguém nascido em 1960:

– 50% mais chances de sofrer com incêndios

– Duas vezes e meia mais chances de viver sob quebras de safras

– O dobro de secas e enchentes

– 4,5 vezes mais ondas de calor

“E temos motivos científicos para crer que os números estão subestimados. Porque nós só analisamos mudanças na frequência em eventos extremos, mas eles também mudam em intensidade (como furacões mais intensos) e em duração (como ondas de calor mais longas e mais quentes)”, prossegue Wim Thiery.


Injustiças climáticas

Os efeitos disso são sentidos em cadeia: ondas de calor prejudicam a saúde, deixando crianças e idosos, em especial, mais sujeitos a hospitalizações. Quebras de safras afetam o preço e a oferta de comida. Enchentes, inundações e secas intensificam movimentos migratórios globais.

E, novamente, quanto mais jovens e mais pobres forem as pessoas afetadas, maior será o seu fardo.

“Embora não quantifiquemos isso em nosso estudo, não há dúvidas de que esse aumento na exposição a mudanças climáticas tem consequência, por exemplo, na habilidade de aprender, na saúde, na mortalidade e na produtividade laboral”, aponta Thiery.

“Por isso dizemos que limitar o aquecimento global é uma questão de proteger o futuro das jovens gerações.”

As conclusões do cientista e seus colegas ajudaram a embasar um relatório da ONG Save the Children a respeito do peso desigual e injusto das mudanças climáticas sobre quem contribuiu menos com a crise.

“Quando ranqueados por renda, os países 50% mais ricos são responsáveis por 86% do cumulativo das emissões globais de CO2, enquanto a metade mais pobre é responsável por apenas 14%”, diz a ONG.

“Apesar disso, são as crianças de países de renda média e baixa que vão enfrentar o maior peso das perdas e danos à saúde e ao capital humano, à terra, à herança cultural, ao conhecimento indígena e local e à biodiversidade que resultam das mudanças climáticas. (…) Elas herdaram um problema que não foi causado por elas.”

Thiery usa mais números para evidenciar esse peso desigual, primeiro sobre as crianças e, em segundo lugar, sobre as crianças pobres, em regiões que ainda estão em fase de crescimento populacional.

“Na Europa e na Ásia Central, nasceram 64 milhões de crianças entre 2015 e 2020. Essas crianças vão enfrentar quatro vezes mais extremos climáticos nas condições atuais do que alguém que vivesse num mundo sem mudanças climáticas”, diz.

“No entanto, nesse mesmo período de 2015 a 2020, nasceram 205 milhões de crianças na África Subsaariana, que vão enfrentar seis vezes mais extremos climáticos. Então elas não apenas sofrerão mais, como também são um grupo mais numeroso.”

Por isso, argumenta o cientista, mitigar os efeitos das mudanças climáticas é uma questão de “justiça intergeneracional e internacional”.

A conferência mais recente do clima (COP26), em Glasgow, foi concluída em 13 de novembro com avanços e limitações.

De um lado, o acordo final do evento fala em cortar as emissões de CO2 em 45% até 2030 em comparação com 2010 e exige que os países apresentem já no ano que vem novos compromissos de redução de gases do efeito estufa.

No entanto, não houve consenso em torno de pôr fim ao uso do carvão e a subsídios a combustíveis fósseis, um dos principais “vilões” do aquecimento global.

De modo geral, a percepção de ambientalistas é de que os compromissos assumidos até o momento pelos países parecem ser insuficientes para assegurar que a Terra não vai esquentar mais de 1,5°C.

Não por acaso, argumenta Thiery, os formuladores desses compromissos são pessoas mais velhas, que não terão tempo de sentir na pele a maior parte dos efeitos climáticos do futuro.

“Por isso os mais jovens viraram organizadores de protestos e greves pedindo políticas climáticas mais ambiciosas – porque as pessoas que hoje ocupam os espaços de poder não devem sentir as consequências de suas decisões, gerando um potencial conflito intergeracional”, afirma.

Ele lembra que já existe uma onda internacional de processos judiciais de cunho climático sendo abertos contra governos de várias partes do mundo – muitos desses processos movidos por jovens que se sentem feridos em seus direitos humanos por conta de políticas climáticas.

De modo geral, diz o cientista, tem mudado a percepção de que as mudanças climáticas são um problema de um futuro distante, que prejudicarão pessoas abstratas, ainda não nascidas.

“Os dados mostram que é (um problema que) está aqui, agora, afetando todas as pessoas do mundo: todas as gerações vivendo hoje, em todos os países, especialmente os mais jovens, sofrerão as consequências negativas”, ele agrega, para concluir:

“As perspectivas são sombrias, mas há também uma mensagem clara de que se reduzirmos as mudanças climáticas, vamos reduzir essa escalada de extremos climáticos e proteger o futuro de pessoas reais, que já estão vivas.”

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*Fonte: epocanegocios

As tempestades solares estão de volta, ameaçando a vida como a conhecemos na Terra

Poucos dias atrás, milhões de toneladas de gás superaquecido dispararam da superfície do Sol e foram lançados 145 milhões de quilômetros em direção à Terra.

A erupção, chamada de ejeção de massa coronal, não foi particularmente poderosa na escala do clima espacial, mas quando atingiu o campo magnético da Terra desencadeou a tempestade geomagnética mais forte vista em anos. Não houve muita perturbação desta vez – poucas pessoas provavelmente sabiam do que aconteceu – mas serviu como um lembrete de que o Sol acordou de um sono de anos.

Embora invisíveis e inofensivas para qualquer pessoa na superfície da Terra, as ondas geomagnéticas desencadeadas por tempestades solares podem paralisar as redes de energia, interferir nas comunicações de rádio, imbuir as tripulações das companhias aéreas em níveis perigosos de radiação e desequilibrar satélites essenciais. O Sol começou um novo ciclo de 11 anos no ano passado e atingirá seu pico em 2025, crescendo o espectro de um poderoso clima espacial que poderá causar estragos para os humanos, ameaçando o caos em um mundo que se tornou cada vez mais dependente da tecnologia desde as últimas grandes tempestades 17 anos atrás. Um estudo recente sugeriu que a adaptação para reforçar a rede de energia poderia levar a um investimento de US$ 27 bilhões (equivalente a R$ 136 bilhões) para a indústria de energia dos Estados Unidos.

“Ainda é notável para mim o número de pessoas, empresas, que pensam que o clima espacial é ficção de Hollywood”, disse Caitlin Durkovich, assistente especial do presidente dos EUA Joe Biden e diretor sênior de resiliência e resposta do Conselho de Segurança Nacional do país, durante uma palestra em uma conferência sobre o clima solar no mês passado.

O perigo não é hipotético. Em 2017, uma tempestade solar fez com que os rádios amadores ficassem estáticos no momento em que o furacão Irma de categoria 5 assolava o Caribe. Em 2015, tempestades solares derrubaram os sistemas de posicionamento global (GPS) no Nordeste dos Estados Unidos, uma preocupação especial quando os carros autônomos se tornaram uma realidade. Os pilotos de avião correm maior risco de desenvolver catarata quando ocorrem tempestades solares. Tripulações femininas têm taxas mais altas de abortos espontâneos.

Em março de 1989, uma tempestade solar em Quebec causou uma interrupção em toda a província que durou nove horas, de acordo com o site da Hydro-Quebec. Um estudo de 2017 no periódico da União de Geofísica dos Estados Unidos previu apagões causados ​​por severo clima espacial poderia atingir até 66% da população dos EUA, com perdas econômicas atingindo um potencial de US$ 41,5 bilhões (cerca de R$ 209,5 bilhões de reais) por dia.

Para evitar tal catástrofe, o governo do presidente Barack Obama traçou uma estratégia para começar a aumentar a conscientização sobre os perigos das enormes tempestades solares e avaliar os riscos que elas representam. No ano passado, o presidente Donald Trump sancionou o projeto de lei ProSwift, que visa desenvolver tecnologia para melhorar a previsão e medição de eventos climáticos espaciais.

Há um debate entre os cientistas sobre o quanto pode ser feito para proteger as partes vulneráveis ​​da infraestrutura do planeta dos efeitos das tempestades solares. Etapas como o uso de aço não magnético em transformadores e a instalação de mais protetores de sobretensão na rede podem aumentar a resistência, mas no final a melhor defesa contra a catástrofe pode ser uma previsão melhor.

Isso ajudaria muito a ajudar as empresas de serviços públicos a se prepararem para a escassez e a garantir que haja caminhos para fazer backup de seus sistemas no caso de perderem energia. Em semanas, um novo modelo desenvolvido pela Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, estará online para ajudar a melhorar as previsões terrestres.

No Reino Unido, a National Grid está aumentando seu fornecimento de transformadores sobressalentes e conduzindo testes regulares para lidar com um grande evento climático espacial, disse Mark Prouse, vice-diretor do Departamento de Negócios, Energia e Estratégia Industria.

Nos últimos 15 anos, os EUA e o Reino Unido construíram centros de previsão do clima espacial que oferecem perspectivas diárias sobre o que pode estar vindo do Sol para companhias aéreas, redes de energia, proprietários de satélites e qualquer outra pessoa ameaçada por erupções solares. Embora os observadores ligados à Terra possam ver tempestades explosivas no Sol, eles não podem dizer a verdadeira natureza da ameaça – exatamente o quão potente ela é – até que a erupção alcance um conjunto de satélites a 1,6 milhão de quilômetros do planeta. Nesse ponto, faltariam apenas 60 a 90 minutos para atingir a Terra.

“Nossa capacidade de entender e prever o ciclo solar ainda é muito limitada”, disse William Murtagh, diretor do Centro de Previsão do Clima Espacial dos Estados Unidos.

Assim como as empresas de serviços públicos podem se preparar para uma tempestade severa colocando trabalhadores especializados em reparos nas proximidades, precauções semelhantes podem ser tomadas antes de uma tempestade solar, de acordo com Mark Olson, gerente de avaliação de confiabilidade da North America Electric Reliability Corp., uma organização sem fins lucrativos que responde aos EUA e governos canadenses.

“Você tem potencial para que áreas muito grandes tenham instabilidade de voltagem”, disse Olson. “A consciência situacional é a chave aqui, assim como nos eventos climáticos terrestres”.

As tempestades solares têm suas raízes em um ciclo de 11 anos que muda a polaridade do campo magnético do sol. As forças magnéticas que atuam no Sol se emaranham durante o processo e podem penetrar na superfície, enviando o plasma do Sol para o espaço sideral e potencialmente desencadeando tempestades na Terra.

A tempestade geomagnética mais poderosa já registrada resultou no Evento Carrington de 1859, quando linhas telegráficas eletrificaram, eletrocutando operadores e incendiando escritórios na América do Norte e na Europa. Se uma tempestade dessa magnitude ocorresse hoje, provavelmente cortaria a energia de milhões, senão de bilhões de pessoas.

“Quando comecei nesta estrada e fui informado sobre o clima espacial, fiquei bastante cético”, disse Prouse. “Hoje é muito mais mainstream e parte da mistificação se foi. Agora você pode considerá-lo um risco e não ser ridicularizado”.


*Por Brian K. Sullivan

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*Fonte: universoracionalista

Colisão de 2 estrelas irá iluminar o céu da Terra como nunca antes aconteceu

Este não é um fenômeno tão raro: aproximadamente a cada dez anos, duas estrelas colidem em nossa galáxia. Mas quase nunca elas estão perto da Terra a ponto do fenômeno ser visível em nosso céu.

No entanto, em 2022 ou antes, a estrela binária KIC 9832227 deve colidir, dizem os astrônomos. Neste caso, o efeito será sim visível da Terra. Reunimos aqui todos os detalhes.

