O abdome está definido, mas, a cabeça está cheia de dúvidas

Em 53 anos, o meu abdome nunca esteve tão definido. Para a minha total contrariedade, decidiu-se pela robustez. É como se eu tivesse engolido uma bola de basquete, se é que me entendem. Aqui na região onde eu moro, diz-se que estrupícios assim possuem “barriguinha de lobó”. Lembram-se da jiboia que engoliu o elefante em “O Pequeno Príncipe”, de Saint-Exupéry? É mais ou menos assim: um chapéu que caminha sobre duas pernas. Eis a minha risível silhueta.

Já faz tempo que odeio espelhos. Também não gosto de frequentar academias, sejam elas de ginástica, de polícia ou de letras. Afetam-me sobremaneira os cheiros de éter, de pólvora e de colônia, não necessariamente nesta ordem. E a ojeriza só cresce com a idade. Puxar ferros vestido com uma camiseta regata, postado de frente um espelho, nessa altura da vida, desafia os meus pecados capitais. Desprovido da devida vaidade, exercito-me numa academia de musculação por ordem e chantagem médicas. “Sem dor, sem ganho”, ele diz, chupando um dropes hipercalórico, como se já não fosse o bastante eu padecer das esferas mentais. Duvido que ele, meu cardiologista balofo, suporte realizar agachamentos sustentando 50 quilos nas costas. Ainda se fosse uma bela mocinha, dava-se um jeito; eu virava titã e não envergava nem que ela tagarelasse nua de tamancos sobre os meus ombros.

Para mim, a pior parte da malhação é a língua. Tem sempre um enxerido que se aproxima e puxa um assunto, geralmente, um tema intolerável demais quando se está bufando, prestes a romper as veias do pescoço e a parir os testículos de tanto fazer força num estúpido exercício de repetições dentro de um aparelho ferruginoso. Não seria de todo ruim se eu me cortasse nele e morresse de tétano. De desencanto, já padeci faz tempo. “Você viu só o que disse o filho do presidente?”. Eu digo que não, que não vi, nem ouvi, o que disse o dito-cujo. Sinto uma raiva primitiva quando sou inconvenientemente forçado a dialogar sob um estado letárgico de asfixia. Tem gente que não se toca. Eu devia botá-los pra correr ou simular um colapso ao som do Calypso que ribomba infernalmente no ambiente. Assim, quem sabe, colocava um ponto final no assunto.

“Virou defunto. Fulano-de-tal morreu enquanto fazia um supino”, alguém conta, com a empolgação de quem falta um pino e comemora um gol. Eu sempre quis entrar com bola-e-tudo na zaga-bem-postada daquela balzaquiana com collant-de-oncinha. Sinto uma saudade miserável dos meus 17. Naquela idade, tinha uma enorme vitalidade para cometer erros, meter os pés pelas mãos e fazer sexo em pé sem chorar de câimbras. Há um excesso de perfume gardênia empestando o ar. Passa uma mulher extravagante com tetas escandalosas prestes a explodir. Todo sacrifício em nome de Alá. Eu sofro de chistes agnósticos. Focados em impressionar a beldade, quase todos os homens presentes no local apressam-se em aumentar um pico na já extravagante carga de halteres. Quisera estar em Alter do Chão. Se tivesse escolha, eu queria mesmo era ser uma árvore. Ouvi isso da boca de ninguém menos do que o cantor Djavan.

Fico pensando qual a chance de ouvir “Riders on the storm” naquele antro fitness. Um sujeito impávido, de sobrancelhas feitas, sábio como um armário, faz bicotinha e se fotografa usando o próprio smartphone. Uma dona que parece recatada e do lar presencia a cena bisonha, suspira fundo e comenta ai-que-bom-seria-se-eu-fosse-solteira, sem depreender que, da fruta que ela gosta, o rapaz come até o caroço.

Não gosto desse troço. De frequentar academias. Nem atléticas. Nem policiais. Nem literárias. Minha cabeça anda cansada como um velho pangaré. Queria tanto um bife a cavalo com três canecos de chope. Sou 70% água e 30% descrença. Por onde passo a fazer o meu circuito, molho os assentos com um suor cínico. Uma mocinha que tem idade para ser minha filha ou minha amante faz a assepsia do aparelho com solução de álcool 70. Sinto-me sujo como um poema do Bukowski.

Já se passaram 20 minutos e me considero desacorçoado o suficiente para dar o fora e escrever uma crônica pedante. Pergunto ao instrutor sarado que veste uma camiseta de Mojo Filter fazendo arminhas com os dedos indicadores onde consigo tomar um cafezinho naquela joça, mas, ele diz que café é frescura e que ele só toma anabolizantes. Já chega de tanto exercício físico. Tiro de campo o meu corpinho de poeta tísico. Nada mal para quem deseja ser uma árvore. Com a vantagem adicional de que árvores não conversam com pessoas, por mais que alguns insistam.

*Por Eberth Vêncio

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*Fonte: revistabula

O verdadeiro patrimônio: um texto sobre o que realmente importa

Uma história que nos leva a entender o que realmente importa nessa vida!

Um jovem advogado foi indicado para inventariar os pertences de um senhor recém falecido. Segundo o relatório do seguro social, o idoso não tinha herdeiros ou parentes vivos. Suas posses eram muito simples. O apartamento alugado, um carro velho, móveis baratos e roupas puídas.

“Como alguém passa toda a vida e termina só com isso?”, pensou o advogado.

Anotou todos os dados e ia deixando a residência quando notou um porta-retratos sobre um criado mudo.

Na foto estava o velho morto. Ainda era jovem, sorridente, ao fundo, um mar muito verde e uma praia repleta de coqueiros.

À caneta escrito bem de leve no canto superior da imagem lia-se “sul da Tailândia”.

Surpreso, o advogado abriu a gaveta do criado e encontrou um álbum repleto de fotografias. Lá estava o senhor, em diversos momentos da vida, em fotos em todo canto do mundo.

Em um tango na Argentina, na frente do Muro de Berlim, em um tuk tuk no Vietnã, sobre um camelo com as pirâmides ao fundo, tomando vinho em frente ao Coliseu, entre muitas outras.

Na última página do álbum um mapa, quase todos os países do planeta marcados com um asterisco vermelho, indicando por onde o velho tinha passado.

Escrito à mão no meio do Oceano Pacífico uma pequena poesia:

“Não construí nada que me possam roubar.
Não há nada que eu possa perder.
Nada que eu possa tocar,
Nada que se possa vender.

Eu que decidi viajar,
Eu que escolhi conhecer,
Nada tenho a deixar
Porque aprendi a viver.”

Abraço!

*Por Pedro Schmaus

 

 

 

 

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*Fonte: seuamigoguru

Quem não sofre com o fechamento de uma livraria não gosta de livros

Quem não sofre com a crise das livrarias pode gostar de tudo, inclusive de sexo, mas não gosta de livros. O melhor amigo do homem, depois do cachorro e do gato, é o livro, portanto as livrarias

As livrarias são templos para crentes e ímpios. Adquirir livros pela internet é mais fácil, pois não é preciso sair de casa. Mas o frequentador de livrarias é um ser diferente. Eventualmente, até compra obras pelos sites, mas o que gosta mesmo é de andar pelos corredores das livrarias, olhando, folheando e lendo trechos de obras variadas. Busca, por vezes, o conhecido, aquilo que tem certeza que vai adquirir, mas, mexendo nas estantes, acaba descobrindo novidades. O prazeroso desconhecido. Compra, afinal, não apenas um ou dois livros, mas de seis a dez.

A visita às livrarias permite ao leitor o contato com o inusitado. Recentemente, estive na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo. Havia pensado em comprar apenas uma obra, “Livrarias — Uma História da Leitura e de Leitores” (Bazar do Tempo, 296 páginas, tradução de Silvia Massimini Felix), de Jorge Carrión. O livro menciona inclusive a bela livraria de Pedro Herz. Acabei por folhear uma biografia da excelente escritora escocesa Muriel Spark (1918-2006) — “Muriel Spark: The Biography” (Northwestern University Press, 627 páginas), de Martin Stannard —, que Paulo Francis ajudou a divulgar no Brasil, e uma biografia do escritor uruguaio Mario Benedetti (1920-2009). Não levei, porque os preços são impraticáveis, mas depois me arrependi. Ao lembrar que estava lendo “Tantos Caminhos — Autobiografia” (Martins Fontes, 458 páginas, tradução de Hildegard Feist), de Paul Bowles, que adquiri em 13 de outubro de 2001 — há dezessete anos —, pensei: os livros sobre Muriel Spark e Mario Benedetti podem aguardar.

Enquanto esperava Candice Marques de Lima, minha companheira que participava de um seminário na USP, li cerca de 50 páginas de “Mario Benedetti: Un Mito Discretísimo — Biografía” (Alfaguara, 376 páginas), de Hortensia Campanella. Trata-se de uma edição em espanhol. O levantamento da vida do escritor é excelente. Tanto que não percebi, de imediato, que se tratava de um livro “usado” (não sei se lido). A Livraria Cultura estaria colocando livros usados em suas estantes? Não sei. Sugiro ao leitor, ao visitar a unidade da Avenida Paulista, que dê uma olhada. A edição que tive nas mãos é velhíssima, amarelada. Não é nova. Coisas da Estante Virtual? Não se sabe. Afinal, livros novos também, um dia, ficam velhos, amarelados, ressequidos, com aquele cheirinho que irrita as narinas.

Depois da Livraria Cultura, próxima do Mercure onde estava hospedado, visitei e “orei” na Livraria da Vila, na Alameda Lorena, e na Livraria Martins Fontes, na Avenida Paulista. Se a Livraria Cultura quase não tinha lançamentos (agora tem de pagar à vista para as editoras), optando por divulgar best sellers, as outras duas, que estão escapando da crise, são verdadeiros manás-oásis em termos de novidades — inclusive a edição especial do romance “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos. O livro completou 80 anos e reli cerca de 20 páginas, saboreando o cheiro da belíssima edição especial (a Record caprichou). Pode anotar: em termos de permanência literária, pensando mais em qualidade do que em sucesso, “Vidas Secas” continua sendo uma obra-prima poderosa. Parece ter nascido ontem, ou melhor, se disserem que completou 18 anos, e não 80 anos, quem há de duvidar? A prosa é vivíssima, as personagens são ricas, apesar da pobreza em termos materiais.

Folheando “Vidas Secas”, a edição comemorativa, pensei, fissurado por livros e, sobretudo, pela prosa de Graciliano Ramos: “Não há a menor dúvida de que a edição é fantástica, mas, pô, tenho duas edições, ambas devidamente anotadas, inclusive uma edição especial em capa dura. Por que levar mais uma?” Acabei não levando, porque estava com pouco dinheiro, mas senti comichões de Alexandria. Ao reler a prosa desenxabida de Graciliano Ramos — sabendo que desenxabida não é o mote justo para nomeá-la —, lembrei-me de um motorista da Uber, que, sergipano, mora em São Paulo há vários anos. Mas não perdeu a linguagem de seu Estado, de sua cidade. Ele disse a mim e a Candice que um xingamento forte no pequeno Estado do Nordeste é: “Ô seu filho de um cabrunco”. Olhei seu rosto e percebi que não parecia com Fabiano, e sim com Riobaldo.