Colisão de 2 estrelas em 2022
O Dr. Matt Walhout, da Calvin College of Michigan, afirma que esta estrela binária irá queimar tão intensamente antes de 2022 que será visível da Terra. As estrelas binárias são, na verdade, duas estrelas orbitando muito próximas umas das outras, em um baricentro comum. Em muitas ocasiões, as estrelas acabam colidindo, como aconteceria neste caso.

Em 2008, um evento similar aconteceu com outra estrela binária, embora não tenha havido nenhum aviso. Os astrônomos, até agora, não têm como prever essas colisões. Esta pode ser a primeira vez que uma colisão deste tipo é anunciada com bastante antecedência.

Isso é possível porque os dados dessa estrela são semelhantes aos da estrela que colidiu em 2008. “As observações do KIC9832227 mostram que seu período orbital vem se acelerando desde 1999 da mesma maneira distintiva”, diz Larry Molnar, também do Calvin College of Michigan. “Chegamos à nossa data esperada, supondo que o mesmo processo esteja acontecendo aqui”, disse ele.

A colisão: 1795 anos atrás
Mas a estrela binária, diz Molnar, está a 1800 anos-luz de distância. Isso significa que sua luz leva 1800 anos para chegar até nós. Nesse caso, a colisão não seria tecnicamente em 2022, mas teria sido no ano 42 ou 43 da Era Comum, 1975 anos atrás. Nesse sentido, olhar para essa colisão será como ver as estrelas há quase 2000 anos.

Por outro lado, além de ser a primeira vez que os astrônomos prevêem uma dessas colisões, seria uma excelente oportunidade para observar como uma colisão dessas se desenvolve. Até agora, não há muita informação sobre como as estrelas binárias se fundem ou sobre os detalhes das colisões.

“Se a previsão de Larry estiver correta, seu projeto demonstrará pela primeira vez que os astrônomos podem capturar certas estrelas binárias no momento da morte, e que podem rastrear os últimos anos da espiral da morte de estrelas até o ponto final da dramática explosão”, disse Walhout em uma conferência.

Mas, além da importância científica dessa colisão, a fusão do sistema binário também proporcionará um espetáculo incrível. A colisão, sendo relativamente próxima, será visível no céu terrestre. E deve haver alguns fenômenos empolgantes neste mundo, como olhar para cima na escuridão da noite e observar os restos da colisão de duas estrelas massivas a 1800 anos-luz.

*Por Giulia Ebohon
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*Fonte: vix

Cientistas pedem ‘Grande Transição’ pela saúde global

Mais de 250 organizações internacionais assinaram declaração pedindo ações para um mundo pós-pandemia mais justo e regenerativo

A Planetary Health Alliance, consórcio global sediado na Harvard T.H. Chan School of Public Health, e a Universidade de São Paulo lançaram a Declaração de São Paulo sobre Saúde Planetária, que foi publicada na revista The Lancet nesta terça-feira, 5 de outubro de 2021.

Desenvolvida pela comunidade global de saúde planetária com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, a Declaração afirma que a humanidade deve fazer mudanças agora na forma como vivemos para otimizar a saúde e o bem-estar de todas as pessoas e do planeta do qual dependemos.

Ela também orienta os vários setores da sociedade com sugestões de ações concretas que proporcionam um mundo pós-pandemia mais justo e regenerativo.

Mais de 250 organizações de 47 países e que representam mais de 19 setores da sociedade assinaram o documento, incluindo o World Wildlife Fund-International, a American Public Health Association, a Academia Brasileira de Ciências , e o World Business Council on Sustainable Development .

“A urgência deste momento não se pode pôr em palavras”, afirma Sam Myers, diretor da Planetary Health Alliance, pesquisador de saúde ambiental na Harvard T.H. Chan School of Public Health, e autor da carta na revista The Lancet.

“A CIÊNCIA DA SAÚDE PLANETÁRIA DEMONSTRA CONVINCENTEMENTE QUE A DEGRADAÇÃO CONTÍNUA DOS SISTEMAS NATURAIS DO NOSSO PLANETA É UM PERIGO CLARO E PRESENTE PARA A SAÚDE DE TODAS AS PESSOAS EM TODOS OS LUGARES.”

Sam Myers, diretor da Planetary Health Alliance

Saúde planetária
A saúde planetária é um campo transdisciplinar orientado a soluções e um movimento social focado em analisar e tratar os impactos da disrupção humana dos sistemas naturais da Terra na saúde humana e em todas as formas de vida da Terra.

O campo foi lançado inicialmente com a publicação do relatório da Rockefeller-Lancet Commission denominado “Safeguarding Human Health in the Anthropocene“. Subsequentemente, a Fundação Rockefeller e a Wellcome Trust forneceram o apoio principal para a Planetary Health Alliance (PHA) avançar com o campo e sua comunidade.

A Declaração de São Paulo está sendo lançada às vésperas da Convenção das Nações Unidas sobre a Diversidade Biológica e das negociações sobre mudanças climáticas da COP26, além das reuniões do G20 e da Stockholm +50 em meio à pandemia de COVID-19.

“ESSA DECLARAÇÃO ENFATIZA O PRINCÍPIO CENTRAL DA SAÚDE PLANETÁRIA: QUALQUER DISCUSSÃO ACERCA DAS EMERGÊNCIAS PLANETÁRIAS ATUAIS DEVE SE DAR EM TORNO DE EQUIDADE, JUSTIÇA SOCIAL E SOBREVIVÊNCIA HUMANA.”

Antonio Saraiva, professor e pesquisador da USP e organizador da Reunião Anual 2021 de Saúde Planetária

A Declaração encoraja todas as pessoas a cumprirem seu papel e fornece instruções claras sobre como cada pessoa e grupo pode contribuir para a Grande Transição: uma mudança profunda, rápida e estrutural na forma como vivemos que otimiza a saúde e o bem-estar de todas as pessoas e do planeta.

Entre os 19 setores citados na Declaração, uma amostra daquilo que a comunidade de saúde planetária conclama inclui:

As empresas devem investir e implementar planos para negócios positivos para a Natureza e zero emissões.
Os governos devem colocar a saúde planetária no centro das políticas internacionais, nacionais e locais, dos planos de recuperação e orçamentos, especialmente nos planos pós-COVID-19 e em políticas econômicas e ambientais.
O setor de saúde deve reorientar todos os aspectos dos sistemas de saúde em direção à saúde planetária – desde suprimentos, fontes de energia, eficiência da assistência médica até redução de resíduos.
A imprensa deve contar histórias sobre aqueles que estão protegendo a Natureza e lutando por justiça e equidade, responsabilizar aqueles que estão causando prejuízos aos sistemas naturais do planeta e lutar contra a infodemia da desinformação.

“A SAÚDE PLANETÁRIA ABORDA MÚLTIPLAS SOLUÇÕES E MERECE SER EXPANDIDA COMO O MODELO CONCEITUAL NECESSÁRIO PARA LIDARMOS COM AS EMERGÊNCIAS PLANETÁRIAS QUE NORMALMENTE SÃO ENFRENTADAS DE FORMA ISOLADA.”

*Nicole De Paula, fundadora e diretora executiva da Women Leaders for Planetary Health e colaboradora da Declaração

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*Fonte: ciclovivo

Animação mostra como será a Terra se todo o gelo derreter

O aquecimento global continua sendo um problema muito discutido, mas pouco combatido.

Embora governos de diversos países tenham se comprometido a diminuir emissões de gás carbônico, as iniciativas práticas ainda estão aquém do esperado, e a questão ficou mais complicada após Donald Trump, que nega o fenômeno climático, ser eleito presidente dos EUA.

A National Geographic consultou especialistas para tentar prever o que aconteceria com o planeta caso todo o gelo da Terra derretesse.
Ainda que a possibilidade esteja muito distante – há cientistas que falam em 5000 anos, considerando os índices de emissão e aquecimento atuais -, há quem acredite que o processo possa se acelerar caso o problema siga em segundo plano.

Baseado no estudo da NG, o Business Insider produziu um vídeo com um mapa-múndi animado que mostra o que aconteceria com diversas grandes cidades e países do planeta caso todo o gelo da Terra derretesse, elevando o nível do mar em cerca de 65 metros.

Cada cidade ou país com o nome escrito no mapa ficaria total ou parcialmente submerso. Outros possíveis efeitos do aquecimento global são problemas na produção de alimentos, como seca e pragas, que poderiam acarretar em fome massiva, além de fortes ondas de calor e envenenamento dos oceanos.

O mais chocante é que este mapa não é uma espécie de projeção maluca de um futuro improvável, os cientistas previram um futuro em que não há mais gelo na Terra.

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*Fonte: realidadesimulada

Calor e seca: pesquisas mostram efeitos da mudança climática na agricultura

Os eventos de calor e seca podem coincidir com mais frequência devido à mudança climática, com consequências negativas para a agricultura mundial. É isso que revela um novo estudo publicado na Nature Food.

O rendimento das culturas geralmente cai durante as estações quentes de crescimento, mas o calor e a seca combinados podem ter efeitos ainda mais amplos.

Além das perdas causadas apenas pelas altas temperaturas, os efeitos combinados do calor e da seca causarão reduções adicionais de rendimento de milho e soja de até 20% em partes dos Estados Unidos, e de até 40% na Europa Oriental e no sudeste da África.

Em lugares onde os climas frios atualmente limitam o rendimento das culturas, como no norte dos Estados Unidos, Canadá e Ucrânia, os efeitos combinados de temperaturas mais altas e menos água podem diminuir os ganhos de rendimento projetados com o aquecimento.

Projeções anteriores de risco climático futuro haviam identificado um perigo para as culturas devido ao aquecimento global, mas ignoravam o potencial de efeitos compostos do calor e da disponibilidade de água sobre as culturas de alimentos.

Com base em dados históricos, os rendimentos de milho e soja eram cerca de 40% mais sensíveis ao calor em locais onde o calor é acompanhado por secas, em comparação com as terras agrícolas onde o clima mais quente não significa menos água. Isto pode ser devido ao fato destas culturas serem particularmente sedentas sob o poder secante do ar quente, e porque a terra seca não pode esfriar com a evaporação e fica especialmente quente sob os raios do sol. Os impactos compostos do calor e da seca foram menos importantes para outras culturas, como o trigo ou o arroz.

Segurança alimentar ameaçada

O estudo mostra que, sem cortes fortes e rápidos de emissões, os alimentos básicos poderiam ser cada vez mais afetados por extremos climáticos compostos. Isto aumenta os riscos de preços mais altos dos alimentos e reduz a segurança alimentar, mesmo em países desenvolvidos.

“Nosso estudo descobre um novo risco para a produção agrícola decorrente do aquecimento do clima que acreditamos ter sido negligenciado nas avaliações atuais. Como o planeta continua a aquecer, a água e o calor podem se inter-relacionar mais fortemente em muitas regiões, tornando as secas mais quentes e as ondas de calor mais secas”, afirma Corey Lesk, autor principal do estudo e pesquisador do Departamento de Ciências da Terra e Meio Ambiente (DEES) da Universidade de Columbia e do Lamont-Doherty Earth Observatory (LDEO).

“AS PLANTAS TERÃO CADA VEZ MAIS FALTA DE ÁGUA QUANDO MAIS PRECISAM DELA, E HISTORICAMENTE ISTO TEM SIDO ESPECIALMENTE PREJUDICIAL PARA AS CULTURAS.”

Para o pesquisador, o estudo deve servir de motivação para adaptar colheitas e técnicas de cultivo. “Por exemplo, precisamos de novas variedades de culturas para suportar o aumento da temperatura, mas isto não pode vir às custas de uma maior tolerância à seca. Os governos e as grandes empresas de sementes devem ser transparentes sobre seus planos de adaptação da agricultura ao aquecimento do clima”, completa Lesk.

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*Fonte: ciclovivo

Previsão de colapso da civilização parece estar em sincronia com a realidade

Enquanto o processo tecnológico e industrial parece promissor, o colapso da civilização está cada dia mais próximo, afinal, os últimos acontecimentos evidenciam isso. A grande surpresa é que, em 1972, cientistas do MIT publicaram um estudo prevendo o fim da ‘civilização industrial’ no século XXI. O que houve?

Atualmente, uma nova análise busca estabelecer cenários preditivos para ajudar os detentores de poder a tomar decisões, que determinarão o futuro da humanidade. Pesquisadores criticavam as previsões da equipe do MIT, mas agora, foram consideradas estranhamente precisas, afinal, ao que tudo indica, o fim está próximo.

Gaya Herrington, chefe de sustentabilidade e análise de sistemas dinâmicos da KPMG, conduziu um estudo publicado no Yale Journal of Industrial Ecology. Nele, mostra como a situação evoluiu desde os relatórios de 1972. Através dos resultados obtidos, contudo, Gaya afirma que poderíamos presenciar o colapso da civilização até 2040.

Todavia, a profissional garante que isso só acontecerá se continuarmos com nossa abordagem atual de extração e superexploração de recursos, mas não se vê otimista. Ela levou em consideração dez variáveis chaves: população, taxas de fertilidade e mortalidade, produção industrial, tecnologia, produção alimentar, serviços, recursos não renováveis, poluição persistente, bem-estar humano e pegada ecológica.

Dentre as análises sobre o assunto, Herrington apontou os dois cenários em que os dados recentes correspondem de melhor maneira: “BAU2” (business-as-usual) e “CT” (tecnologia abrangente).

O cenário BAU2 (business-as-usual), que envolve continuar a viver de acordo com os nossos modelos atuais. Ele mostra um declínio drástico da população e dos seus vários indicadores de qualidade de vida. Dentre eles, um aumento exponencial da poluição e da escassez de alimentos.

“Os cenários BAU2 e CT mostram que o crescimento vai parar dentro de dez anos”, explicou. “Ambos os cenários indicam, portanto, que a manutenção do status quo, ou seja, a busca pela continuidade do crescimento, não é possível. Mesmo combinado com desenvolvimento e adoção de tecnologia sem precedentes, o business-as-usual levaria inevitavelmente a um declínio no capital industrial, produção agrícola e níveis de bem-estar durante este século”.

No cenário da “tecnologia global” (TC), também se instala o declínio econômico, com toda uma série de possíveis consequências negativas, mas não leva ao colapso da sociedade.

“Dada a perspectiva desagradável do colapso da civilização, estava curiosa para ver quais cenários se alinhavam mais de perto com os dados empíricos atuais”, explicou. “Afinal, o livro que apresentou esse modelo do mundo foi um best-seller na década de 1970, e agora devemos ter décadas de dados empíricos que tornariam a comparação significativa. Mas, para minha surpresa, não encontrei nenhuma tentativa recente de fazer isso. Então decidi fazer sozinha”.

Infelizmente, o cenário que menos correspondeu aos dados empíricos mais recentes passa a ser o mais otimista, conhecido como o “SW” (Mundo Estabilizado), no qual a civilização segue um caminho sustentável e conhece ao máximo. Pequenas quedas no crescimento econômico, graças a uma combinação de inovações tecnológicas e amplos investimentos em saúde pública e educação.

Indícios de que é possível evitar a tragédia

Herrington disse à revista Motherboard, entretanto, que o colapso da civilização “não significa que a humanidade deixará de existir”. “Mas isso vai destruir nosso estilo de vida. O crescimento econômico e industrial parará e depois cairá, afetando negativamente a produção de alimentos e os padrões nos quais vivemos. Em termos de tempo, o cenário BAU2 mostra que uma queda acentuada se estabelecerá por volta de 2040”, acrescenta ela.

Para finalizar, afirmou que o rápido aumento das prioridades ambientais, sociais e governamentais, serve como uma injeção de esperança e otimismo, pois reflete a mudança de mentalidade das empresas e governos.

*Por Rafaela D’avila
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*Fonte: socientifica

Como nossos hábitos online podem ser nocivos para o planeta

É provável que você já tenha respondido alguns e-mails hoje, enviado mensagens pelo WhatsApp e feito uma pesquisa rápida no Google. À medida que o dia passa, você sem dúvida ficará ainda mais tempo conectado, baixando fotos, ouvindo música e vendo vídeos.

Cada uma dessas atividades que você realiza online vem acompanhada de um pequeno custo para o meio ambiente – alguns gramas de dióxido de carbono são emitidos devido à energia necessária para rodar seus dispositivos e alimentar as redes sem fio que você acessa.

Sem contar com os datacenters e os servidores, necessários para armazenar, processar e distribuir todo conteúdo que consumimos na internet, que talvez sejam os maiores consumidores de energia.

Embora a energia necessária para fazer uma simples busca na internet ou enviar um e-mail seja pequena, aproximadamente 4,1 bilhões de pessoas (53,6% da população global) estão conectadas hoje. Ou seja, esses pequenos fragmentos de energia, e os gases de efeito estufa associados a cada atividade online, são multiplicados.

A pegada de carbono dos nossos dispositivos, da internet e dos respectivos sistemas de suporte representa cerca de 3,7% das emissões globais de gases do efeito estufa, de acordo com algumas estimativas.

É similar à quantidade produzida pela indústria de aviação a nível mundial, explica Mike Hazas, pesquisador da Universidade de Lancaster, no Reino Unido. E a previsão é que essas emissões dobrem até 2025.

Se dividirmos a grosso modo as 1,7 bilhão de toneladas de emissões de gases de efeito estufa que se estima serem geradas na produção e operação de tecnologias digitais entre todos os usuários de internet no mundo, isso significa que cada um de nós é responsável pela emissão de 400g de dióxido de carbono por ano.

Mas essa conta não é tão simples – esse número pode variar dependendo de onde você está. Os usuários da internet em algumas partes do planeta terão uma pegada de carbono desproporcionalmente grande.

Um estudo estimou que, há 10 anos, os usuários médios de internet na Austrália eram responsáveis pela emissão equivalente a 81 kg de dióxido de carbono (CO2e) na atmosfera. As melhorias na eficiência energética, a economia de escala e o uso de energia renovável, sem dúvida, reduziram esse volume, mas é claro que as pessoas nos países desenvolvidos ainda são responsáveis pela maior parte da pegada de carbono da internet. (CO2e é uma unidade usada para expressar a pegada de carbono de todos os gases de efeito estufa juntos, como se todos fossem emitidos como dióxido de carbono)

A constatação de que as atividades que executamos online estão prejudicando o planeta levou algumas pessoas a agir.

“Tudo o que pudermos fazer para reduzir as emissões de carbono é importante, não importa quão pequeno seja, e isso inclui a maneira como nos comportamos na internet”, diz Philippa Gaut, professora de Surrey, no Reino Unido.

Ela faz parte de um grupo cada vez maior de consumidores preocupados com o meio ambiente, que estão tentando reduzir seu impacto no planeta gerado pela internet.

“Se todo mundo mudasse os hábitos, teria mais impacto”, acrescenta.

Uma das dificuldades em descobrir a pegada de carbono de nossos hábitos online é que não há um amplo consenso sobre o que deve ou não ser incluído. Devemos incluir, por exemplo, as emissões provenientes da fabricação dos hardwares de computação? E as emissões das equipes e dos edifícios de empresas de tecnologia?

Até os dados sobre o funcionamento dos datacenters são contestáveis – muitos operam com energia renovável, enquanto algumas empresas compram “créditos de carbono” para compensar seu uso de energia.

Nos EUA, os datacenters são responsáveis por 2% do uso de eletricidade no país, enquanto globalmente representam pouco menos de 200 terawatt-hora (TWh). Mas, de acordo com a União Internacional de Telecomunicações (UIT), da Organização das Nações Unidas (ONU), esse número se manteve estável nos últimos anos, apesar do aumento do tráfego na internet.

Isso se deve principalmente à melhoria da eficiência energética e ao movimento para centralizar os datacenters em instalações gigantes.

Mas enquanto muitas empresas afirmam alimentar seus datacenters usando energia renovável, em algumas partes do mundo eles ainda são amplamente dependentes da queima de combustíveis fósseis. E pode ser difícil para os consumidores escolherem que datacenters querem usar.

Vários dos principais provedores de nuvem, no entanto, se comprometeram a reduzir suas emissões de carbono – então armazenar fotos, documentos e executar serviços em seus servidores sempre que possível é uma abordagem que pode ser adotada.

Do ponto de vista individual, o simples fato de trocar de aparelho com menos frequência é uma maneira de reduzir a pegada de carbono da tecnologia digital. Os gases de efeito estufa emitidos na fabricação e transporte desses dispositivos podem representar uma parcela considerável das emissões ao longo da vida útil de um equipamento eletrônico.

Um estudo da Universidade de Edimburgo, na Escócia, mostrou que estender de quatro para seis anos o tempo que você usa um computador e monitor pode evitar o equivalente a 190 kg de emissões de carbono na atmosfera.

Mensagens ecológicas

Também podemos mudar a maneira como usamos os gadgets para reduzir nossas pegadas digitais de carbono. Uma das formas mais fáceis de começar é alterando o modo como enviamos mensagens.

Talvez não seja surpresa, mas a pegada de carbono de um e-mail também varia significativamente – dependendo se é um e-mail de spam (0,3g de CO2e), um e-mail comum (4g de CO2e) ou um e-mail com foto ou anexo pesado (50g de CO2e), de acordo com o pesquisador Mike Berners-Lee, da Universidade de Lancaster.

Todavia, esses dados foram formulados por Berners-Lee há 10 anos. E de acordo com Charlotte Freitag, especialista em pegada de carbono da Small World Consulting, empresa fundada por Berners-Lee, o impacto dos e-mails pode ter aumentado.

“Achamos que a pegada por mensagem pode ser maior hoje, uma vez que as pessoas estão usando telefones maiores”, diz ela.

Com base nos dados antigos, algumas pessoas estimaram que seus e-mails podem gerar 1,6 kg de CO2e em um único dia. O próprio Berners-Lee também calculou que um usuário corporativo padrão produz 135 kg de CO2e enviando e-mails a cada ano, o que equivale a dirigir 321km de carro.

Mas pode ser fácil reduzir esse impacto. Se simplesmente pararmos com sutilezas desnecessárias, como e-mails só para dizer “obrigada”, podemos economizar coletivamente muitas emissões de carbono.

Se cada adulto no Reino Unido enviasse um e-mail a menos de “obrigada”, isso poderia evitar a emissão de 16.433 toneladas de carbono por ano – o equivalente a tirar 3.334 carros a diesel das ruas, de acordo com a empresa de energia OVO.

“Embora a pegada de carbono de um e-mail não seja grande, é um ótimo exemplo do princípio mais amplo de que cortar o desperdício de nossas vidas é bom para o nosso bem-estar e para o meio ambiente”, acrescenta Berners-Lee.

Trocar os anexos do e-mail por links para documentos e não enviar mensagens para vários destinatários ao mesmo tempo é outra maneira fácil de reduzir nossa pegada de carbono digital, além de cancelar o recebimento de e-mails que não lemos mais.

“Cancelei o recebimento de newsletters geradas automaticamente. Quando fiquei sabendo da pegada de carbono dos e-mails, fiquei horrorizada”, diz Gaut.

“Agora, tomo cuidado para não cadastrar meu e-mail em novos sites… isso me fez mais consciente do impacto.”

De acordo com estimativas do serviço antispam Cleanfox, o usuário médio recebe 2.850 e-mails indesejados por ano, responsáveis pela emissão de 28,5 kg de CO2e.

Optar por enviar uma mensagem de texto (SMS) talvez seja a alternativa mais ecológica como forma de manter contato, uma vez que cada mensagem gera apenas 0,014g de CO2e.