Na Martins Fontes, descobri, na parte de cima da livraria, que havia uma promoção de livros. Promoção de verdade, parecendo aquelas de sábado na Livraria Bertrand (citada por Jorge Carrión como a mais antiga em funcionamento), a do Chiado, em Lisboa. Pensei: deveria comprar alguns livros e pagar com o cartão de crédito — afinal quem visita livrarias e não compra livros não sai de lá feliz; sai acabrunhado. Acabei adquirindo dois livros, por considerar que ia começar a ler “Jane Bowles — Un Pecadillo Original” (Circe, 413 páginas, tradução de Ángela Pérez), de Millicent Dillon. A autora menciona como amiga de Jane e Paul Bowles a cantora brasileira Elsie Houston, que morava nos Estados Unidos e havia sido casada com um poeta francês. Numa carta, Jane Bowles fala da farofa brasileira (página 79). Leio minha anotação: “17 de julho de 2014, quinta-feira, frio mas sem chuva, sebo da Avenida Corrientes, Buenos Aires”. Pois o livro foi adquirido há quatro anos e só agora está sendo lido. Por isso recomendei-me, contra minha vontade, que comprasse menos livros.

As livrarias são eternas como os diamantes

E se as livrarias acabarem? Felizmente, não acabarão. Ficarão menores, por certo, mas resistirão. A tendência é que as grandes lojas fechem suas portas e seus donos, adiante, abram livrarias menores. Em Goiânia, no Setor Universitário, há uma livraria pequena, mas de excelente qualidade — a Palavrear. O acervo, embora nada amplo, é ótimo. Porque prima-se pela qualidade, não pela quantidade. Encontrei inclusive boas edições de livros publicados em Portugal. Recomendo apenas um espaço mais adequado para poesia, por exemplo, com as ótimas traduções da Editora Iluminuras.

O que acontecerá com a Livraria Saraiva e com a Livraria Cultura? A minha torcida é para que resistam. Os apaixonados por livros preferem a Livraria Cultura, a Livraria da Vila, a Livraria Travessa (no Rio de Janeiro) e, pelo acervo diversificado, a Livraria Martins Fontes. A Livraria Saraiva aposta muito em best sellers, até para tentar sobreviver, mas não é ruim. Pelo contrário, é uma boa livraria. O atendimento nunca foi perfeito, nenhuma livraria tem mais atendimento de alta qualidade — salários baixos e rotatividade impedem a qualificação. Mas o que importa mesmo é o acervo e, no geral, o da Livraria Saraiva nunca foi ruim, embora não seja como o das outras livrarias arroladas.

Por que as grandes livrarias estão em crise no Brasil (nos Estados Unidos também)? Porque o capitalismo “diz” ao empresário: “Você precisa crescer”. Para expandir os negócios, é necessário pegar dinheiro nos bancos e, depois de certo prazo de carência, é obrigatório começar a pagar as parcelas dos empréstimos. Pode-se falar que, no capitalismo, há uma espécie de “armadilha do crescimento”. Uma vez enredado, no abraço da sucuri, não há escapatória. As sedes gigantes, instaladas em shoppings nos quais os preços dos alugueis são estratosféricos e que exigem mão de obra farta, estão com as finanças em frangalhos. Com a recuperação judicial, as livrarias não têm de pagar seus credores — momentaneamente —, sejam editoras, sejam bancos, sejam donos de imóveis.

Os brasileiros estão lendo mais, tanto que editoras portuguesas estão interessadas no mercado do país de Machado de Assis. O Brasil tem mais de 200 milhões de habitantes, enquanto Portugal tem pouco mais de 10 milhões.

Uma livraria que deve 674 milhões de reais, caso da Livraria Saraiva, tem como escapar da falência? Talvez sim. Talvez não. Minha aposta é pelo “sim”, mas a razão sugere que a chance de prevalecer o “não” é muito maior. Se rolando a dívida com a barriga, pagando juros, quando era possível, não estava dando para tocar o negócio de maneira qualitativa — tanto que a dívida chegou a mais de meio bilhão de reais —, como, em recuperação judicial, vai escapar da crise? Com o processo judicializado, fica mais fácil negociar com os credores, que têm de aceitar determinadas regras (não podem pedir bloqueio de contas, por exemplo). Entretanto, como a Livraria Saraiva fará para ter acesso a novos produtos? Basta uma visita à Livraria Saraiva para verificar que praticamente não há lançamentos. A falência não é positiva para ninguém, notadamente para as editoras. A livraria deve R$ 18.638.315,67 para a Editora Companhia das Letras e R$ 18.241.167,49 para a Editora Record. Impagável, praticamente. Bancos sabem contabilizar à perfeição suas perdas (se brincar, viram lucros).

A Livraria Cultura deve menos — 285 milhões de reais. Mesmo assim, é um valor muito alto. Dificilmente terá condições de pagar a dívida e, aparentemente, a família não tem patrimônio suficiente para usá-lo para abatê-la.

Falência à vista? Não é o que espero. Mas o setor livreiro, o que se agigantou, dificilmente terá escapatória se não mudar o modelo de negócio — tornando-se menor e escapando do gigantismo dos shoppings. As livrarias decerto continuarão, ainda que menores, e com a expansão do negócio pela internet — seguindo o trabalho bem-sucedido tanto da Livraria Cultura quanto da Amazon.

Mas diga, leitor: quem não sofre com a crise das livrarias pode gostar de tudo, inclusive de sexo, mas não gosta de livros. O melhor amigo do homem, depois do cachorro e do gato, é o livro, portanto as livrarias.

*Por Euler de França Belém

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*Fonte: revistabula

 

Pearl Jam e The Cult

Nesse feriadão de carnaval em um determinado momento tive a oportunidade de assistir a um show/documentário do Pearl Jam, no Wrigley Field, que é estádio do time do Chicago Cubs (Major League Baseball) – time do qual o vocalista da banda, Eddie Vedder, é um fanático torcedor. O interessante dessa história é que o time estava na busca de um título da chamada “Série Mundial da Liga” desde 1908, ou seja, estavam “na fila” por esse título há 108 anos, isso porque finalmente ganharam o título em 2016, sendo então que o show que menciono é de certa forma comemorativo ao fato.

Então temos o seguinte quadro, Eddie Vedder e sua banda Pearl Jam, numa emocionante apresentação junto a um estádio muito famoso e tradicional para a história do baseball americano. Em função disso misturam algumas cenas e histórias do time, mostram cenas de bastidores do estádio, de jogos também e essas coisas. Um evento bacana e que os americanos sabem explorar muito bem. Mas o interessante é que o baixista da banda Jeff Ament, está usando no show uma camiseta de uma outra banda que eu também curto bastante, o The Cult, do álbum Love (um clássico). Entendo sempre como uma bela reverência de um músico para com outros colegas músicos/bandas, os quais ele curte. Foi uma grata surpresa isso, até porque não me ocorria essa ligação assim entre as bandas Pearl Jam x The Cult, sendo que sou fan de ambas. Enfim, gosto dessa atitude, ainda mais quando se trata de grandes nomes do rock envolvidos. Tanto que fiz até uma foto dele com a camiseta, porque queria enviar para alguns amigos no whatsapp, comentando justamente isso. E tem ainda o Eddie Vedder com a sua famosa Telecaster com o adesivo da seta, que eu tbém curto bastante. É que sou fissurado por esse modelo de guitarra da Fender, mas daí isso já é uma outra história e nem cabe aqui agora.

Se procurar direitinho no Youtube você facilmente encontra esse show/vídeo na íntegra.
*Em tempo – sempre quis ter essa camiseta da banda!

E já que mencionei Pearl Jam em um estádio, sim, eu assisti ao show deles no Estádio do Zequinha (Passo D’Areia), como carinhosamente se chama o estádio do time do São José de Porto Alegre, na Tour dos 20 anos da banda. Interessante também e data simbólica desse show – 11/11/11, e vou te dizer, foi um dia e show incrível, boas lembranças.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Adeus Boechat!

Não se vive mais, só se enterra. Por que tantas mortes? Já não havia como suportar a população dizimada de Brumadinho, os dez adolescentes sacrificados no ninho do Urubu, as sete vítimas do dilúvio do Rio, e, agora, mais essa lâmina cortando a nossa voz de novo: morre Ricardo Boechat, 66 anos, um dos melhores jornalistas brasileiros, três prêmios Esso, âncora da rádio BandNews FM, e do Jornal da Band, na TV Bandeirantes.

Ele estava no helicóptero que caiu sobre um caminhão na ligação do Rodoanel com a rodovia Anhanguera, em São Paulo, nesta segunda-feira (11).

Que provação é essa? Que privação é essa? Assistimos a um interminável enterro, um insuportável transporte de caixões com a bandeira brasileira. Caronte não para de carregar almas daqui. Brasil é Hades.

Como serão as nossas manhãs sem a eloquência de Boechat? Ele falava bonito cada notícia, como se estivesse recitando Fernando Pessoa, nunca perdendo a linha de raciocínio, sem cacoete verbal: límpido pensamento sonoro.

Tinha uma máquina de escrever entre os dentes. Soprava páginas e derrubava mitos e preconceitos.

Irônico, argumentativo, combativo, um dos últimos adeptos da retórica do jornalismo. Defendia exaustivamente as suas ideias e apenas se acalmava ao descascar as aparências do poder e descartar todos os pontos de vista. Ganhava a discussão pelo fôlego e pelas metáforas.

Qualquer um conhece Boechat, da tevê ou do rádio ou do jornal (trabalhou nos jornais O Globo, O Dia, O Estado de S. Paulo e JB e foi comentarista no Bom Dia Brasil, da TV Globo): um aristocrata de cabeça lisa, com o olhar confiante e sedutor. Impossível virar os olhos com ele em ação: hipnótico, convincente, impositivo.

Gostava de uma boa briga. Envolvia-se em uma polêmica semana sim e outra também.

Era um duelista à moda antiga, com um lenço dobrado no terno e ferro na lábia, daqueles que ainda se dispunham a lutar para manter a honra e a palavra, custe o que custasse, em confrontos intensamente emocionais contra os desmandos do país.

Até os desafetos respeitavam a sua opinião. Até os adversários não deixavam de ouvir, ver, ler Boechat. Até a morte deve ter pedido desculpa.

*Texto: Fabrício Carpinejar

 

O paradoxo da escolha

Ter escolhas nos dá a sensação de controle, de que as coisas não são impostas a nós. Por isso, já apontou o psicólogo Herbert Lefcourt, ter escolhas é essencial para a nossa vida e bem-estar. Podemos então concluir que quanto mais opções um vendedor der a um comprador, mais feliz e satisfeito ele estará, certo? Na verdade, esse pensamento pode levar o vendedor a perder dinheiro. Em um experimento sobre escolhas, ​foram colocados, em uma loja, dois estandes com amostras de geleias para as pessoas provarem.

O primeiro com 24 opções e o segundo com 6. Conforme o previsto, o curioso estande com 24 tipos de geleia chamou mais a atenção: 60% das pessoas que estavam na loja pararam para vê-lo. Já no estande com menos opções, somente 40% pararam. Só que a curiosidade não foi revertida em vendas, mas teve sim o efeito contrário.

Apenas 3% dos consumidores efetivamente compraram alguma geléia quando pararam no stand com o maior número de opções, enquanto 30% dos consumidores do estande menor compraram um dos produtos. Ou seja, de cada 60 curiosos no primeiro estande apenas 2 compraram, enquanto no segundo estande atrair 40 pessoas resultou em 12 vendas. A autora do livro “A arte da escolha” e uma das criadoras do experimento acima, Sheena Iyengar, demonstrou assim como dar escolhas demais pode ser ruim para os negócios.

Ela explica que, quando as pessoas deparam com muitas opções, as três principais reações são negativas: elas procrastinam o momento da decisão, fazem escolhas piores e ficam menos satisfeitas com o resultado final. Podemos entender o efeito paralisante gerado por uma quantidade de opções com o conceito de “racionalidade limitada”, desenvolvido pelo psicólogo Herbert Simon, ganhador do Prêmio Nobel de Economia.

Ele defendeu que há “limitadas habilidades humanas de compreensão e de cálculo, na presença de complexidade e incerteza”. Ou seja, quando o cenário é complexo, acabamos agindo irracionalmente por não saber como computar corretamente as informações disponíveis. Isso pode resultar em uma escolha ruim ou em escolha nenhuma. Não quer dizer que não podemos dar opções, mas que é melhor prestar atenção na forma como as opções são apresentadas.

Para o cliente, uma ajuda para entender e processar os dados é bem vinda, e Sheena Iyengar dá um outro exemplo que ilustra a solução. Ela conta que, entre apresentar 600 revistas divididas entre 10 categorias ou 400 revistas divididas em 20 categorias, a melhor opção é a segunda. Acontece que quando há 20 categorias no lugar de 10, as revistas foram melhor catalogadas, o que facilita o entendimento e, portanto, o processo de decisão.

Dessa forma o consumidor se sente melhor, mesmo que a quantidade total de opções seja menor. No caso de vendas online, a possibilidade de ter filtros e ordenação também auxilia o cliente a formar sentido das opções e assim poder decidir, e não fugir de uma torrente de opções.

*Por Mariana Rodrigues

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*Fonte: jornal140

Por que a mudança de ano é importante?

As pessoas carecem de motivações para buscar fazer aquilo que não conseguiram antes. De incentivos para tentar superar barreiras que antes foram intransponíveis. De novas oportunidades para tentar de novo.

A passagem de um ano para outro é um “rito de passagem” marcado pela simbologia do fim de um ciclo e recomeço de outro. Nesse rito, deixa-se simbolicamente muitas coisas indesejáveis para trás ou congela-se no passado as experiências cotidianas não fortuitas. As boas e belas experiências são relembradas como se estivessem no fundo de um baú (que podemos esticar os braços e pegar o que nos interessa), ainda que essas tenham ocorrido a poucas horas: antes da zero hora do dia um.

Já dizia Mario Quintana que “bendito
quem inventou o belo truque do calendário, pois o bom da segunda-feira, do dia 1º do mês e de cada ano novo é que nos dão a impressão de que a vida não continua, mas apenas recomeça…”

O poeta usou adequadamente o termo “impressão”. De fato a vida continua; está enquadrada em um contexto estrutural, fruto de uma construção histórica. Pouca coisa depende apenas da boa vontade do indivíduo para mudar, principalmente de um dia para outro. Mas ainda assim precisamos crer que podemos atuar dentro dos limites da limitada liberdade que temos.

Precisamos do “rito do Ano Novo”. Carecemos da falsa ilusão de que será um recomeço. Precisamos de motivação, incentivo e oportunidade para, pelo menos, tentarmos…

*Por Cristiano Bodart

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*Fonte: cafecomsociologia

Essa mulher afirmou ter dormido com mais de 10.000 homens e ela classificou-os em 10 categorias

Gwyneth Montenegro, com 39 anos, foi uma das mais famosas acompanhantes de luxo da Austrália, afirmando ter ido para a cama com mais de 10 mil homens.

Residente de Melbourne, ela atualmente trabalha como behaviorista da intimidade, utilizando suas experiências para ajudar mulheres e garantir que essas não caiam em relacionamentos com o homem errado.

Montenegro revelou que sua vida mudou drasticamente quando, ainda como uma jovem cristã, foi drogada e estuprada por um grupo de homens. O infeliz e criminoso incidente a levou a se tornar uma profissional do sexo, mais especificamente uma “acompanhante de elite”, talvez devido a um grave estresse pós-traumático não tratado.

Ela disse ter ficado surpresa quando pela primeira vez alguém lhe pagou por relações íntimas. No entanto, após ter verificado que a vida escolhida não era nada fácil, desejou que isso não acontecesse com mais ninguém. Agora, está usando sua experiência para ajudar outras mulheres.

Em entrevista à revista Femail, ela afirmou que as mulheres são muito motivadas por suas emoções e coração e costumam desengajar o cérebro e a razão em busca de um final de conto de fadas. Sendo assim, a culpa de terem seus corações partidos é unicamente de cada uma delas.

“Goste ou não, nós mulheres somos enganadas pelos homens por que deixamos”, argumentou. “Nós desligamos nosso cérebro e nos apegamos à zona de conforto e nossas emoções”.

“As mulheres, muitas vezes, desistem de seu controle e entram em um relacionamento em posição de necessidade”, disse ela acrescentando que ainda há muito estigma em torno de ser uma mulher solteira e pressão para estar em um relacionamento.

O objetivo dela então é ajudar as mulheres a evitar relacionamento tóxicos, impedindo que estas busquem apenas validação emocional ao encontrar parceiros apenas pensando nas expectativas sociais.

Em um de seus livros “MEN OUTPLAYED – The Explosive Guide That Reveals Why Men Play Women and What To Do About It”, ela agrupou os homens em 10 categorias:

Homens internos, que são leais e dirigidos por objetivos;

Homens primitivos, pouco íntimos, dominadores e patriarcais por natureza;

Homem prazeroso, caracterizado como o parceiro final com altos níveis de intimidade;

Homem banana, que está sempre aberto a mudanças, é íntimo, leal, amoroso, mas anseia por igualdade;

Homem conquistador, que é o tipo mais comum, charmoso, carismático e faz sucesso com as mulheres;

Homem tóxico e sem emoções, que deve ser evitado a qualquer custo;

Homem não-conformista, que é selvagem e aventureiro;

Homem pretencioso, que está sempre aberto a relacionamentos de longo prazo, anseia por segurança e sempre valoriza a própria opinião;

Homem desiludido, que embora esteja “machucado e com cicatrizes sentimentais” pode ser grande parceiro;

Homem filhote, que está sempre em busca de aventura e pode ser muito difícil de ser acompanhado.

A australiana também publicou o guia The Secret Taboo – The Ultimate Insider’s Guide to Being a Financially Successful Escort, em que revela os métodos que usou para alcançar o sucesso como acompanhante de luxo e como foi passar 12 anos exercendo a profissão.

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*Fonte: jornalciencia

Não quero alguém que morra de amores por mim – Por Mário Quintana

Não quero alguém que morra de amor por mim…
Só preciso de alguém que viva por mim, que queira estar junto de mim, me abraçando.

Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo, quero apenas que me ame, não me importando com que intensidade.
Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim…

Nem que eu faça a falta que elas me fazem, o importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível…

E que esse momento será inesquecível…

Só quero que meu sentimento seja valorizado.

Quero sempre poder ter um sorriso estampando em meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre…
E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor.

Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém… e poder ter a absoluta certeza de que esse alguém também pensa em mim quando fecha os olhos, que faço falta quando não estou por perto.

Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras, alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho…

Que a esperança nunca me pareça um “não” que a gente teima em maquiá-lo de verde e entendê-lo como “sim”.

Quero poder ter a liberdade de dizer o que sinto a uma pessoa, de poder dizer a alguém o quanto ele é especial e importante pra mim, sem ter de me preocupar com terceiros…

Sem correr o risco de ferir uma ou mais pessoas com esse sentimento.

Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão… que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades e às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim… e que valeu a pena!!”

(Mário Quintana)

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*Fonte: osegredo

As mentiras da personalidade são um fardo muito pesado para a essência, para a alma

Nenhum relacionamento pode crescer se você continuar evitando se expor. Se você continuar sendo astuto, erguendo salvaguardas, se protegendo, só as personalidades se encontrarão e os centros essenciais continuarão sozinhos. Só a sua máscara estará se relacionando, não você.

Sempre que algo assim acontece, existem quatro pessoas no relacionamento, não duas. Duas pessoas falsas continuam se encontrando, e duas pessoas verdadeiras continuam separadas uma da outra.

Existe um risco. Se você for verdadeiro, ninguém sabe se esse relacionamento será capaz de compreender a verdade, a autenticidade; se esse relacionamento será forte o suficiente para vencer a tempestade.

Existe um risco, e, por causa dele, as pessoas continuam se protegendo. Elas dizem o que deve ser dito, fazem o que deve ser feito. O amor se torna algo como um dever. Mas assim a realidade continua faminta, e a essência não é alimentada, e vai ficando cada vez mais triste.

As mentiras da personalidade são um fardo muito pesado para a essência, para a alma. O risco é real, e não existem garantias, mas eu lhe digo que o risco vale a pena.

No máximo, o relacionamento pode acabar. Mas é melhor se separar e ser verdadeiro do que ser falso e viver com outra pessoa, pois esse relacionamento nunca será gratificante. As bênçãos nunca recairão sobre vocês. Você continuará faminto e sedento, e você continuará se arrastando pela vida, só esperando que algum milagre aconteça.

Para que o milagre aconteça, você precisa fazer alguma coisa: comece sendo verdadeiro, com risco de que o relacionamento não possa ser forte o bastante para resistir a isso. A verdade pode ser dura demais, insuportável, mas nesse caso o relacionamento não vale a pena. Por isso é preciso passar pelo teste.

Depois que for verdadeiro, todo o restante se torna possível. Se você for falso — só uma fachada, uma coisa artificial, um rosto, uma máscara — nada é possível. Porque com o falso, só o falso acontece; com o verdadeiro, só a verdade. “

*Por Osho

Assistir a shows aumenta expectativa de vida, diz estudo

Não é preciso ser um grande cientista ou um sábio para se ter certeza de que experiências prazerosas, de aprendizado e expansão de nossos conhecimentos, fazem bem à saúde. Ainda assim, é um alento quando pesquisas comprovam aquilo que o inconsciente coletivo desconfia e pratica. É o caso do estudo realizado por um professor da Universidade Goldsmith, de Londres, que confirmou que assistir a shows de música ao vivo aumenta nossa expectativa de vida. O efeito, no entanto, vai muito além do mero prazer.

Conduzida pelo professor Patrick Fagan, em parceria com a produtora inglesa O2, a investigação sugere que passar ao menos 20 minutos em um show aumenta em 21% a percepção subjetiva de bem-estar, o que, se mantido em longo prazo, pode ampliar nossa expectativa de vida em até 9 anos. O estudo foi realizado com um grupo de voluntários, que tiveram sua saúde monitorada como um todo, tanto física quanto mental.

A pesquisa comparou três atividades distintas entre os voluntários: passear com um cachorro, praticar yoga e ir a um concerto. O grupo que foi assistir música ao vivo aumentou em 25% sua autoestima com relação aos demais, tendo também um acréscimo de 75% em sua atividade mental.

Outros estudos corroboram o resultado da pesquisa inglesa, como o experimento realizado no ano passado com mil australianos, que comprovou que frequentar shows regularmente leva a uma vida mais longa e feliz. Ir a um show ou um concerto, portanto, não é somente uma questão de lazer ou prazer: é se preocupar com a própria saúde, como a ciência comprova.