Estima-se que um tuíte tenha uma pegada de 0,2g de CO2e (embora o Twitter não tenha respondido às solicitações para confirmar esse número), enquanto o envio de mensagem por meio de aplicativos como WhatsApp ou Facebook Messenger tenha uma intensidade de carbono apenas um pouco menor do que enviar um e-mail, de acordo com cálculos de Freitag.

Agora, mais uma vez, isso pode depender de o que você está enviando – gifs, emojis e imagens têm uma pegada maior do que um texto simples.

A pegada de carbono de fazer uma ligação de um minuto pelo celular é um pouco maior do que enviar uma mensagem de texto, segundo Freitag, mas o impacto de fazer chamadas de vídeo pela internet é infinitamente maior.

Um estudo de 2012 estimou que uma reunião por videoconferência de cinco horas com participantes de diferentes países produziria entre 4 kg e 215 kg de CO2e.

Mas é importante lembrar que se a videoconferência substitui deslocamentos (como viagens de carro ou avião) para chegar à reunião, pode ser muito melhor para o meio ambiente.

O mesmo estudo constatou que uma videoconferência produz apenas 7% das emissões de reuniões presenciais.

Pesquisa limpa

A pesquisa na internet é outra área complicada. Há uma década, cada busca tinha uma pegada de 0,2 g de CO2e, segundo dados divulgados pelo Google.

Hoje, o Google usa uma combinação de energia renovável e compensação de carbono para reduzir a pegada de suas operações, enquanto a Microsoft, dona do mecanismo de busca Bing, prometeu remover mais carbono da atmosfera do que emite até 2030.

Em paralelo, há iniciativas em andamento para investigar se essa pegada é agora mais alta ou mais baixa.

Perder menos tempo com mensagens muitas vezes desnecessárias de ‘obrigada’ também pode reduzir a pegada de carbono do seu e-mail
CRÉDITO,GETTY IMAGES / JAVIER HIRSCHFELD
Legenda da foto,
Perder menos tempo com mensagens muitas vezes desnecessárias de ‘obrigada’ também pode reduzir a pegada de carbono do seu e-mail.

De acordo com os dados do próprio Google, no entanto, um usuário médio dos seus serviços – alguém que realiza 25 buscas por dia, assiste a 60 minutos de YouTube, tem uma conta do Gmail e acessa outros serviços da empresa – produz menos de 8g de CO2e por dia.

Ferramentas de busca mais novas, no entanto, estão tentando se destacar como opções mais ecológicas desde o início. A Ecosia, por exemplo, diz que plantará uma árvore para cada 45 buscas realizadas.

Esse tipo de compensação pode ajudar a remover o carbono da atmosfera, mas o sucesso de iniciativas como essa geralmente depende de quanto tempo leva para as árvores crescerem e o que acontece quando são cortadas.

Independentemente do mecanismo de busca que você escolher, o uso da web para encontrar informações é mais sustentável do que pesquisar nos livros.

Na verdade, a pegada de carbono de um livro é de cerca de 1 kg de CO2e, enquanto a de um jornal publicado no fim de semana é de 0,3 kg a 4,1 kg de CO2e, o que torna a leitura das notícias na internet mais ecológica do que no papel.

Mas você pode ler livros pelo resto da vida – 2,3 mil para ser mais preciso – até alcançar a mesma pegada de carbono de um voo de Londres para Hong Kong. Portanto, não se sinta culpado ao comprar o próximo best-seller.

Aqueles que se sentiram tentados a investir em criptomoedas também podem querer pensar cuidadosamente a respeito do impacto ambiental dessas transações.

O algoritmo de “prova de trabalho”, usado para validar transações no blockchain (espécie de banco de dados descentralizado que usa criptografia para registrar as transações) requer uma capacidade de processamento enorme.

Um estudo recente estimou que o BitCoin sozinho é responsável por cerca de 22 milhões de toneladas de emissões de dióxido de carbono por ano – maior do que toda a pegada de carbono da Jordânia.

Vencendo o tédio

Assistir a vídeos online representa a maior parte do tráfego da internet no mundo (60%) e gera 300 milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano, o que equivale a aproximadamente 1% das emissões globais, de acordo com o centro de estudos francês The Shift Project.

Isto porque, além da eletricidade usada pelos dispositivos, há a energia consumida pelos servidores e redes que distribuem o conteúdo.

“Se você liga a televisão para assistir ao Netflix, aproximadamente metade da energia é usada para alimentar a TV, e a outra metade é usada para alimentar a Netflix”, diz Hazas.

Alguns especialistas insistem, no entanto, que a energia necessária para armazenar e transmitir vídeos é menor do que atividades de processamento mais intensas realizadas pelos datacenters.

Parte da poluição ambiental resultante do uso da internet também é proveniente de um tipo de navegação controversa. A pornografia é responsável por um terço do tráfego de streaming de vídeo, gerando tanto dióxido de carbono quanto a Bélgica em um ano.

As plataformas de streaming, como Amazon Prime e Netflix, representam mais um terço, enquanto o terço final da pegada de carbono do streaming de vídeo se refere a assistir a conteúdos no YouTube e nas redes sociais.

A Netflix afirma que seu consumo de energia global chega a 451.000 megawatts-hora por ano, o suficiente para abastecer 37 mil residências, mas insiste que compra certificados de energia renovável e crédito de carbono para compensar qualquer energia proveniente de fontes de combustíveis fósseis.

O streaming e o download de músicas também têm impacto no meio ambiente.

Rabih Bashroush, pesquisador da Universidade de East London (UEL) e cientista-chefe do projeto Eureca, financiado pela Comissão Europeia, calculou que o clipe da música Despacito (2017), que atingiu 5 bilhões de visualizações, consumiu tanta eletricidade quanto o Chade, Guiné-Bissau, Somália, Serra Leoa e República Centro-Africana juntos em um único ano.

“O total de emissões do streaming dessa música pode ser superior a 250 mil toneladas de dióxido de carbono”, diz ele.

No entanto, Hazas ressalta que algumas visualizações do YouTube são involuntárias. Um estudo liderado por sua colega Kelly Widdicks analisou os hábitos de streaming e descobriu que alguns espectadores usam o YouTube como barulho de fundo e, às vezes, até pegam no sono, gerando carbono a troco de nada.

Reduzir esse tipo de uso ou evitar que o vídeo seja reproduzido acidentalmente em um navegador aberto quando você não está assistindo, pode ajudar a reduzir sua pegada de carbono.

Alterar as configurações de reprodução automática e assistir ao vídeo com uma resolução mais baixa, quando a alta definição não é necessária, também pode fazer a diferença.

Mas, segundo Hazas, a maneira mais eficiente de ver seu programa favorito é esperar até que ele esteja disponível na televisão ou optar por fazer o streaming via Wi-Fi, em vez de usar uma rede móvel.

“Usar o telefone com rede móvel consome pelo menos duas vezes mais energia do que o Wi-Fi. Portanto, se você puder esperar até chegar em casa para assistir ao YouTube, melhor”, explica. E uma das maneiras mais agradáveis de ser ambientalmente correto é assistir a filmes e programas de televisão acompanhado.

“No geral, o áudio é menos problemático”, acrescenta Hazas, uma vez que o streaming de áudio consome menos energia e carbono do que o streaming de vídeos.

Mas pesquisadores da Universidade de Oslo, na Noruega, descobriram que o impacto ambiental de ouvir música nunca foi tão alto – com uma pegada de 200 mil a 350 mil toneladas de CO2e somente nos EUA, proveniente de músicas baixadas em MP3 players.

Acredita-se que as emissões associadas aos serviços de streaming de música possam ser ainda maiores.

No entanto, o número de vezes que você ouve uma música pode fazer a diferença. Comprar um disco ou CD físico pode ser mais indicado se você ouvir o mesmo álbum repetidamente. Mas, se você ouvir determinada música menos de 27 vezes ao longo da sua vida, o streaming pode ser melhor.

Da mesma forma, estima-se que o custo ambiental de baixar jogos de videogame seja maior do que a produção e distribuição de discos Blu-Ray. A primeira tentativa de mapear o uso de energia dos games nos EUA mostrou que os mesmos produzem 24 megatoneladas de dióxido de carbono por ano.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia, que conduziram o estudo, descobriram que os jogadores de games americanos utilizam 2,4% da eletricidade doméstica – 32 terawatts-hora de energia por ano – mais do que um freezer ou máquina de lavar.

Eles também constataram que o streaming de games consome mais energia; portanto, as emissões de carbono podem piorar à medida que mais gente joga games em que o trabalho computacional está sendo realizado remotamente, e não em consoles individuais, como em dispositivos como o Google Stadia.

Mas Hazas é mais otimista.

“A pegada de carbono de jogos multiplayer, como Fortnite, não é tão ruim”, diz ele.

“Eles são desenvolvidos para serem responsivos, para não exigir muito tráfego de dados. Por exemplo, você pode checar a posição de um personagem no mapa ou ver que alguém está atirando, mas não são necessários muitos dados para comunicar isso.”

No entanto, a atualização dos jogos consome mais carbono.

“Grandes games como Fortnite ou Call of Duty exigem muitas atualizações, então você se depara com gigabytes para downloads a cada duas semanas, que adicionam novos recursos ao jogo.”

Para quem gosta de explorar as redes sociais, a notícia é boa. É, sem dúvida, a forma de entretenimento digital menos intensiva em carbono.

De acordo com o relatório de sustentabilidade do Facebook, a pegada de carbono anual de um usuário é de 299g de CO2e – o que representa menos do que ferver água para um bule de chá. Mas se você considerar que a plataforma tem mais de um bilhão de usuários, são muitos bules de chá.

É possível reduzir as emissões de carbono desativando alguns recursos das redes sociais e de outros aplicativos.

“Descobrimos que as atualizações de aplicativos e os backups automáticos na nuvem representam cerca de 10% do tráfego de telefones celulares”, diz Hazas.

“Portanto, desabilitar backups desnecessários na nuvem e desabilitar downloads automáticos para atualizações de aplicativos são boas coisas a fazer”.

Mas, como a mudança dos nossos hábitos pessoais na internet só surte efeito até certo ponto, também é preciso haver mudanças na indústria para garantir que as emissões de carbono possam ser de fato reduzidas, diz Elizabeth Jardim, ativista do Greenpeace.

A previsão é de que as emissões de gases de efeito estufa do setor de TI sejam responsáveis por 14% das emissões globais até 2040. Mas, ao mesmo tempo, a União Internacional de Telecomunicações da ONU estabeleceu uma meta para o setor reduzir suas emissões em 45% na próxima década.

“É mais importante garantir que as empresas que desenvolvem a internet migrem para fontes renováveis de energia e eliminem gradualmente os combustíveis fósseis”, avalia Jardim. “Aí, sim, poderemos fazer buscas na internet sem culpa.”

*Por Sarah Griffiths
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*Fonte: bbc-brasil

Qual é a influência das fases da Lua na agricultura?

O Sol, a enorme “bola de fogo” que ilumina nosso Sistema Solar, é um dos grandes responsáveis pelo sucesso (ou falta dele) na agricultura. Entretanto, existe outro astro que também tem grande influência nesse processo: a Lua. Sendo um satélite natural, a Lua apenas reflete a luz solar, mas mesmo assim a proximidade dela com nosso planeta é causadora de diversos efeitos.

Além do fato de que ela é responsável por ditar o ritmo das marés, a crença popular diz que as fases lunares também são ótimos indicativos da fertilidade feminina ou até mesmo do período certo para cortar o cabelo. Então, o que é que nós realmente sabemos sobre o efeito da Lua no cultivo de safras? As teorias são as mais diversas.


Conhecimento geracional

Apesar de não existir nenhum artigo científico que comprove qualquer influência da Lua na agricultura, o hábito de reservar certas colheitas para uma das quatro fases do satélite em específico é algo que se passa de geração em geração dentro das famílias de produtores rurais.

Porém, esse também pode ser um processo delicado, visto que nem sempre as condições meteorológicas serão as ideais na fase da Lua mais indicada para determinada safra. Na visão de alguns especialistas, a força gravitacional que o astro exerce sobre a Terra tem grande impacto sobre todos os tipos de ciclo e fertilização em nosso planeta — incluindo os das plantas.

Por esses motivos, os produtores mais atentos ficarão de olho para ver quando essa atração magnética estará mais forte ou mais fraca. Além disso, a iluminação lunar, apesar de ser bem mais fraca do que a solar, também penetra o solo e ajuda no crescimento das colheitas.


Fases da Lua

São quatro fases da Lua para os agricultores ficarem de olho: cheia, minguante, nova e crescente. Na teoria, cada uma delas tem um determinado nível de particularidade que impacta diretamente no sucesso das safras. De acordo com as teorias criadas pelos especialistas no campo, isto é o que cada uma delas significa:

Cheia — fase com maior iluminação e força gravitacional devido ao alinhamento da Terra com o Sol. Época em que a seiva do caule está mais perto dos frutos, sendo o período ideal para a colheita.

Minguante — baixa influência da Lua sobre a Terra. Nesse período, a seiva tem mais dificuldade de subir pelo caule. Melhor fase para o plantio de raízes e tubérculos, pois nascem debaixo do chão.

Nova — com todos os astros alinhados, a força gravitacional volta a ficar forte. Torna-se um ótimo período para a plantação de árvores, principalmente aquelas com o intuito da produção de madeira.

Crescente — fase com aumento gradual da iluminação lunar, apesar da baixa força gravitacional. Nessa etapa, a seiva que subiu para o topo do caule ainda flui vagarosamente. Ótima etapa para o desenvolvimento de ramos e folhas.

*Por Pedro Freitas
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*Fonte: megacurioso

Amnésia geracional: a perda de memória que prejudica o planeta

Uma geração pode ser esquecida? Sem dúvida, é verdade que as gerações mais velhas podem não se lembrar como era ser jovem.

Com a idade, surge um deboche previsível em relação à juventude que parece atingir quase todos os grupos demográficos com mais de 35 anos.

“O desprezo geracional é, na verdade, um eterno comportamento humano”, escreveu o romancista Douglas Coupland em um artigo para o jornal britânico The Guardian no início de junho.

E ele deve saber do que está falando: foi ele que cunhou o termo “geração X”.

Os baby boomers, ele recorda, antes desdenhavam dos integrantes da geração X, como ele, que cresceram, por sua vez, falando mal da torrada coberta de abacate e de outros hábitos alimentares dos suscetíveis millennials.

E agora é a vez de a geração Z, com seus TikToks e políticas de identidade, ser julgada pelos mais velhos.

Na verdade, existe um termo científico para isso: o efeito “dos jovens de hoje”, que pode ser identificado desde os escritos dos Gregos Antigos.

“Desde pelo menos 624 a.C., as pessoas lamentam o declínio da atual geração de jovens em relação às gerações anteriores”, segundo os psicólogos que nomearam o fenômeno.

“A difusão das reclamações sobre os ‘jovens de hoje’ ao longo dos milênios sugere que essas críticas não são precisas nem devido às idiossincrasias de uma cultura ou época em particular — mas representam uma ilusão generalizada da humanidade.”

Uma razão, dizem os pesquisadores, é que as pessoas tendem a esquecer que elas mesmas mudaram com o tempo e, portanto, presumem que a maturidade, as atitudes e os comportamentos dos jovens também são fixos.

No entanto, esse não é o único tipo de esquecimento que acontece com o passar das gerações.

Há um outro tipo menos óbvio, chamado de “amnésia geracional”, que tem efeitos profundos na maneira como vemos o mundo.

E, infelizmente, todos nós sofremos disso, não importa quão jovens ou velhos sejamos.

Cada geração recebe um mundo que foi moldado por seus predecessores — e depois aparentemente esquece esse fato.

Considere como pensamos sobre a tecnologia.

A ideia de tecnologia da geração atual significa smartphones, criptomoedas ou a internet, mas nem sempre foi assim: a tecnologia já foi centrada na pneumática ou no vapor, em vez de no silício.

Um cientista da computação certa vez ironizou que a tecnologia deveria ser definida como “qualquer coisa que foi inventada depois que você nasceu”.

Algumas invenções são tão onipresentes que esquecemos totalmente até que são tecnologias.

Como o escritor Douglas Adams uma vez observou:

“Não pensamos mais em cadeiras como tecnologia; apenas pensamos nelas como cadeiras. Mas houve um tempo em que não sabíamos quantas pernas as cadeiras deveriam ter, qual a altura que deveriam ter, e muitas vezes elas ‘quebravam’ quando tentávamos usar. “

Como resultado, uma pessoa comum hoje vive uma vida com avanços e luxos com os quais até mesmo as gerações mais privilegiadas do passado só podiam sonhar.

Se Cleópatra ou Elizabeth 1ª viajassem no tempo até os dias atuais, elas ficariam maravilhadas com um mundo que consideramos natural, com suas vacinas e antibióticos, um banheiro com descarga e geladeira em cada casa.

As novas gerações também têm o hábito de esquecer coletivamente como a mudança social positiva ocorre por meio do ativismo obstinado de minorias outrora desprezadas, como Emmeline Pankhurst e a campanha das sufragistas pelo direito das mulheres ao voto.

Nem sempre o sufrágio universal foi visto como incontroversamente correto, embora esse fato raramente seja lembrado.

Mas se as gerações mais novas se esquecem dos avanços e das mudanças positivas que seus antepassados promoveram, então também podem deixar de notar como seus predecessores também prejudicaram o mundo.

Uma das primeiras vezes que esse tipo específico de amnésia geracional foi observada foi na década de 1990 — para descrever um fenômeno que afetava pesquisadores que estudavam peixes.

Um dia, o cientista marinho Daniel Pauly olhou para seus contemporâneos e percebeu algo curioso.

Apesar de um declínio de longo prazo registrado objetivamente em certas populações de peixes, cada geração de cientistas parecia estar aceitando a menor abundância e diversidade que observavam como sua “base” de referência.

Eles fizeram isso apesar das histórias de gerações anteriores que haviam experimentado e observado a vida oceânica de maneira bem diferente.

Por exemplo, Pauly lembrou como o avô de um colega certa vez manifestou irritação com a forma como, na década de 1920, o atum-rabilho costumava se enroscar em suas redes no Mar do Norte — região onde a espécie agora está praticamente ausente.

O que esse ponto cego significava, argumentou Pauly em um artigo curto, porém influente, é que os cientistas não estavam conseguindo contabilizar o gradual desaparecimento das espécies, e cada geração aceitava como natural a biodiversidade oceânica exaurida que herdava.

Ele chamou este fenômeno de “síndrome de deslocamento da linha de referência”.

Desde então, o efeito da mudança da linha de referência tem sido observado muito além da comunidade pesqueira — ocorre em qualquer esfera da sociedade em que uma linha de referência se arrasta imperceptivelmente ao longo das gerações.

Alguns anos depois, o psicólogo Peter Kahn, da Universidade de Washington, nos EUA, descreveu um efeito semelhante em um contexto completamente diferente: as comunidades negras de Houston, no Texas (EUA).

Ele estava curioso em relação às percepções das crianças sobre a qualidade do ambiente em que viviam.

Por meio de entrevistas, ele descobriu que elas conseguiam facilmente descrever o que era poluição do ar, por exemplo, assim como destacar outras cidades que eram poluídas — mas, ao mesmo tempo, não demonstraram muita consciência de que Houston havia se tornado uma das cidades mais poluídas dos Estados Unidos.

Apenas aceitavam as coisas como eram.

“Como essas crianças poderiam não saber disso? Uma resposta é que elas nasceram em Houston, e a maioria nunca saiu de lá; e por morar lá, construíram sua linha de referência para o que pensavam ser um ambiente normal”, Kahn escreveu mais tarde em um artigo em parceria com a colega Thea Weiss.

De acordo com Kahn e Weiss, todos nós sofremos dessa forma ambiental de amnésia geracional. Não é que os indivíduos não se lembrem do passado que eles próprios viveram, é a humanidade que coletivamente “esquece” o mundo natural como era antes, com o passar das gerações.

“É um dos problemas psicológicos mais urgentes de nossa vida”, eles escrevem.

“Já é difícil resolver problemas, como desmatamento, acidificação dos oceanos e mudanças climáticas; mas pelo menos a maioria das pessoas os reconhece como problemas.”

Mesmo os exemplos mais familiares de natureza, perto de casa, podem ser esquecidos.

A zoóloga Lizzie Jones, da Universidade Royal Holloway, em Londres, e seus colegas entrevistaram recentemente pessoas que vivem no Reino Unido a respeito de suas percepções e memórias de 10 espécies de pássaros de jardim, tanto na época da pesquisa quanto em relação às lembranças de quando tinham 18 anos.

Eles descobriram que os mais jovens, que estavam perto dos 18 anos, eram menos capazes de descrever a verdadeira mudança ecológica de longo prazo que ocorrera entre as populações de pássaros britânicos.

Como Jones e colegas destacaram, o canto dos estorninhos já foi algo comum no Reino Unido, mas o número de representantes da espécie diminuiu em 87% entre 1967 e 2015 só na Inglaterra.

Outro exemplo pode ser o “fenômeno do para-brisa”, que descreve a observação por todas as gerações, exceto as mais novas, de que há menos insetos esborrachados sobre os carros hoje em dia.

Há alguma maneira de evitar essa amnésia geracional ambiental?

Pode parecer que é simplesmente uma questão de educar cada nova geração, mas Kahn e Weiss propõem que isso não precisa ocorrer necessariamente durante o ensino tradicional em sala de aula.

Em vez disso, eles apelam às gerações mais velhas para promover o que eles chamam de “padrões de interação”, uma abordagem mais experimental em que crianças e jovens são encorajados a entrar em contato com a natureza onde quer que seja.

Não precisa ser o ideal romantizado de visitar uma floresta selvagem ou fazer uma trilha em áreas de difícil acesso — pode ser algo tão simples quanto caminhar à beira de um rio ou lago, identificar frutas em um dia de verão ou simplesmente deitar na grama ou na terra.

Não importa se você mora na cidade ou no campo.

“A solução que estamos apresentando é, com efeito, ‘uma pequena interação com a natureza de cada vez'”, escreveram Kahn e Weiss.

À medida que cada geração envelhece, pode ser tentador lamentar a falta de consciência entre os “jovens de hoje”, assim como fazia a geração anterior quando éramos jovens.

Mas quando se trata de garantir que nossas melhores lembranças do mundo não sejam esquecidas, parece que pelo menos parte dessa energia pode ser mais bem gasta transmitindo experiências, em vez de fazer julgamentos.

*Por Richard Fischer
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*Fonte: bbc-brasil

Apenas isso vai evitar de um colapso global completo na próxima década

A sociedade humana está no caminho certo para um colapso nas próximas duas décadas se não houver uma mudança séria nas prioridades globais, de acordo com uma nova reavaliação de um relatório dos anos 1970, informou o Vice.

Nesse relatório — publicado no livro best-seller “Limites do crescimento” (1978, na edição brasileira) — uma equipe de cientistas do MIT (EUA) argumentou que a civilização industrial estava fadada ao colapso se corporações e governos continuassem a perseguir um crescimento econômico contínuo, sem se importar os custos para o planeta. Os pesquisadores previram 12 cenários possíveis para o futuro, a maioria dos quais previu um ponto onde os recursos naturais se tornariam tão escassos que um crescimento econômico adicional se tornaria impossível, e o bem-estar pessoal despencaria.