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*Fonte: reverb

A renúncia é a libertação. Não querer é poder

Que me pode dar a China que a minha alma me não tenha já dado? E, se a minha alma mo não pode dar, como mo dará a China, se é com a minha alma que verei a China, se a vir? Poderei ir buscar riqueza ao Oriente, mas não riqueza de alma, porque a riqueza de minha alma sou eu, e eu estou onde estou, sem Oriente ou com ele.

Compreendo que viaje quem é incapaz de sentir. Por isso são tão pobres sempre como livros de experiência os livros de viagens, valendo somente pela imaginação de quem os escreve. E se quem os escreve tem imaginação, tanto nos pode encantar com a descrição minuciosa, fotográfica a estandartes, de paisagens que imaginou, como com a descrição, forçosamente menos minuciosa, das paisagens que supôs ver. Somos todos míopes, excepto para dentro. Só o sonho vê com (o) olhar.

No fundo, há na nossa experiência da terra duas coisas — o universal e o particular. Descrever o universal é descrever o que é comum a toda a alma humana e a toda a experiência humana — o céu vasto, com o dia e a noite que acontecem dele e nele; o correr dos rios — todos da mesma água sororal e fresca; os mares, montanhas tremulamente extensas, guardando a majestade da altura no segredo da profundeza; os campos, as estações, as casas, as caras, os gestos; o traje e os sorrisos; o amor e as guerras; os deuses, finitos e infinitos; a Noite sem forma, mãe da origem do mundo; o Fado, o monstro intelectual que é tudo… Descrevendo isto, ou qualquer coisa universal como isto, falo com a alma a linguagem primitiva e divina, o idioma adâmico que todos entendem.

Mas que linguagem estilhaçada e babélica falaria eu quando descrevesse o Elevador de Santa Justa, a Catedral de Reims, os calções dos zuavos, a maneira como o português se pronuncia em Trás-os-Montes? Estas coisas são acidentes da superfície; podem sentir-se com o andar mas não com o sentir. O que no Elevador de Santa Justa é universal é a mecânica facilitando o mundo. O que na Catedral de Reims é verdade não é a Catedral nem o Reims, mas a majestade religiosa dos edifícios consagrados ao conhecimento da profundeza da alma humana. O que nos calções dos zuavos é eterno é a ficção colorida dos trajes, linguagem humana, criando uma simplicidade social que é em seu modo uma nova nudez. O que nas pronúncias locais é universal é o timbre caseiro das vozes de gente que vive espontânea, a diversidade dos seres juntos, a sucessão multicolor das maneiras, as diferenças dos povos, e a vasta variedade das nações.

Transeuntes eternos por nós mesmos, não há paisagem senão o que somos. Nada possuímos, porque nem a nós possuímos. Nada temos porque nada somos. Que mãos estenderei para que universo? O universo não é meu: sou eu.

s.d.
Livro do Desassossego por Bernardo Soares. Vol.II. Fernando Pessoa. (Recolha e transcrição dos textos de Maria Aliete Galhoz e Teresa Sobral Cunha. Prefácio e Organização de Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: Ática, 1982. – 390.

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*Fonte: revistapazes

Em direção a um mundo sem dinheiro vivo

A China encabeça a tendência mundial de pagamentos digitais e 14% da população do país já sai de casa sem carteira. A Europa segue essa tendência com força. Seja através do celular, de relógios inteligentes ou de plataformas da internet, os usuários buscam transações mais rápidas, seguras e cômodas. Estaríamos presenciando o fim da história do dinheiro vivo?

A cada manhã, Yang Wen sai de sua casa em Chengdu (sudoeste da China) com sua bolsa, um casaco, mas sem dinheiro. No caminho da Trias, a empresa de videogames onde trabalha como assistente do diretor-geral, ele compra seu café da manhã.

E como faz isso? Ele utiliza seu celular: “Eu uso constantemente nos supermercados, para comprar verduras na feira, para tomar um café com um sanduíche; até quando compro algo que vale um yuan (menos de um real).” Wen, de 29 anos, é apenas um exemplo dos 14% de chineses que vivem sem carteira, segundo o Relatório sobre o Uso do Pagamento Móvel na China 2017, da Tencent e Ipsos. E a tendência é de alta, segundo o estudo.

Mas não precisamos ir tão longe para observar que cada vez mais pessoas deixam a carteira em casa: 86% dos europeus entre 18 e 34 anos são assíduos do dinheiro digital, e nove de cada dez pretende passar a este modelo nos próximos três anos, segundo o último Estudo Anual de Pagamentos Digitais 2017, realizado pela VISA.

A maior parte dos millenials aposta em seus dispositivos móveis como instrumento para controlar suas finanças, comprar on-line e fazer pagamentos cotidianos, como estacionamentos e gastos com diversão.

A Suécia, junto com a Dinamarca, Noruega e Finlândia, lideram o ranking de países que menos dinheiro vivo usam: apenas 1% dos pagamentos são feitos com moedas ou notas. Por trás disso, existe uma clara aposta dos seus governos de conseguir um maior controle das transações para minimizar a lavagem de dinheiro e evasão de impostos.

O aparente caminho a um futuro sem papel moeda está ligado ao boom das soluções tecnológicas e ao auge do setor fintech, como são conhecidas as indústrias financeiras que apostam na tecnologia para aprimorar as atividades do setor. Bancos, empresas de cartões de crédito, multinacionais e startups tecnológicas seguiram essa tendência e oferecem várias alternativas inovadoras. O objetivo é fazer o pagamento da forma mais rápida, fácil e segura possível.

Aplicativos no celular

As principais responsáveis para que um de cada dois chineses utilize dinheiro vivo em 20% dos seus gastos mensais, segundo esse relatório, são as apps de pagamentos: Alipay, que pertence à poderosa Alibaba, e WeChat Pay. “É cômodo e rápido porque exige apenas escanear o código QR do estabelecimento com o telefone; basta aceitarmos a compra e pronto”, conta Wen. E por saber que esses códigos de barras bidimensionais (e os próprios celulares) em pouco tempo serão obsoletos, o Alipay já está provando, e com sucesso, o pagamento através do reconhecimento facial, que foi batizado com o curioso nome de Smile to Pay (Sorria para pagar).

Espaços onde comprar sem dinheiro

A China parece disposta a ser a incubadora mundial de iniciativas cashless (sem dinheiro vivo), e outro experimento parecido são os BingoBox, supermercados portáteis, como se fossem máquinas de vendas gigantes, nas quais podemos viver a experiência de comprar sem cartão de crédito nem dinheiro vivo, e sem ser atendido por ninguém.

Por enquanto, o êxito foi tanto que já existem 300 espalhados pelas grandes cidades do país. Essa mesma filosofia colocou em funcionamento o Amazon Go, primeira loja de alimentação da multinacional Amazon, que abriu suas portas em Seattle (EUA). Nela, nos registramos com o celular, escolhemos o que precisamos e vamos embora. Sem filas, caixas nem pagamento com dinheiro vivo.

Wearables além do celular

Os dispositivos físicos que fazem transações simplesmente ao serem aproximados do terminal de pagamento já são uma realidade: e podem ser celulares ou outros gadgets wearables. Entre eles, podemos encontrar os relógios criados pela Swatch, os anéis a prova d’água e as pulseiras de silicone que já são oferecidas por várias entidades. Até a VISA desenvolveu um protótipo de óculos de sol com um chip integrado e vinculado ao cartão de um banco.

Carteiras digitais e compras on-line

Outras tecnologias que já estão bem implementadas em empresas como Amazon, Google Play e Itunes são os sistemas de Card on File, no qual as páginas web armazenam os detalhes de pagamento do usuário para que seja possível fazer compras com apenas um clique. Também são muito populares o PayPal e Iupay e suas “carteiras digitais”, que funcionam como se fossem uma carteira virtual quando temos um computador, uma tablet ou um smartphone à mão.

Criptomoedas

Outro tsunami que parece minar o tempo de vida do dinheiro vivo é a forte irrupção das criptomoedas, com o Bitcoin à frente. Criado em 2009 pelo misterioso Satoshi Nakamoto, não é mais (nem menos) que um arquivo informático que, após ser comprado na internet, fica guardado no seu dispositivo eletrônico. De todas as propostas virtuais, essa é a mais parecida ao dinheiro vivo, mas no mundo digital.

Isso acontece porque cada unidade é numerada de maneira única e existe um livro de contabilidade descentralizado que registra todas as transações e evita que seja possível utilizá-la duas vezes. Pese à recente queda do seu valor, os bitcoins, que custavam 750 dólares por unidade no final de 2016, passaram a superar 15 mil dólares em dezembro de 2017. Seu possível impacto sobre um hipotético desaparecimento do dinheiro vivo (assim como a identidade do seu criador) é algo desconhecido.

Rapidez, segurança, comodidade, luta contra a fraude fiscal. São várias as vantagens que as novas tecnologias oferecem para deixar o dinheiro vivo para trás. Porém, será o usuário e sua relação com as tecnologias digitais, quem decidirá o fim do papel e do metal.

*Por Elvira del Pozo

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*Fonte:

Elimine de sua vida o hábito de reclamar. É a gratidão que vai transformar a sua vida

A gratidão é uma das mais poderosas ferramentas para elevar a vibração que você pode praticar.
Viver lamentando da vida e reclamando das pessoas e situações a sua volta não vai ajudar em nada.

Quem vive lamentando está gerando uma energia contrária ao sucesso e à felicidade.

Ser grato pode ser uma ferramenta poderosa para transformar a sua vida.
Somos um corpo energético, cada molécula do corpo humano na verdade é uma vibração de energia. O átomo quando muda o seu estado, está absorvendo e emitindo frequências eletromagnéticas. Hoje já se sabe que diferentes estados de emoção, percepção e sentimentos resultam em diferentes frequências eletromagnéticas.

Reclamar da vida e dos outros, causa insatisfação geral e cria um campo magnético na mesma frequência, atraindo pessoas e situações que trazem mais insatisfação e desconforto. Assim trabalha o universo, pois traz em retorno aquilo que emitimos.

Elimine de sua vida o hábito de olhar o lado ruim das pessoas e das situações. É possível que, hoje, você veja seus obstáculos e tenha se tornado um especialista em reclamar e não em agradecer. Por isso, não consegue deixar de falar da crise financeira, das pessoas que o machucam e das frustrações da vida.

Ser grato auxilia a reduzir o estresse, a ansiedade e a depressão. Ameniza as situações adversas, deixando-as mais leves, além de provocar o sentimento de valor ao que se tem, e menos frustração pelo que não tem.

Quando nos concentramos no que nos falta, nós criamos bloqueios e limitações. Ficamos aprisionados pela vibração da nossa energia negativa. Como resultado, nós atraímos o que pensamos, o que neste caso é a negatividade.

Comece a observar as pequenas coisas a sua volta, muitas delas são fundamentais para sua sobrevivência. O ar que você respira, a água, o sol, a chuva, o dia, a noite, etc. Você já agradeceu por isso hoje? Não fique esperando acontecimentos espetaculares para sentir gratidão, seja grato pelas pequenas coisas do seu dia a dia.

A gratidão torna a vida mais alegre, agradável e gloriosa. E ela precisa ser cultivada e expressa, mesmo em situações aparentemente desfavoráveis.

Mesmo que a nossa volta pareçam existir milhares de motivos para reclamações, devemos olhar por outro foco e assim encontrar motivos para ser gratos.