O cenário mais infame do relatório – o cenário de Negócios Como de Costume (NCC) – previu que o crescimento econômico mundial atingiria o pico por volta da década de 2040, e depois enfrentaria uma forte desaceleração, juntamente com a população global, a disponibilidade de alimentos e os recursos naturais. Esse “colapso” iminente não seria o fim da raça humana, mas sim um ponto de virada social que veria os padrões de vida cairem ao redor do mundo por décadas, escreveu a equipe.

Então, qual é a perspectiva para a sociedade agora, quase meio século depois que os pesquisadores do MIT divulgaram seus prognósticos? Gaya Herrington, pesquisadora de sustentabilidade e análise dinâmica de sistemas da consultoria KPMG, decidiu descobrir. Na edição de novembro de 2020 do Yale Journal of Industrial Ecology, Herrington se voltou para pesquisas que havia iniciado como estudante de pós-graduação na Universidade de Harvard no início daquele ano, analisando as previsões de “Limites para o Crescimento” ao lado dos dados mais atuais do mundo real.

Herrington descobriu que o estado atual do mundo — medido por 10 variáveis diferentes, incluindo população, taxas de fertilidade, níveis de poluição, produção de alimentos e produção industrial — se alinhava extremamente bem com dois dos cenários propostos em 1972, ou seja, o cenário NCC e um chamado Tecnologia Abrangente (TA), no qual os avanços tecnológicos ajudam a reduzir a poluição e aumentar o abastecimento de alimentos, mesmo com o escoamento dos recursos naturais.

Embora o cenário da TA resulte em um choque menor para a população global e o bem-estar pessoal, a falta de recursos naturais ainda leva a um ponto em que o crescimento econômico diminui drasticamente — ou seja, um colapso repentino da sociedade industrial.

“[Os cenários NCC] e TA mostram uma parada no crescimento dentro de uma década ou mais a partir de agora”, escreveu Herrington em seu estudo. “Ambos os cenários indicam, portanto, que continuar os negócios como de costume, ou seja, buscar crescimento contínuo, não é possível.”

A boa notícia é que não é tarde demais para evitar esses dois cenários e colocar a sociedade no caminho para a recuperação — o cenário do Mundo Estabilizado (ME). Ou seja limitar deliberadamente o crescimento econômico por conta própria, antes que a falta de recursos nos obrigue a fazê-lo.

“O cenário ME pressupõe que, além das soluções tecnológicas, as prioridades sociais globais mudem”, escreveu Herrington. “Uma mudança de valores e políticas se traduz em, entre outras coisas, família pequena, perfeita disponibilidade de controle de natalidade e uma escolha deliberada de limitar a produção industrial e priorizar serviços de saúde e educação.”

Em um gráfico do cenário de ME, o crescimento industrial e a população global começam a se nivelar logo após essa mudança de valores. A disponibilidade de alimentos continua a aumentar para atender às necessidades da população global; poluição diminui e o esgotamento dos recursos naturais começa a nivelar, também. O colapso social é evitado inteiramente.

Esse cenário pode soar como uma fantasia — especialmente quando os níveis de dióxido de carbono atmosférico disparam. Mas o estudo sugere que uma mudança deliberada ainda é possível.

Herrington disse à Vice.com que o rápido desenvolvimento e implantação de vacinas durante a pandemia COVID-19 é um testemunho da engenhosidade humana diante das crises globais. É inteiramente possível, disse Herrington, que os humanos respondam de forma semelhante à crise climática em curso se fizermos uma escolha deliberada e em toda a sociedade.

“Ainda não é tarde demais para a humanidade mudar propositalmente o curso para alterar significativamente a trajetória do futuro”, concluiu Herrington em seu estudo. “Efetivamente, a humanidade pode escolher seu próprio limite ou, em algum momento, atingir um limite imposto, momento em que um declínio no bem-estar humano se tornará inevitável.”

Leia mais sobre o relatório no Vice.com (em inglês).

*Por Marcelo Ribeiro
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*Fonte: hypescience

Aquecimento do Ártico pode levar a eventos climáticos extremos no mundo

Um novo relatório do Climate Crisis Advisory Group (CCAG), divulgado na quinta-feira, 29 de julho, conclui que o rápido aquecimento e derretimento do gelo no Ártico é provavelmente o principal gatilho para eventos climáticos em cascata em todo o planeta, resultando em mudanças devastadoras em nossos sistemas meteorológicos e nos incidentes climáticos extremos observados recentemente — como as ondas de calor e inundações em países como os EUA, Canadá, Alemanha e China, que causaram centenas de mortes.

“A ocorrência sistemática de super-extremos em todo o mundo em 2021 não pode ser explicada apenas pelos 1,2°C de aquecimento global que temos até agora — há algo mais em jogo. E o candidato é o aquecimento acelerado e o derretimento do gelo no Ártico”, diz Johan Rockström, diretor do Instituto Potsdam para Pesquisa de Impacto Climático, da Alemanha, e membro do CCAG.

Aquecimento 3 vezes mais rápido

Nos últimos 30 anos, o Ártico aqueceu a uma taxa de 0,81°C por década, mais de três vezes mais rápido do que a média global de 0,23°C por década. Isso resultou na perda rápida e irreversível do gelo marinho, bem como na perda do manto de gelo da Groenlândia.

De acordo com o relatório, há gelo suficiente apenas na camada de gelo da Groenlândia para elevar o nível global do mar em 7,5 metros.

Um Ártico estável é conhecido por controlar a temperatura da Terra — interrompida essa estabilidade, os mantos de gelo estão derretendo e liberando grandes quantidades de água doce fria no Atlântico Norte, diminuindo a circulação do oceano e provocando impactos em regiões tão distantes quanto a Antártica, além de perturbar eventos climáticos complexos, como a monção sul-americana. Isso também explica a maior frequência de secas e incêndios na floresta amazônica, causando aumento da liberação de CO2 na atmosfera.

Permafrost
Paralelamente, se as emissões de gases de efeito estufa continuarem a aumentar na taxa atual, dezenas a centenas de bilhões de toneladas de carbono, presas no permafrost do planeta, poderiam ser liberadas na atmosfera. No ritmo atual, segundo o documento, as condições de clima quente que levam ao degelo do permafrost já estão ocorrendo cerca de 70 anos antes das previsões.

“Os impactos da influência humana sobre o clima em uma região se propagam a outras regiões em função da circulação atmosférica e oceânica. Não atuar para reverter as causas da mudança climática e reduzir seus impactos é uma escolha que implica em prejuízos substanciais para nossa economia e para a segurança da população”, explica Mercedes Bustamante, pesquisadora da UnB e única brasileira membro do CCAG.

Ação urgente


“É MAIS UM LEMBRETE DE QUE NÃO HÁ MARGEM REMANESCENTE PARA MAIS DE GASES DE EFEITO ESTUFA EM NOSSA ATMOSFERA. NÃO APENAS DEVEMOS REDUZIR IMEDIATAMENTE AS EMISSÕES, PARTICULARMENTE DE COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS, DEVEMOS TAMBÉM PROCURAR MANEIRAS DE REMOVER GASES DE EFEITO ESTUFA DA ATMOSFERA EM ESCALA.”

Este é o segundo de uma série de relatórios publicados pelo CCGA, grupo internacional independente de especialistas sobre o clima, e antecipado à imprensa brasileira pela Bori. Veja mais informações sobre o CCGA aqui e confira o primeiro relatório aqui.

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*Fonte: ciclovivo

NASA alerta que uma mudança na órbita da lua tornará as inundações da Terra piores

A partir da próxima década, dizem os cientistas, uma “oscilação” na órbita da Lua está prestes a tornar as inundações costeiras aqui na Terra muito piores.

Quando a oscilação começar, as cidades costeiras americanas podem repentinamente começar a inundar três ou quatro vezes mais do que agora, de acordo com uma pesquisa da NASA e da Universidade do Havaí publicada na revista Nature Climate Change no mês passado.

No estudo, os cientistas previram que a oscilação lunar causará um aumento nos aglomerados de inundações que interromperão significativamente a vida e danificarão a infraestrutura em cidades costeiras que se aclimataram a inundações muito mais suaves e menos frequentes – um lembrete assustador da estreita relação da Terra com seu satélite natural, e talvez até mesmo uma questão urgente de infraestrutura.

Como relata a Live Science , essa oscilação lunar é, na verdade, um ciclo perfeitamente natural que já se arrasta por eras e continuará a ocorrer por muito tempo depois de nossa partida. A órbita da Lua cria períodos de marés altas e baixas de acordo com um ritmo de aproximadamente 18,6 anos.

O que o torna perigoso desta vez é o fato de que o nível do mar está subindo graças aos efeitos das mudanças climáticas e às emissões descontroladas de gases de efeito estufa. Portanto, quando o próximo período de amplificação da maré começar no início de 2030, as enchentes resultantes provavelmente serão piores, mais persistentes e mais perigosas do que nunca.

“É o efeito acumulado ao longo do tempo que terá um impacto”, disse o pesquisador da Universidade do Havaí e principal autor do estudo, Phil Thompson , em um comunicado à imprensa . “Se inundar 10 ou 15 vezes por mês, uma empresa não pode continuar operando com seu estacionamento submerso. As pessoas perdem seus empregos porque não conseguem trabalhar. Verter fossas se tornou um problema de saúde pública. ”

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*Fonte: pensarcontemporaneo

Chegamos ao Dia de Sobrecarga da Terra de 2021

No dia 29 de Julho entramos no “cheque especial” do planeta, um alerta de que precisamos mudar nossos padrões – veja como!

Nesta quinta-feira, dia 29 de julho de 2021, chegamos mais uma vez ao Dia da Sobrecarga da Terra. Esta data marca o momento em que o nosso consumo anual de serviços e recursos naturais ultrapassa o que a Terra pode regenerar naquele mesmo ano. Ou seja, entramos no “cheque especial” do planeta, de acordo com a Global Footprint Network, entidade responsável pelos cálculos de sobrecarga da Terra desde 1970.

O Instituto Akatu, que promove o consumo consciente, emitiu um comunicado lembrando que O Dia da Sobrecarga da Terra em 2021 caiu na mesma data que em 2019, o que significa que voltamos aos padrões anteriores a 2020, quando a pandemia atrasou a data para 22 de agosto.

“APÓS UM CENÁRIO GLOBAL DE RECESSÃO ECONÔMICA, AINDA QUE MANTIDO UM ALTO NÍVEL DE DESEMPREGO, A PRODUÇÃO E O CONSUMO COMEÇARAM A DAR SINAIS DE RECUPERAÇÃO E O DIA VOLTOU A CAIR EXATAMENTE NA MESMA DATA DE 2019 — 29 DE JULHO —, ANO ANTERIOR AO CORONAVÍRUS.”

Os dados mostram que, em 2021 voltamos a consumir 74% mais recursos naturais do que o planeta tem condições de regenerar em 1 ano. Além disso é uma alerta para o fato de que na corrida para recuperar a economia global, voltamos aos os níveis anteriores de emissões de gases de efeito estufa e de uso de recursos naturais.

“FALTANDO AINDA (QUASE) MEIO ANO, JÁ ESGOTAMOS A NOSSA COTA DE RECURSOS NATURAIS DA TERRA PARA 2021.”

Susan Aitken, líder da Câmara Municipal de Glasgow e conselheira da Global Footprint Network
É fundamental que governos, empresas e que as pessoas repensem seus modelos econômicos e hábitos. De acordo com os dados usados para calcular o Dia da Sobrecarga da Terra, precisamos de 1,7 planeta para manter os padrões atuais de produção e consumo. E, por mais absurdo que pareça, é importante lembrar que só temos um planeta e que nossa sobrevivência depende do seu equilíbrio.