A gratidão é uma das mais poderosas ferramentas para elevar a vibração que você pode praticar. Um exercício fundamental para o seu crescimento é ser grato por pessoas e situações em sua vida que o tiram do sério e o irritam. Descubra por que irritam tanto. Considere a possibilidade de que eles podem estar agindo como um espelho para mostrar aspectos de si mesmo que precisa mudar.

O que nós precisamos saber é que todos temos potencial, inteligência, energia e capacidade para sermos felizes. Mas precisamos dar os comandos corretos para nossa mente, para que ela possa acionar nossos talentos mais apropriados em cada situação, tornando-nos o mais eficientes, mais plenos, mais inteiros em cada um dos projetos a que nos propusermos realizar.

Um dos principais ingredientes da felicidade é sermos grato por tudo aquilo que temos e pelas pessoas que enriquecem as nossas vidas.
SOU GRATO!

*Por Wilson Pereira Figueredo

 

 

 

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*Fonte: osegredo

I’ve Got Some Things to Say

Com o objetivo de dar aos jogadores espaço para contarem detalhes íntimos de sua história pessoal e profissional, o The Players Tribune ficou conhecido no mundo todo. Hoje você confere a história impressionante e comovente de Romelu Lukaku.

>> Você confere o texto original, em inglês, aqui

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Eu lembro exatamente do momento em que estávamos sem dinheiro. Eu consigo visualizar o rosto da minha mãe olhando para a geladeira.

Eu tinha 6 anos, quando cheguei em casa para almoçar durante o intervalo na escola. Minha mãe tinha a mesma coisa no cardápio todo dia: pão e leite. Quando você é criança, você nem pensa nisso. Mas eu acho que é o que poderíamos pagar.

Então, em um determinado dia, eu cheguei em casa, entrei na cozinha e vi minha mãe com uma caixa de leite perto da geladeira, como normalmente. Mas, dessa vez, ela estava misturando algo com isso. Eu não entendi o que estava acontecendo.

Então, ela trouxe meu almoço e sorriu para mim como se tudo estivesse bem, mas eu percebi logo que o que estava acontecendo.Ela estava misturando água com leite. Nós não tínhamos dinheiro suficiente para o leite durar a semana toda.

Nós não tínhamos nada. Não éramos só pobres, não tínhamos nada.

Meu pai foi um jogador profissional de futebol, mas ele estava no fim da carreira, e o dinheiro já tinha acabado. A primeira coisa a “ir embora” foi a TV a cabo. Acabou o futebol, acabou o “Match of the day” (programa sobre futebol). Sem sinal.

Então, eu chegaria em casa à noite e as luzes estavam apagadas. Sem eletricidade por duas ou três semanas às vezes.

Aí eu queria tomar um banho, e não tinha água quente. Minha mãe pegava uma chaleira com água, aquecia no fogão e eu ficava com uma caneca para derrubar a água quente em mim e poder tomar banho.

Algumas vezes, a minha mãe precisava pagar fiado o pão da padaria da rua. Os padeiros conheciam eu e meu irmão, então eles deixavam pegar um pouco do pão na segunda-feira e pagar na sexta-feira.

EU SABIA QUE ESTÁVAMOS COM DIFICULDADES. MAS QUANDO ELA ESTAVA MISTURANDO ÁGUA COM LEITE, EU PERCEBI QUE JÁ ERA, ENTENDE O QUE EU DIGO? ESSA ERA A NOSSA VIDA.

Eu não disse uma palavra. Eu não queria vê-la estressada. Eu só comi meu almoço. Mas eu juro por Deus, que fiz uma promessa a mim mesmo. Foi como se alguém tivesse estalado os dedos e me acordasse. Eu sabia exatamente o que tinha que fazer e o que ia fazer.

Eu não poderia ver minha mãe vivendo assim. Não, não, não. Não poderia ver isso.

As pessoas no futebol adoram falar sobre “força mental”. Bem, eu sou o cara mais durão que você vai conhecer. Porque eu lembro de sentar no escuro com meu irmão e minha mãe fazendo a nossa prece e pensando, acreditando, sabendo… que ia acontecer.

Eu guardei minha promessa só para mim por algum tempo. Mas alguns dias eu chegaria em casa da escola e via minha mãe chorando. Então, finalmente, um dia, eu contei a ela.

“MÃE, AS COISAS VÃO MUDAR. VOCÊ VAI VER. EU VOU JOGAR FUTEBOL PELO ANDERLECHT, E VAI ACONTECER LOGO. EU E MEU IRMÃO VAMOS NOS DAR BEM. VOCÊ NÃO VAI PRECISAR SE PREOCUPAR”.

Eu tinha seis anos. Perguntei ao meu pai “Quando você pode começar a jogar futebol profissionalmente?”. Ele disse: “16 anos”. Eu disse: “Ok, 16 anos então, isso vai acontecer, ponto.

Deixa eu te dizer uma coisa – todo jogo que eu jogava era uma final. Quando eu jogava no parque era uma final. Quando eu jogava no intervalo do jardim de infância, era uma final. Eu estou falando isso muito sério.

Eu costumava arrancar o couro da bola toda vez que chutava. Força total. A gente não apertava R1, não, cara. Eu não tinha o novo FIFA. Não tinha Playstation. Eu não estava jogando por jogar. Eu estava tentando acabar com você.

Quando eu comecei a ficar alto, alguns professores e pais começavam a me irritar. Nunca vou esquecer da primeira vez que ouvi adultos falando para mim, “Ei, quantos anos você tem? Em que ano você nasceu?”.

Eu falava: “Sério? Você está falando sério?”.

Quando eu tinha 11 anos, estava jogando na base do Lièrse, e um dos pais do time adversário literalmente tentou me impedir de entrar no campo. Ele estava “Quantos anos esse garoto tem? Cadê a identidade dele? De onde ele é?”.

Eu pensei “De onde eu sou? Quê? Eu sou da Antuérpia. Eu sou da Bélgica”.

Meu pai não estava lá porque ele não tinha carro para me levar aos jogos fora de casa.

Eu estava sozinho e tinha que me defender sozinho. Eu fui, peguei minha identidade na mochila e mostrei a todos os pais presentes. Ele passavam meu documento um a um para inspecionar e lembro o sangue subindo à cabeça deles. Aí eu pensava:

“Ah, eu vou acabar com o seu filho ainda mais agora. Eu já ia acabar com ele, mas vou acabar com ele ainda mais. Você vai levar seu filho chorando para casa”.

 

O maior arrependimento

Eu queria ser o melhor jogador da história da Bélgica. Aquele era meu objetivo. Não um jogador bom. Não um ótimo jogador. O melhor. Eu jogava com tanta raiva por causa de tanta coisa. Pelos ratos que entravam no nosso apartamento, porque eu não poderia assistir a Champions League, por causa de como os pais dos outros garotos me olhavam.
Eu tinha uma missão. Quando eu tinha 12 anos, marquei 76 gols em 34 jogos.

Eu marquei todos usando as chuteiras do meu pai. Quando nossos pés eram do mesmo tamanho, passamos a dividir. Um dia eu fui conversar com meu avô, o pai da minha mãe. Ele era uma das pessoas mais importantes da minha vida.

Ele era a minha relação com o Congo, país que meus pais nasceram. Então, um dia, eu liguei para ele e disse “Eu vou me dar bem. Marquei 76 gols e vencemos o campeonato. Os grandes times estão de olho em mim”. E, como sempre, ele falava que queria ouvir sobre o meu futebol. Mas dessa vez foi estranho. Ele disse: “Sim, Rom, que ótimo, mas você pode me fazer um favor?”.

Eu disse: “Claro, o que é?”

Ele falou: “Pode cuidar da minha filha, por favor?”

Eu lembro de estar muito confuso, pensando “o que o vovô tá falando?”.Eu falei: “Minha mãe? Estamos bem, está tudo bem”.

Ele disse: “Não, me prometa. Você pode me prometer? Cuida da minha filha por mim, ok?”

Eu falei: “Ok, vô, pode deixar. Eu prometo”.

Cinco dias depois, ele faleceu.

Aí eu entendi o que ele quis dizer.

Eu fico muito triste quando penso nisso porque eu queria que vivesse mais quatro anos para me ver jogar no Anderlecht. Para ver que eu cumpri minha promessa, sabe? Ver que tudo ia ficar bem.

Eu disse para a minha mãe que ia conseguir isso aos 16 anos. Eu errei a previsão por 11 dias.

24 de maio de 2009. A final entre Anderlecht e Standard Liège. Foi o dia mais louco da minha vida. Mas temos que voltar um minuto porque no começo da temporada, eu mal estava jogando pelo sub-19 do time.

Ele estava sempre me colocando para jogar saindo do banco de reservas. Eu ficava pensando “Como vou conseguir assinar meu contrato profissional no meu aniversário de 16 anos se sou reserva do sub-19 do time?”

Então eu apostei com o técnico. Eu disse a ele “Eu te prometo uma coisa. Se você me colocar para jogar, vou marcar 25 gols até dezembro”. Ele riu. Ele literalmente riu de mim.

Eu disse a ele: “Então faremos uma aposta”

Ele respondeu: “Ok, se você não fizer 25 gols até dezembro, você volta ao banco”.

Eu respondi a ele: “Tudo bem, mas se eu vencer, você vai mandar limpar as minivans que levam os jogadores do treino”.

Ele disse: “Ok, estamos em acordo”.

Eu ainda disse: “Ah, tem mais uma coisa. Você vai fazer panquecas para o time todo dia”.

Ele falou: “Ok, tudo bem”.

Aquela foi a aposta mais burra que aquele cara já fez. Eu marquei 25 gols e ainda estávamos em novembro. Nós estávamos comendo panquecas antes do Natal, cara. Que isso vire uma lição. Você não pode brincar com um garoto que está com fome!

Romelu Lukaku lembra do seu primeiro gol

Eu assinei meu contrato profissional no dia do meu aniversário, 13 de maio. Fui direto comprar o novo Fifa e um pacote de TV paga.

Já era o final da temporada então eu estava tranquilo em casa. Mas o Campeonato Belga estava louco naquele ano porque Anderlecht e Standard Liège terminaram a competição com a mesma pontuação. Então, precisaram de dois jogos para definir o campeão.

No primeiro jogo, eu estava em campo vendo TV como um torcedor. Um dia antes da segunda partida, eu recebo uma ligação do técnico do time reserva.

“Alô?”

“Oi, Lukaku, o que você está fazendo?”

“Vou jogar bola no parque”.

“Não, não, não, arrume suas coisa. Agora mesmo”

“O que? O que eu fiz?”

“Não, não, não, você precisa vir ao estádio agora. O time principal precisa de você agora”.

“Cara… que?! Eu?!”

“É, você mesmo. Venha pra cá agora”

Eu simplesmente corri para o quarto do meu pai e estava como “Cara, vem para cá agora, você tem que vir”.

Ele disse: “O quê? Onde? Ir para que lugar?”

Eu disse: “ANDERLECHT, CARA”

Eu nunca vou esquecer, eu apareci no estádio e corri para o vestiário. O roupeiro me perguntou: “E aí, garoto, qual número você quer?”

Eu disse: “Me dá o número 10”.

O roupeiro disse: “Ok, garoto, que número você quer?”. Eu voltei a responder: “Me dá a 10”. Hahahaha Eu não sei, eu era muito novo para ficar assustado.

Ele disse: “Jogadores da base precisam escolher números acima de 30”.

Eu disse: “Ok, bem, 3 + 6 = 9. Esse é um número legal, então me dá a 36”.