O diretor-presidente do Akatu, Helio Mattar, reforça a importância da reflexão que o Dia da Sobrecarga da Terra traz e a necessidade urgente de se adiar esta data. “O adiantamento do Dia da Sobrecarga da Terra de 2021 ilustra a importância das ações coletivas e a urgência na revisão dos nossos modelos de produção e consumo. A recuperação econômica global frente ao coronavírus precisa levar em conta aspectos socioambientais e oferecer respostas à Crise Climática”, afirma.

Mudanças possíveis e necessárias
Em 2020, com as mudanças impostas pela pandemia, o Dia de Sobrecarga da Terra regrediu pela primeira vez em 50 anos. Entre as mudanças podemos citar a diminuição da circulação de pessoas e da atividade industrial. Os níveis de poluição atmosférica despencaram em diversas partes do mundo.

Mas, as mudanças foram impulsionadas por uma circunstância extrema e, assim que as atividades começaram a ser retomadas, a pegada de carbono do mundo aumentou 6,6% em relação a 2020 – ano em que havia caído 14,5%.

As mudanças climáticas são uma ameaça ainda maior do que a pandemia para o meio ambiente e, consequentemente, para a humanidade. É preciso agir rápido e cobrar dos setores público e privado mudanças nas políticas ambientais e modelos econômicos.

Além disso podemos trazer para o nosso dia a dia algumas mudanças que podem contribuir para que em 2022 o Dia da Sobrecarga da Terra venha mais tarde.

O Instituto Akatu tem algumas dicas que podemos colocar em prática a partir de hoje!
O que você pode fazer?

Reduza o consumo de carne
Calorias animais, sobretudo carne bovina, são significativamente mais intensivas no uso de recursos na sua produção do que calorias vegetais. Para comprovar isso, basta ver que ao substituir a carne bovina por outra fonte proteica (frango ou leguminosas, como lentilhas, feijões, ervilhas e grão de bico) uma ou mais vezes por semana, você poupa as emissões de gases de efeito estufa relacionadas à produção da carne e, com isso, estará combatendo a Crise Climática.

Enquanto a produção de um 1kg de carne bovina emite 27 kgCO2e, a produção de 1kg de frango emite quase 4 vezes menos (6,9 kgCO2e) e a de 1kg de feijão, quase 14 vezes menos (2 kgCO2e).

Se toda a população mundial reduzir pela metade o consumo médio anual de carne, preferindo a ingestão de verduras e legumes, o Dia da Sobrecarga da Terra será adiado em 17 dias.

Evite o desperdício de alimentos
As perdas (na produção) e os desperdícios (no processamento e no consumo) de alimentos são responsáveis por cerca de 9% da pegada ecológica global.

Se uma família de 4 pessoas desperdiçar 100g de arroz semanalmente, em 1 ano descartará mais de 5 kg desse alimento. A produção dessa quantidade de arroz gera emissões similares à da produção de energia elétrica suficiente para manter 2 lâmpadas de LED acesas 4 horas por dia ao longo de 2,5 anos! Para poupar essas emissões, prepare somente o que você vai comer, faça o uso integral dos alimentos (incluindo cascas e sementes) e, se for o caso, congele o que sobrou para comer depois.

Se reduzirmos pela metade as perdas e desperdícios de alimentos no mundo, o Dia da Sobrecarga da Terra será adiado em 11 dias.

Prefira meios de transporte sem emissões
A redução no uso individual do carro em todo mundo contribuiu para o atraso do Dia da Sobrecarga da Terra em 2020, já que o transporte movido à combustíveis fósseis tem grande impacto ecológico. Se a distância é curta, use bicicleta e se desloque à pé. Para trajetos maiores, dê preferência ao transporte público, como metrô e ônibus.

Quer ver como essa troca faz a diferença? Se você deixar o carro de lado e se deslocar a pé ou de bicicleta em um trecho de ida e volta de 4 km, cinco dias por semana, em 1 ano evitará emissões similares às geradas na produção de energia elétrica que mantém 4 lâmpadas de LED acesas 6 horas por dia ao longo de 21 anos!

Se reduzirmos pela metade a pegada de carbono dos deslocamentos, assumindo que 1/3 das distâncias percorridas de carro são substituíveis por transporte público, bicicletas e caminhadas, o Dia de Sobrecarga da Terra será adiado em 13 dias.

Simplifique seu guarda-roupa
A pandemia trouxe a percepção a muitas pessoas de que é possível viver tendo menos roupas nos armários, focando só no que é necessário. Comprar e possuir menos roupas, adotando um estilo mais minimalista, também contribui para a preservação do meio ambiente, uma vez que as roupas representam 3% da pegada ecológica global, e a produção de todo e qualquer novo item emite gases de efeito estufa e consome recursos naturais.

Para se ter uma ideia, a produção de uma única calça jeans consome quase 11 mil litros de água, quantidade suficiente para suprir a demanda diária (beber, cozinhar, lavar louças, etc.) de uma pessoa por mais de 3 meses. Reflita antes de comprar uma nova peça e doe ou venda no mercado de segunda mão aquela que você não usa mais.

Calcule a sua Pegada Ecológica, por meio dessa ferramenta desenvolvida pelo WWF, e o Teste do Consumo Consciente do Instituto Akatu para identificar em quais áreas a sua consciência no consumo pode evoluir ainda mais, levando à adoção de práticas mais sustentáveis.

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*Fonte: ciclovivo

Dubai usa drones para criar chuvas artificiais e enfrentar ondas de calor de até 50°C

O Oriente Médio é uma das regiões mais secas do planeta Terra, e pode se tornar inabitável em meados deste século devido às temperaturas crescentes e falta de chuvas. E como um esforço para diminuir o agravamento das condições climáticas na região, os Emirados Árabes Unidos (EAU) estão usando drones que estão fazendo “chover” em locais áridos.

Vídeos recentes divulgados pela agência climática do EAU mostram chuvas pesadas caindo no deserto. Só que as gotículas foram resultado de um teste piloto com drones não tripulados que descarregam eletricidade no meio das nuvens de tempestade. As cargas elétricas são tão potentes que a chuva consegue chegar ao solo, mesmo com temperaturas beirando a casa dos 50°C quase que diariamente.

Nuvens são feitas de gotas de água, mas as gotas são muito pequenas para caírem sozinhas do céu. Descargas elétricas incentivam essas pequenas gotículas a colidirem e se condensarem em gotas maiores, até que chega o ponto que elas caem, formando chuvas e tempestades. O problema é que em lugares muito quentes ou secos, como os Emirados Árabes Unidos, até as gotas maiores não são grandes o suficiente para cair. Como consequência desse clima extremamente seco, a chuva evapora antes mesmo de chegar ao chão.

É aí que a técnica de cargas elétricas poderia ajudar a encorpar essas gotículas para que elas alcancem o chão do deserto. Pesquisadores das Universidades de Bath e Reading que estão por trás do sistema gastaram tempo modelando o mecanismo, além de fazer testes em balões no ano passado para avaliar sua eficácia. No início deste ano, começaram os testes com drones. Segundo o The Washington Post, cientistas receberam US$ 1,5 milhão (R$ 7,8 milhões na conversão direta) para tocar o projeto pelos próximos três anos.

Os Emirados Árabes Unidos não são o único país que fazem experimentos com chuva “tecnológica”. A China tem um grande plano para usar cargas elétricas nas nuvens do Himalaia, enquanto Coréia do Sul e Tailândia usaram a mesma técnica para a chuva varrer a poluição do ar. Há ainda tecnologias que tentam fazer o contrário — ou seja, parar de chover. Foi o que aconteceu na Indonésia, que no ano passado sobrecarregou nuvens com partículas para interromper as fortes chuvas.

Seca no Oriente Médio
A média anual de precipitação nos Emirados Árabes Unidos é uma das mais baixas do mundo: inferior a 10,2 centímetros. Ao mesmo tempo, o país tem uma das mais altas taxas de consumo de água do mundo por pessoa, de acordo com a Administração Comercial Internacional dos EUA. Os números do governo também mostram que o país dessalina 42% de sua água, embora seja um processo caro e requer grandes quantidades de energia.

Emitir pequenos pulsos elétricos nas nuvens para gerar chuva poderia ajudar a abastecer os reservatórios de água ou tomar parte do trabalho que hoje fica a cargo da dessalinização, só que por um custo muito menor. Mesmo assim, os Emirados devem se tornar uma região ainda mais seca e quente nos próximos anos. Dados do Banco Mundial apontam que, se as emissões de carbono continuarem aumentando, o país poderia aquecer 2,4 graus Celsius em século ao meio.

*Por Brian Kahn
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*Fonte: gizmodo

Evento virtual aborda Sobrecarga da Terra para público infantojuvenil

O Dia da Sobrecarga da Terra é uma data mundial que marca o momento em que a Humanidade consumiu todos os recursos naturais que o planeta é capaz de renovar durante um ano. Em 2021, esse marco acontecerá em 29 de julho. Para refletir sobre o tema, o Programa de Educação do Museu do Amanhã, do Rio de Janeiro, promoverá o “Rolê Sapiência: Sobrecarga da Terra”.

O evento virtual acontecerá neste sábado (24), às 15h, e a atividade é destinada ao público infantojuvenil. O objetivo é fomentar a aproximação e o debate de assuntos da atualidade, sempre em diálogo com a ciência e fazendo uso de recursos lúdicos.

Já na terceira edição, o programa Rolê Sapiência busca reconhecer as escolhas e atitudes – individuais e coletivas – que contribuíram para a configuração deste cenário e debater ações possíveis. A inscrição está disponível aqui.


Dia da Sobrecarga da Terra

Há 51 anos, a Humanidade vem utilizando mais recursos do que o planeta é capaz de renovar. A primeira vez que alcançamos a sua sobrecarga foi em 1970, quando aos 29 dias do mês de dezembro tínhamos utilizado todos os recursos que a Terra conseguia produzir até o dia 31. Desde então, temos conseguido antecipar cada vez mais esse lamentável marco.

Em 2020, como reflexo direto da pandemia, a data foi atrasada, mas, neste ano, antecipamos novamente, e em quase um mês. O dia da sobrecarga da Terra será 29 de julho.

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*Fonte: ciclovivo

Uma manobra extremamente arriscada salvou o telescópio espacial mais poderoso do mundo

A NASA finalmente consertou seu Telescópio Espacial Hubble depois de semanas passando por uma falha misteriosa.

Na sexta-feira, a agência anunciou que o Hubble havia ligado com sucesso o hardware de backup que parou de funcionar há mais de um mês. Agora os engenheiros da NASA estão lentamente retornando o telescópio para o estado totalmente operacional. O processo pode levar alguns dias.

“Eu estava muito preocupado”, disse o administrador associado da NASA Thomas Zurbuchen em uma entrevista na sexta-feira com Nzinga Tull, que liderou a equipe do Hubble através da solução de problemas. “Todos sabíamos que isso era mais arriscado do que normalmente fazemos.”

Hubble é o telescópio espacial mais poderoso do mundo, mas está ficando velho. Foi lançado em órbita em 1990. Ele fotografou o nascimento e mortes de estrelas, avistou novas luas circulando Plutão, e rastreou dois objetos interestelares atravessando nosso Sistema Solar.

Suas observações permitiram aos astrônomos calcular a idade e a expansão do Universo e observar galáxias formadas logo após o Big Bang.

Embora a NASA provavelmente tenha corrigido o problema, é um sinal de que a idade do Hubble pode estar começando a interferir com a ciência que ele nos permite realizar. O telescópio não é atualizado desde 2009, e parte de seu hardware tem mais de 30 anos.

“Esta máquina é antiga, e está meio que nos dizendo: Olha, eu estou ficando um pouco velho aqui, certo? Está falando conosco”, disse Zurbuchen. “Apesar disso, temos mais ciência para fazer, e estamos animados com isso.”