Naquela noite no hotel, os jogadores mais velhos me fizeram cantar uma música para eles no jantar. Eu não lembro qual escolhi. Minha cabeça estava girando.

Na manhã seguinte, meu amigo bateu na porta da minha casa para saber se eu queria jogar futebol com ele, e a minha mãe respondeu. “Ele saiu para jogar”.

“Jogar onde?”

Minha mãe respondeu: “A final”.
Nós saímos do ônibus para o estádio, e cada jogador entrava com uma roupa muito legal. Menos eu. Eu saí do ônibus com uma roupa horrível, e todas as câmeras de TV filmavam meu rosto.

O caminho até o vestiário era de 300 metros. Quando eu coloquei meu pé no vestiário, meu telefone começou a tocar sem parar. Todos me viram na TV. Eu tive 25 mensagens em 3 minutos. Meus amigos estavam loucos.

“Cara! VOCÊ ESTÁ NO JOGO?!””Lukaku, o que está acontecendo? Por que você está na TV?”

A única pessoa que eu respondi foi meu melhor amigo. Eu disse “Cara, eu não sei se vou jogar. Eu não sei o que está acontecendo. Mas fica ligado na TV”.

No minuto 63, o técnico me colocou no jogo. Eu entrei no gramado pela primeira vez como jogador profissional do Anderlecht aos 16 anos e 11 dias.

Nós perdemos a final aquele dia, mas eu estava no paraíso. Eu cumpri minha promessa com minha mãe e meu avô. Aquele foi o momento em que eu soube que tudo ia ficar bem.

A temporada seguinte eu estava terminando o último ano do colégio e jogando a Europa League ao mesmo tempo. Eu levava uma mochila grande para a escola para poder pegar um voo à tarde. Nós vencemos o campeonato com folga, e eu terminei em segundo como o melhor jogador africano do ano. Aquilo foi…loucura.

Eu realmente esperava que tudo isso ia acontecer, mas talvez não tão rápido. De uma hora para outra, a mídia estava falando de mim e colocando todas essas expectativas sobre mim. Especialmente em relação à seleção belga. Não sei por qual razão, mas eu não estava jogando bem pela Bélgica. Não estava dando certo.

Mas, cara, vamos lá. Eu tinha 17! 18! 19!

 

Quando as coisas estavam caminhando bem, eu li as reportagens dos jornais e eles estavam me chamando de Romelu Lukaku, o atacante belga.

Quando as coisas não estavam bem, eles me chamavam de Romelu Lukaku, o atacante belga de origem congolesa.

Se você não gosta do jeito que eu jogo, tudo bem. Mas eu nasci na Bélgica. Eu cresci na Antuérpia, Liège e Bruxelas. Eu sonhei em jogar pelo Anderlecht. Eu sonhei em ser Vincent Kompany. Eu consigo começar uma frase em francês e terminar em holandês, e posso jogar umas palavras em espanhol ou português ou Lingala, dependendo do bairro onde eu estava.

Eu sou belga.

Todos somos belgas. É isso que faz esse país legal, sabe?

Eu não sei porque algumas pessoas no meu país querem me ver fracassar. Eu não sei mesmo. Quando eu fui para o Chelsea eu não estava jogando e ouvia rirem de mim. Quando eu fui emprestado ao West Brom, eu ouvi rirem de mim.

Mas tudo bem. Aquelas pessoas não estavam comigo quando a minha família estava colocando água no meu cereal. Se você não estava comigo quando eu não tinha nada, então você não pode me entender.

Você sabe o que é engraçado? Eu perdi 10 anos de Champions League quando criança. Não podíamos pagar. Eu ia para a escola e as crianças falavam da final, e eu não tinha ideia do que tinha acontecido. Lembro que, em 2002, o Real Madrid enfrentou o Bayer Leverkusen, e todos estavam reagindo: “Nossa, aquele voleio! Meu deus, aquele voleio”

Eu tinha que fingir que estava tudo bem.

Duas semanas depois, estávamos na sala de computadores da escola, e um dos meus amigos baixou um vídeo da Internet, e eu finalmente pude ver o voleio de Zidane com a perna esquerda.

Naquele verão, eu fui até a casa dele para ver o Ronaldo Fenômeno jogar a final da Copa do Mundo. Tudo o que aconteceu antes no Mundial eu só tinha ouvido dos garotos e garotas da escola.

Hahaha, eu lembro que tinham grandes buracos nos meus tênis em 2002. Grandes buracos.

Doze anos depois, eu ESTAVA na Copa do Mundo.

Agora vou jogar outra Copa do Mundo, e meu irmão Jordan Lukaku está comigo dessa vez. Dois garotos da mesma casa, da mesma situação adversa e que conseguiram superar.

Você quer saber? Eu vou lembrar de me divertir dessa vez. A vida é muito curta para estresse e drama. As pessoas podem dizer o que quiser sobre o nosso time e eu.

Cara, me escuta – quando éramos crianças, não podíamos ver Thierry Henry no programa Match of the Day. Agora estamos aprendendo com ele, que faz parte da comissão técnica da Bélgica.

Eu estou com uma lenda e ele está me ensinando a correr no espaço como ele mesmo fazia.

Ele pode ser o único cara do mundo que assiste mais futebol que eu. Nós falamos sobre tudo. Nós estamos juntos falando sobre a Segunda Divisão da Alemanha.

“Thierry, você viu o Fortuna Düsseldorf?”

“Claro, Rom, não seja bobo, eu vi sim”.

Essa é a coisa mais legal do mundo para mim.

Eu gostaria muito, muito mesmo, que meu avô pudesse testemunhar isso.

Não estou falando de jogar a Premier League. No Manchester United. Jogar a Champions League. A Copa do Mundo.

Não é isso que eu falo. Eu só gostaria que ele estivesse aqui para ver a vida que temos agora. Eu gostaria de ter mais um telefonema com ele e eu poderia dizer…

“Viu? Eu te disse. Sua filha está bem. Nada de ratos no nosso apartamento. Nada de dormir no chão. Nada de preocupação. Estamos bem agora. Estamos bem…Eles não precisam checar meus documentos agora. Agora, eles sabem meu nome”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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*Fonte: plbrasil

A idiotização da sociedade como estratégia de dominação, por Fernando Navarro

As pessoas estão tão comprometidas com o sistema estabelecido, que são incapazes de pensarem em alternativas contrárias aos critérios impostos pelo poder.

Para conseguir isso, o poder se vale do entretenimento a partir do vazio, com o objetivo de aumentar nossa sensibilidade social fazendo com que nos acostumemos a ver a vulgaridade e a estupidez como as coisas mais normais do mundo, incapacitando-nos para alcançarmos uma consciência crítica da realidade.

No entretenimento vazio, o comportamento desagradável e desrespeitoso é considerado positivo, como vemos constantemente na televisão, nos programas que são lixos chamados “do coração”, e nos encontros de espetáculos em que os gritos e a falta de respeito são a norma, o futebol, a forma mais completa e eficiente que o sistema estabeleceu para converter a sociedade.

Nesta subcultura do entretenimento vazio, o que é promovido é um sistema baseado nos valores do individualismo possessivo, no qual a solidariedade e o apoio mútuo são considerados ingênuos. No entretenimento vazio, tudo é projetado para que o indivíduo suporte estoicamente o sistema estabelecido sem questionar. A história não existe, o futuro não existe; apenas o presente e a satisfação imediata que o entretenimento vazio procura. Por isso não é estranho que se proliferem os livros de autoajuda, autêntica porcaria psicológica, o misticismo à Coelho, ou variantes infinitas do clássico “como se tornar um milionário sem esforço”.

Em última análise, o que está envolvido no entretenimento vazio é convencer-nos de que nada pode ser feito: que o mundo é como está e é impossível mudá-lo e que o capitalismo e o poder opressivo do Estado são tão naturais e necessários como a força da própria gravidade. Por isso, é comum ouvir: “É algo muito triste, é verdade, mas sempre houve oprimidos pobres e ricos opressores e sempre haverá. Não há nada que possa ser feito.”.

O entretenimento vazio alcançou o feito extraordinário de fazer com que os valores do capitalismo também sejam os valores daqueles que são escravizados por ele. Isso não é algo recente, La Boétie, naquele distante século XVI, viu claramente, expressando seu estupor em seu pequeno tratado de servidão voluntária, no qual ele declara que a maioria dos tiranos perdura apenas por causa da aquiescência dos próprios tiranizados.

O sistema estabelecido é muito sutil, com suas estupidezes, forja nossas estruturas mentais, e para isso, usa o púlpito que todos temos em nossas casas: a televisão. Nela não há nada que seja inocente; em todos os programas, em todos os filmes, em todas as notícias, sempre inculta os valores do sistema estabelecido, e sem perceber, fazendo com que as pessoas acreditem que a vida real é assim. Desta forma, introduz os valores que se deseja em nossas mentes.

O entretenimento vazio existe para esconder a evidente relação entre o sistema econômico capitalista e as catástrofes que assolam o mundo. Por isso, é necessário que exista o espetáculo do tipo vácuo: para que enquanto o indivíduo se autodegrada revirando-se no lixo que a televisão exerce sobre ele, nao veja o óbvio, não proteste e continue permitindo que os ricos e poderosos aumentem seu poder e riqueza, enquanto os oprimidos do mundo continuam sofrendo e morrendo em meio às existências miseráveis.

Se continuarmos permitindo que o entretenimento vazio continue modelando nossa consciência e, portanto, o mundo à sua vontade, acabará destruindo-nos. Porque seu objetivo não é senão criar uma sociedade de homens e mulheres que abandonem os ideais e aspirações que os fazem rebeldes, para se contentar com a satisfação das necessidades induzidas pelos interesses das elites dominantes.

Assim, os seres humanos são despojados de toda personalidade, transformados em animais vegetativos, com a desativação da antiga noção de lutar contra a opressão, se tornam atomizados em um enxame de desenfreados egoístas, desta forma, as pessoas ficam sozinhas e desvinculadas entre elas mais do que nunca, absorvidas na auto-exaltação.

Assim, desta forma, os indivíduos não têm mais energia, mudam as estruturas opressivas (que não são percebidas como tais), não têm mais a força ou a coesão social para lutarem por um mundo novo.

No entanto, se queremos reverter esta situação de alienação a que estamos sujeitos, nos resta lutar, como sempre; somente nos toca nos opor aos outros valores diametralmente opostos aos do show vazio, de modo que uma nova sociedade emerge. Uma sociedade em que a vida dominada pelo absurdo do entretenimento vazio seja apenas uma lembrança dos tempos estúpidos, quando os seres humanos permitiram que suas vidas fossem manipuladas tão obscenamente.

 

 

 

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*Fonte: revistaprosaeverso

Seja um idiota – por Arnaldo Jabor

A idiotice é vital para a felicidade.

Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado? Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins.

No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota! Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você. Ignore o que o boçal do seu chefe disse. Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele.

Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto.

Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo,soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça? Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana? Quanto tempo faz que você não vai ao cinema?

É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí,o que elas farão se já não têm por que se desesperar? Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo. Você quer? Espero que não.

Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas… a realidade já é dura; piora se for densa. Dura, densa, e bem ruim. Brincar é legal. Entendeu? Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço,não tomar chuva.

Pule corda! Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte. Ser adulto não é perder os prazeres da vida – e esse é o único “não” realmente aceitável. Teste a teoria. Uma semaninha, para começar.

Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são: passageiras. Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir… Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!

Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora? A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso cante, chore,dance e viva intensamente antes que a cortina se feche!

Por Arnaldo Jabor

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*Fonte: pensarcontemporaneo

O verdadeiro patrimônio: um texto sobre o que realmente importa

Um jovem advogado foi indicado para inventariar os pertences de um senhor recém falecido. Segundo o relatório do seguro social, o idoso não tinha herdeiros ou parentes vivos. Suas posses eram muito simples. O apartamento alugado, um carro velho, móveis baratos e roupas puídas. “Como alguém passa toda a vida e termina só com isso?”, pensou o advogado. Anotou todos os dados e ia deixando a residência quando notou um porta-retratos sobre um criado mudo.

Na foto estava o velho morto. Ainda era jovem, sorridente, ao fundo um mar muito verde e uma praia repleta de coqueiros. À caneta escrito bem de leve no canto superior da imagem lia-se “sul da Tailândia”. Surpreso, o advogado abriu a gaveta do criado e encontrou um álbum repleto de fotografias. Lá estava o senhor, em diversos momentos da vida, em fotos em todo canto do mundo.

Em um tango na Argentina, na frente do Muro de Berlim, em um tuk tuk no Vietnã, sobre um camelo com as pirâmides ao fundo, tomando vinho em frente ao Coliseu, entre muitas outras. Na última página do álbum um mapa, quase todos os países do planeta marcados com um asterisco vermelho, indicando por onde o velho tinha passado. Escrito à mão no meio do Oceano Pacífico uma pequena poesia:

Não construí nada que me possam roubar.
Não há nada que eu possa perder.
Nada que eu possa tocar,
Nada que se possa vender.

Eu que decidi viajar,
Eu que escolhi conhecer,
Nada tenho a deixar
Porque aprendi a viver.

Abraço!

Pedro Schmaus

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*Fonte: revistapazes

Para enlouquecer com saúde

Vaiar o morto. Contar piadas às carpideiras. Ser convidado, com energia, a se retirar do recinto. Sair de cabeça em pé, levando uma flor entre os dentes. Dizer toda a verdade que lhe vier à telha. Morder a imprópria língua. Envenenar as palavras com doses letais de franqueza. Ser um desanimador de festas infantis. Riscar-se de uma lista de convidados. Pular de uma ponte e sair voando. Contribuir com o futuro do planeta, clamando pela boa pontaria do meteoro. Contentar-se com dois pares de calçados. Economizar água-que-passarinho-não-bebe. Urinar pelos canteiros de casa. Escandalizar a vizinhança com sua nudez domiciliar, o seu território livre. Entrar na pauta da próxima assembleia do condomínio. Passar dias sem tomar banho. Malhar os neurônios com livros de filosofia. Ser, com orgulho, o garoto mais impopular da escola. Escalar o Monte de Vênus sem usar as mãos. Lamber. Lamber. Lamber. Ser parceiro íntimo dos micróbios. Reconhecer-se como um reles microrganismo no âmbito universal e, apesar disso, ir além, exagerar, pular corguinhos com a sua cadeira de rodas. Nadar contra a correnteza. Torcer pelo jacaré num filme de Tarzan. Sacanear, fazer amor consigo mesmo, gozar na boca da noite. Rastejar a esmo numa guerra hercúlea contra a hipocrisia. Desligar o cérebro pelos caminhos de Compostela. Tomar sopa com outros homens miseráveis. Tocar para o sul, apesar do frio. Desnortear-se, apesar de um norte. Abolir o uso da bússola e dos relógios de pulso. Matar o tempo por asfixia das horas. Orar para os deuses do rock. Nunca ter escutado o hit mais tocado nas rádios, de acordo com a lista da Billboard. Usar as pedras do caminho para espatifar os telhados de vidro. Rimar amor com dor e com os cubos de gelo na caixinha de isopor. Tomar um uísque nas piores e nas melhores horas do dia. Assinar a profissão poeta na sua carteira de trabalho. Relaxar sem ser frouxo. Embriagar-se sem ser alcoólatra. Perder a ternura, endurecer. Apaixonar-se por uma completa desconhecida que parece ser a mulher dos seus sonhos. Preferir os pesadelos só por causa das altas doses de adrenalina. Doar sangue para um facínora sanguinário. Temperar a vida com o sargaço dos mares revoltosos. Cegar o ódio. Cagar no mato. Seguir uma nuvem de moscas pelas merdas do caminho. Apostar no azarão. Deixar-se cavalgar por uma potra louca-varrida com gosto de amanhã-logo-cedo-tem-mais. Faltar às passeatas. Marchar contra a multidão. Saquear uma biblioteca. Ser preso por uma policial à paisana e a atado à cama com meias de seda bacana. Ensimesmar. Cair em desgraça com elegância. Levantar a moral da tropa desnudando-se, desfilando a gostosa bunda da verdade para que todos toquem nela. Delatar aquele cara no espelho, se ele tiver culpa no cartório. Vestir-se rigorosamente fora da moda. Comer gordura trans. Comer uma gordinha trans. Transformar-se. Transtornar-se. Endeusar-se, amar a si próprio acima de todas as coisas e o resto que se Jack Daniel’s. No final das contas, se nada der certo e este contrato antissocial firmado consigo mesmo fracassar, então, terá valido a pena.

*Por Eberth Vêncio

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*Fonte: revistabula

Como se desconectar da vida digital em 6 passos

Se você comemora quando a bateria do celular acaba, cheira as páginas dos livros com romantismo e inclusive começa a olhar o micro-ondas com certa ressalva, talvez você precise de um descanso digital e um pouco de prazer na vida tradicional

A evolução tecnológica está tão implantada na vida cotidiana que permite a substituição de tarefas entediantes por coisas mais simples e mais ágeis. As vantagens da mensagem eletrônica e instantânea, da internet em geral e dos chips instalados em inúmeras ferramentas à nossa volta são inegáveis.

Mas se ao entrar na sua cozinha você se lembra de 2001: Uma odisseia no espaço e anseia recuperar o controle sobre seu entorno, chegou a hora de regressar à vida analógica e prestar uma pequena homenagem a ela. Até que ponto o mundo digital ajuda você e desde quando ele assumiu essa parcela de sua vida em que reinavam a liberdade e o gosto por fazer as pequenas coisas?

Leia, viaje com a mente, mas de verdade

Não deixe ninguém guiar por você. A televisão, o computador e o celular podem oferecer conteúdos emocionantes, mas deixam pouca margem para sua imaginação. Recupere o livro, o quadrinho, convide-se a recriar o que lê, construir ambientes, retratos, vozes e rostos.

Seja seu próprio motorista na viagem. Com certeza você se lembra de um filme baseado em um romance que tinha lido e… não era o mesmo. Sua história sempre foi melhor e a produção ignorou vários detalhes que em sua versão eram mais ricos.

Desenhe, escreva, modele

Seja livre em suas criações. É possível que em alguns momentos você sinta a necessidade de usar as mãos. Claro. Toda essa superfície de pele que nos cobre pode ser uma varinha mágica. Você já tocou a argila e tentou modelar alguma coisa? O cursor é muito limitado. Manche-se, amasse, deixe seus dedos aproveitarem.

Afunde a mão na tinta, aperte um punhado de barro, deixe o giz de cera fluir sozinho. Embora o desenho, como o exercício físico, seja retroalimentado com a prática, não é necessário ser um artista. A magia é se deixar levar, curtir, recriar ideias espontâneas e tocar, tocar coisas, usar cores, organizar palavras manuscritas e encontrar a música que só você sabe. O mouse do computador é um instrumento tão restrito se o comparamos com suas mãos…

Corra, dance, caminhe, faça ioga, plante bananeira, suba uma montanha

Patine, caminhe no parque. Seus pés não merecem menos que suas mãos – e movem o resto do seu corpo. Desfrute deles. Mexa-se e crie seu próprio videogame. Implique-se. A realidade virtual é muito real, mas o real é sempre muito mais autêntico. Fazer a compra via internet pode ser muito prático, mas apertar um abacate para escolher o ponto de maturidade não tem preço.

Utilize a versão on-line para o inevitável, quando o tempo é insuficiente. Aproveite uma caminhada entre as lojas para escolher o produto mais apetitoso, envolva-se nos cheiros da fruta fresca e na conversa alegre com o açougueiro.
Cómo desconectar de la vida digital en 6 pasos

“A realidade virtual é muito real, mas o real é sempre muito mais autêntico”

Cozinhe e coma. Pare de fotografar a comida

Pratique um relacionamento íntimo com os alimentos, mais além de publicá-los. É uma satisfação e energia para seu corpo e mente, e uma forma extra de criatividade. Você realmente se importa com o que os outros comem? Seria interessante analisar o porquê.

Uma refeição saudável e saborosa só pode ser melhorada com o ambiente certo na companhia das pessoas que sempre desejamos por perto. Saboreie, mastigue e prolongue esse momento no tempo. Uma foto nunca irá capturar essa essência.

Vigie seu clone digital de perto

Atenção às redes sociais. Elas são boas para recuperar amizades, para se conectar com elas, para compartilhar momentos. Mas o melhor sempre é usá-las para facilitar esses momentos ao vivo e em cores, relacionar-se pessoalmente, conversar. Apresente seus amigos, saia para jantar, recomende o que você gosta, faça compras em grupo… E perca-se, por favor, andando e dirigindo.

Não é necessário seguir sempre o caminho traçado. Você vai descobrir novos lugares, vai fazer esporte, vai sentir a liberdade. Desligue o GPS do seu celular. Não é necessário que todos saibam onde você está em cada momento. Quando pensamos bem sobre isso, encontramos mais vantagens do que inconvenientes.

E se tiver desconectado completamente

Se sua vida avança rumo ao passado, é provável que você tenha superado o famoso FOMO (Fear Of Missing Out) para sempre. Esse medo da exclusão por estar desatualizado, de modo que devemos nos conectar para não sofrer, terá ido parar em um lugar distante da preocupação cotidiana. Na verdade, a evolução do FOMO é o POMO (Pleasure Of Missing Out). A evolução digital quis recompensar com um nome esse prazer que sentimos ao permanecer deitado no sofá de casa quando você “deveria” estar em um evento social. Ou fazer biscoitos quando “deveria” estar na internet vendo o que e onde seu chefe comeu.

É o triunfo da vida privada, da pantufa e do eu com bolhas na banheira que olha com satisfação o celular desligado. O sucesso dos muffins preparados em família, com o tablet bem guardado na gaveta. É a jardinagem noturna, enquanto seu vizinho vende roupas na internet, o dia na piscina sem celular, não ter conexão no meio do mato.

Quando o homem domina a máquina, e não o contrário, a tecnologia é apenas uma ferramenta a serviço da necessidade. A virtude da revolução digital é sua capacidade de se integrar no cotidiano sem destruir a magia de ser humano.

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*Fonte: thedailyprosper

A vida toda é saudade. Um filme sem direito a replay

Eu vi o tempo parar uma única vez. Em uma noite de sábado, aos 9 anos, dentro de uma piscina fria, desnorteada após uma cambalhota desajeitada embaralhar meus sentidos. Perdi o senso de espaço. Nadava em direção ao fundo achando que era a saída, batia com os pés na parede pensando ser o chão. Eu não sei o quanto durou. Provavelmente muito pouco, já que saí ilesa. Possivelmente uma eternidade, pois eu nunca esqueci. Se eu fechar os olhos ainda consigo sentir o frescor do ar que arrefeceu o pânico e me fez chorar de desespero e agradecimento. Antes de eu enxergar o céu anunciando a salvação, o tempo deixou de correr como geralmente corre. Congelou, entre azulejos azuis e palpitações cardíacas.