Astronautas visitaram o Hubble para reparos e manutenção em cinco ocasiões. (NASA)
Uma manobra arriscada salvou o telescópio espacial mais poderoso do mundo
O computador de carga do Hubble – uma máquina dos anos 1980 que controla e monitora todos os instrumentos científicos da espaçonave – de repente parou de funcionar em 13 de junho. Engenheiros tentaram e falharam em reiniciá-lo várias vezes.

Finalmente, depois de realizar mais testes de diagnóstico, eles perceberam que o computador não era o problema – algum outro hardware na sonda estava causando o problema.

Ainda não está totalmente claro qual peça de hardware foi a culpada. Os engenheiros suspeitam que uma falha na Unidade de Controle de Energia (PCU, na sigla em inglês) do telescópio instruiu o computador a desligar. A PCU poderia estar enviando a elétrica errada para o computador, ou o próprio sistema contra falhas poderia estar com defeito.

Mas a NASA estava preparada para questões como esta. Cada parte do hardware do Hubble tem um backup instalado no telescópio no caso de falhar. Então os engenheiros tiveram que mudar para o hardware de backup.

A NASA já reiniciou o Hubble usando este tipo de operação antes. Em 2008, após uma queda de computador que tirou o telescópio do ar por duas semanas, os engenheiros mudaram para hardware redundante.

Um ano depois, os astronautas repararam dois instrumentos quebrados enquanto estavam em órbita – essa foi a quinta e última operação de manutençãodo Hubble. (A NASA não tem mais como lançar astronautas para o telescópio espacial.)

Ainda assim, a troca de hardware desta semana foi uma manobra arriscada.

“Você não pode ver a espaçonave, você não pode ver enquanto acontece. Você tem que ter certeza de que seus uploads de comando farão exatamente o que você pretende fazer”, disse Paul Hertz, diretor da divisão de astrofísica da NASA, ao Insider na semana passada.

“Você simplesmente não quer estragar nada acidentalmente”, acrescentou.

O que não ajudou foi o fato que os engenheiros não poderiam simplesmente mudar a PCU com defeito. A unidade está conectada a muitos outros componentes, então a NASA teve que trocar outro hardware, também.

A agência também usou o computador de carga de backup em vez do original, apenas por segurança. Ele ligou corretamente, os engenheiros o carregaram com software atualizado, e agora está em “modo de operações normais”, disse a NASA em sua atualização de sexta-feira

“Eu me sinto super animado e aliviado”, disse Tull. “Fico feliz em ter boas notícias para compartilhar.”

Fazer o Hubble praticar ciência de novo levará alguns dias.
Agora a equipe do Hubble tem que começar a ligar os instrumentos científicos do telescópio. Pode levar até uma semana para voltar às operações completas, de acordo com Hertz.

Ainda há um mistério a ser resolvido: por que o telescópio parou de funcionar?

Seja qual for o hardware defeituoso, o Hubble não tem mais um backup agora. Se falhar de novo, isso pode ser o fim do Hubble.

“Seja qual for esse componente, está em muitos outros satélites”, disse Hertz. “Queremos sempre entender o que funciona e o que não funciona no espaço.” [Science Alert]

*Por Marcelo Ribeiro
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*Fonte: hypescience

Imagens estonteantes da rotação da Terra no céu noturno mudarão sua perspectiva

De onde estamos aqui na Terra, é fácil esquecer que nosso planeta está em movimento constante. A maioria dos lapsos de tempo tradicionais da Via Láctea faz com que pareça que o céu noturno está girando ao nosso redor – mas na verdade é o contrário.

Um vídeo deslumbrante do fotógrafo Bartosz Wojczyński corrige essa perspectiva, fazendo com que a realidade pareça incrivelmente assimétrica.

O fotógrafo polonês criou um lapso de tempo hipnótico que abrange 24 horas e que tem um ponto focal na atmosfera, e não na terra. A cada minuto, ele tirava um quadro que subsequentemente era repetido 60 vezes para criar a versão final de 24 minutos que é uma visão hipnotizante dos ciclos da Terra.

O resultado é um piso de inclinação constante que parece que está prestes a expulsá-lo da face do planeta.

De acordo com a PetaPixel , a câmera de Wojczyński foi acoplada a um SW Star Adventurer , projetado para auxiliar na fotografia celestial.

Em seu canal no Youtube, o fotógrafo faz diversos registros impressionantes e, inclusive, mostra o seu processo de criação.

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*Fonte: pensarcontemporaneo

Poluição por plástico está perto de ser irreversível, diz estudo

A poluição global por resíduos plásticos está a caminho de um “ponto irreversível”, de acordo com um estudo publicado nesta sexta-feira (02/07) na revista científica Science. Ano a ano, a geração mundial de lixo plástico só aumenta, e resíduos já podem ser encontrados nos locais mais inóspitos da Terra, como nos desertos, nos picos de montanhas, nas profundezas dos oceanos e até no Ártico.

Os pesquisadores apelaram para uma mudança de comportamento. Politicamente, a União Europeia (UE) deu um passo inicial: a partir de sábado, diversos produtos feitos de plástico estão proibidos no bloco comunitário europeu, entre eles canudos, talheres, pratos e copos descartáveis.

De acordo com os pesquisadores do estudo, a poluição anual de plásticos em águas e na terra pode quase dobrar de 2016 a 2025, caso a população mundial mantenha os hábito atuais.


A equipe de pesquisa foi composta por cientistas da Alemanha, Suécia e Noruega. Ela divulgou a estimativa de que entre 9 e 23 milhões de toneladas de resíduos plásticos poluíram rios, lagos e oceanos em 2016. Uma quantidade similar – entre 13 e 25 milhões de toneladas – acabou no meio ambiente terrestre naquele ano.

Apesar do alarme mundial disparado pelas imagens chocantes de rios e mares inundados com lixo plástico, o problema pode já estar próximo de um ponto sem volta, alertam os pesquisadores. Eles afirmam que “as taxas de emissões de plástico em todo o mundo podem desencadear efeitos que não seremos capazes de reverter”.

“O plástico está profundamente enraizado em nossa sociedade e se infiltra no meio ambiente em todos os lugares, mesmo em países com boa infraestrutura de tratamento de resíduos”, diz Matthew MacLeod, da Universidade de Estocolmo e o autor principal do estudo.


Segundo o relatório, as emissões tendem a aumentar, ainda que a consciência sobre a poluição do plástico na ciência e na população tenha aumentado significativamente nos últimos anos.

“Reciclagem de plásticos tem muitas restrições”
Do lado alemão, participaram do estudo pesquisadores do Instituto Alfred Wegener (Centro Helmholtz de Pesquisa Polar e Marinha – AWI, na sigla em alemão), localizado em Bremerhaven, e do Centro Helmholtz de Pesquisa Ambiental (UFZ, na sigla em alemão), situado em Leipzig.

A pesquisadora Mine Tekman, do AWI, alerta contra a impressão de que tudo pode ser reciclado “magicamente” caso o lixo seja separado corretamente. “Tecnologicamente falando, a reciclagem de plásticos tem muitas restrições e os países com boa infraestrutura exportam seus resíduos plásticos para países com instalações mais precárias”, explica.

Os governos da Malásia e das Filipinas estão entre os que nos últimos anos devolveram – com declarações públicas de irritação – carregamentos de lixo despachados de países como Canadá e Coreia do Sul.

Tekman diz que a produção de “plástico virgem” deve ser limitada e pleiteou por medidas drásticas, como a proibição da exportação de resíduos plásticos, a menos que ela seja feita para um país com uma melhor infraestrutura de reciclagem.

Além disso, há um problema fundamental com materiais não biodegradáveis. Áreas remotas são particularmente ameaçadas por resíduos plásticos, conforme explica a pesquisadora Annika Jahnke, do UFZ.

Nestas regiões, os resíduos plásticos não podem ser removidos por equipes de limpeza. E o desgaste de grandes pedaços de plástico também causa inevitavelmente a liberação de um grande número de micro e nanopartículas e à lixiviação de produtos químicos que foram deliberadamente adicionados ao plástico na produção.

Desequilíbrio da bomba biológica
A equipe de pesquisa também alerta que, combinado com outros danos ambientais imediatos, o lixo plástico pode ter efeitos de longo alcance ou até mesmo globais mesmo em áreas remotas.

É possível que os resíduos plásticos causem uma influência na biodiversidade do mar e na climaticamente tão importante bomba biológica. O termo se refere ao processo através do qual o carbono liberado na atmosfera é armazenado nas profundezas oceânicas por meio de processos biológicos.

A biologia marinha possui um papel muito importante no chamado “sequestro de carbono” – os oceanos armazenam aproximadamente 50 vezes mais carbono que a atmosfera. E o plástico atua como um estressor adicional, que pode causar um desequilíbrio nos oceanos.

“O custo de ignorar o acúmulo de poluição persistente de plástico no meio ambiente pode ser enorme”, diz MacLeod. “A coisa mais sensata que podemos fazer é agir o mais rápido possível para reduzir a quantidade de plástico que polui o meio ambiente.”


Alguns produtos fabricados com plástico descartável estarão proibidos a partir deste sábado na UE. A regulamentação afeta itens para os quais existem alternativas, como canudos e talheres e pratos descartáveis. Certos copos e recipientes descartáveis de isopor também não poderão mais ser produzidos ou colocados no mercado. Os bens existentes e previamente adquiridos ainda podem ser vendidos.


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*Fonte: dw

Balão gigante vai levar turistas à “beira” do espaço

As viagens para o espaço, ainda mais as turísticas, podem até parecer coisa de filme, só que agora se aproximam da realidade. Inclusive, se por acaso pensou que seria em um foguete, saiba que há outras opções. A empresa Space Perspective anunciou que fará uma viagem até a “beirada” do espaço com um balão gigante.

Após o primeiro teste, o qual chegou a uma altitude de 33 quilômetros, a empresa de viagens espaciais disse que oferecerá o passeio a partir de 2024. O valor da passagem será de US$ 125 mil, ou R$ 613,5 mil, na cotação atual.

O custo pode soar caro e inclui o transporte de outras sete pessoas durante seis horas no balão, chamado de Spaceship Neptune. A estrutura conta com um bar e banheiro, com expectativa de que chegue a altura de 30 quilômetros, que é quase três vezes a de um avião normal.

A empresa explicou que o lançamento será feito a partir do Aeroporto Regional da Costa Espacial, na Flórida, próximo do Kennedy Space Center, que é de onde saem os foguetes da Nasa e da SpaceX. Porém, o destino ainda é incerto e depende de como os ventos vão se comportar na ocasião.

Já a aterrissagem poderá acontecer no oceano Atlântico ou próximo ao Golfo do México, local onde o teste realizado pela Space Perspective no último 18 de junho parou.

Ao site “Space News”, a cofundadora da empresa, Jane Poynter, revelou que foram registradas 25 inscrições de pessoas interessadas durante um evento online de anúncio da novidade e que o número total já seria “muito maior”.

A ideia de ter o passeio pelo espaço é mais uma na disputa pelo mercado de turismo espacial. Tanto que pela Blue Origin, Jeff Bezos (CEO da Amazon) anunciou que irá viajar para o espaço no próximo dia 20 de julho junto do irmão.

Ademais, o Spaceship Neptune chegará a cerca de 30 quilômetros, enquanto as empresas com foguetes alcançarão a linha de Kármán (100 quilômetros), que define o limite entre a atmosfera da Terra e o espaço.

Mas, cá entre nós, dessa altitude, já vai dar para ver a curvatura da Terra e a cor real do espaço profundo, podendo ser considerado como “espaço” para muita gente.

*Por Gabriela Bulhões
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*Fonte: olhardigital