Eu tentei repetir esse feito por anos. Não me refiro à sensação de semi-morte. Não é meu forte o masoquismo que flerta com o macabro. Refiro-me ao sentimento de ter guardados nas mãos todos os segundos do mundo. Passada a aflição do peito gritando por oxigênio, eu me lembrava daquele episódio como a evidência de que é possível, ainda que por alguns instantes, não existir antes nem depois. Só o agora. E se era viável numa situação de caos, seria também em outros momentos.

Foi frustração atrás de frustração. O tempo não parou quando o circo chegou à cidade, fechei os olhos e rezei para que os encantos manifestados em narizes vermelhos e cartolas não fossem embora. Tampouco quando pedi que a adolescência não partisse tão cedo levando com ela leveza e um pouco de entusiasmo. Não parou quando precisei de fôlego para entender as mudanças do meu corpo e da minha mente, nem quando tentei guardar na mochila as risadas na porta do colégio que faziam a vida parecer fácil.

Eu tentei estacionar minutos por tantas vezes. E segui batendo com a cara no muro. A vida insistia em tirar onda com minha pretensão infantil de querer romper com a rota natural das coisas. Sempre que tentava burlar o inevitável fluxo que nos obriga a olhar para frente, a realidade se apresentava como uma avalanche impiedosa, mas necessária. De um lado eu batalhava para eternizar felicidade em porta-retratos estáticos, de outro o mundo era filme sem direito a replay. Em uma ponta eu fincava os pés no chão e segurava a corda freando o futuro, na outra, o tempo implacável, me puxava com sua força acachapante.

Eu tentei parar o tempo quando me apaixonei pela primeira vez e queria preservar a mágica intacta, quando senti medo que a alegria presente desse adeus antes que eu soubesse qual rumo tomar, quando sentia o vento refrescar com paz meu coração inquieto. Eu tentei parar o tempo quando vi nascer o filho de uma grande amiga e quando olhei minha avó no leito do hospital e, agoniada com o sentimento de perda iminente, supliquei aos deuses que aquela madrugada, apesar de triste, durasse para sempre para que eu pudesse tê-la sob os olhos e tocar-lhe as mãos.

Vocês já sabem: ele nunca parou. Talvez aquela noite de sábado na piscina fria foi uma raridade, daquelas que acontecem uma vez na vida para nos ensinar algo, quebrar rotinas ou simplesmente zombar de nossas certezas. Os ponteiros continuaram trabalhando, transformando em passado o que eu tentava paralisar. O tempo, soberano, alertava que não há e nunca haverá controle sobre nada.

Mas não há um só dia em que ele não amenize a angústia de um futuro incerto com surpresas inimagináveis… com novos ares que transmutam o desejo inerte em explosão de novidades. Não há um único dia em que ele não compense a impossibilidade de imobilizar-se com doses de felicidade dinâmica, mutável, imprevisível. Como deve ser. Como sempre será.

*Por Larissa Bittar

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*Fonte: revistabula

Não é a distância entre o Sol e a Terra que nos faz sentir frio ou calor

Se você se lembra das aulas de Ciências na escola, deve ter aprendido que uma mudança mínima na inclinação da Terra pode te deixar tremendo de frio no inverno. Mas por que o fato de estarmos milhares de quilômetros mais próximos do Sol não está nos fazendo derreter de tanto calor? Será que realmente não muda nada na temperatura?

Bom, na verdade, a distância entre nosso planeta e o Sol impacta bem pouca coisa quando o assunto é a temperatura que sentimos, já que o que realmente influencia o calor ou o frio é o ângulo de inclinação do nosso planeta. Não entendeu? Calma, a gente explica.

Se a luz solar atinge o planeta com 90° de inclinação, a Terra recebe os raios da forma mais direta possível, de modo que o calor chega ao Trópico de Capricórnio. A região daquela área então tem luz direta, o que significa que os lugares mais distantes recebem um calor mais fraco.

A nossa distância faria diferença se o Sol aquecesse nosso planeta por meio de convecção, um processo em que é o ar que leva o calor para o alvo – de forma bem parecida, aliás, com o que ocorre no forno da sua casa. Porém, como o espaço é puro vácuo, os raios solares chegam à Terra por ondas eletromagnéticas, que funcionam de forma um pouco diferente. Nesse caso, essas ondas trazem energia que aquece as moléculas no ar e na terra – em vez de já estarem quentes quando chegam e simplesmente transferirem o calor.

Como o Sol está a aproximadamente 149 milhões de quilômetros de distância do nosso planeta, a temperatura da radiação pode mudar, mas mesmo assim não faz diferença alguma para nós. Porém, quanto mais forte a luz solar é, mais energia ela está carregando. Assim, o que importa é a intensidade dos raios solares, não a nossa proximidade ou a distância do Sol. Se fosse assim, imagine como seria difícil suportar os invernos!

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*Fonte: megacurioso

Guia do eleitor desiludido: um campo de joio com algum trigo

Nós brasileiros estamos, sim, com complexo de vira-lata. Claro que há luz no fim do túnel e recentemente a esperança aumentou, mas daí a acreditar que vamos mudar profundamente a política já é um passo largo demais… Mais do que nunca o eleitor desiludido se sente desarmado para usar seu voto para transformar os rumos do nosso país.

Convenhamos que esta é a primeira vez que estamos à beira de uma eleição decisiva e você nem sabe direito quem é candidato; imagina, então, saber quem deveria ganhar? Por outro lado, também é a primeira vez que você se deu conta da importância de acertar na escolha de quem vai decidir nosso destino nos próximos anos. E não estamos falando de destino de forma genérica e sim se você continuará a ter emprego, se sua empresa continuará a existir, se haverá um hospital para atender uma emergência ou se o tráfico de drogas continuará a dar cartas…

Você agora sabe o que custa entregar seu dinheiro e seu futuro nas mãos de qualquer um que contrate uma boa campanha de marketing.

Outro dia você foi ao supermercado. Era uma comprinha de nada e custou R$ 41,12. No finalzinho da nota viu que mais de um terço da conta é puro imposto. Para onde vai esse dinheiro todo? Para a saúde, educação e segurança é que não é mesmo! Isso dá uma raiva danada!

E pensar que você também assinou o cheque em branco para esses governantes fazerem escolhas em seu nome, inclusive a de arrancar mais dinheiro do seu bolso! Você se sente traído de todas as formas. Não só uma vez, mas inúmeras vezes. Traído pelo Lula e pelo Aécio… Traído pelo Congresso que deu aval para tudo…

Às vezes a gente esquece que os deputados e senadores tem procuração nossa para criarem regras de conduta, autorizar orçamento e gastos em nosso nome. O pior é que você nem lembra mais quem nem por que você escolheu para deputado e senador.

A verdade é que a gente dá muita importância à escolha do Presidente e do Governador e pouca ou nenhuma para a escolha do legislativo. O Congresso deixou de ser o local de debate de ideias que refletem o pensamento da sociedade e passou a ser o palco do toma-lá-dá-cá para o Executivo aprovar o que bem entende, sempre em troca de cargos, poder e dinheiro. A triste conclusão é que demos carta branca para verdadeiros lobos em pele de cordeiro!

E agora, como separar o joio do trigo?

Houve um tempo em que, no campo de trigo, havia algum joio misturado. Hoje, há um campo de joio, onde você tem que procurar muito para encontrar algum trigo que ainda resiste… Este ano há um novo risco do Legislativo piorar.

No ano passado o TSE já havia alertado para a necessidade de se monitorar a atuação do crime organizado nas eleições, pois os bandidos dispõem de dinheiro ilícito e podem facilmente comprar votos para conquistar vagas de deputados. O Rio de Janeiro é um exemplo do risco grave que isso representa. A cidade que é o cartão de visitas do País permitiu a criação de um governo paralelo que penetrou as instituições e levou o crime para o coração do Estado.

Perto de um milhão de pessoas ali vivem em 850 comunidades sob o controle do tráfico, com o apoio e cobertura de uma parcela dos poderes executivo, legislativo e até do judiciário. O fuzilamento da vereadora Marielle é um exemplo de como o crime organizado e as milícias dominam a sociedade carioca, tornando o Rio de Janeiro a versão atual da cidade de Medellín, na Colômbia.

E como mudar essa rota com destino certo para o desastre? Separando o joio do trigo, porque ainda há trigo a ser salvo!

Você talvez não saiba como um deputado é eleito. Na maioria dos casos ele ganha um mandato muito menos pelo que ele pensa e muito mais pelo dinheiro que ele tem para comprar votos por meio dos cabos eleitorais e da venda de facilidades.

O momento mais crítico na escolha de candidatos é a última semana das eleições. O melhor é você tomar distância de quem oferece favores, emprego e principalmente dinheiro. Saiba identificar os cabos eleitorais que falam em nome do candidato. Muitas vezes são inocentes úteis que sequer sabem para quem estão trabalhando. Hoje o Google é um grande aliado do eleitor.

— Mas é só isso?

Você, eu e Brasil inteiro estamos em busca de pessoas que nos inspirem confiança e tragam um fio de esperança de que nosso país tem solução, ainda que esteja tão difícil encontrar o trigo nesse campo tomado pelo joio.

*Por Helenir Queiroz

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*Fonte: revistabula

Quem discute muito para provar sua sabedoria demonstra sua ignorância

Quem discute muito tentando provar sua sabedoria ou sua verdade universal, na maior parte das vezes só demonstra a sua ignorância. Porque inteligente não é quem ganha as discussões, inteligente é quem não as provoca e quem, por sua vez, sabe a hora de se afastar quando toma consciência de que há batalhas que não valem a pena.

Portanto, fica claro que a arte de discutir tem muito a ver com a própria personalidade. Além disso, a maneira através da qual nós realizamos este processo também se relaciona com a educação recebida e com as dinâmicas familiares em que crescemos. Nestes micro-universos tão variados e ao mesmo tempo complexos, muitas vezes as pessoas acabam integrando a crença de que quem grita mais alto é quem leva a razão.

“Conserve a calma nas discussões, porque se exaltar pode converter o erro em culpa e a verdade em falta de cortesia.”
-Herbert Spencer-

Quem discute, poucas vezes o faz para mostrar posições diferentes. A pessoa procura desarmar, ouve para responder e não para entender, ampliando, assim, mal-entendidos até criar um ambiente marcado de negatividade e tensões. Se desde crianças vimos nossos pais protagonizarem verdadeiras disputas baseadas apenas na troca de rancores, entenderemos por que este tipo de dinâmica se cristaliza de geração em geração.

Sem dúvida não há ninguém para nos apresentar à arte das boas discussões. Tudo isso faz com que não seja nada fácil gerir essas situações se a pessoa diante de nós é o nosso parceiro ou um familiar próximo. Porque quanto maior for a proximidade emocional, maiores serão os efeitos colaterais e mais nocivos serão os arsenais de repreensão.

A teoria dos 5% nas discussões entre casais

Todos sabemos que as discussões mais complexas são as que ocorrem entre os casais. É um cenário complicado, amargo e intenso onde as emoções ficam à flor da pele. Apesar disso, a obstinação de impor o nosso ponto de vista ao mesmo tempo em que sentimos a necessidade – um tanto desesperada – de sermos compreendidos, faz com que os nossos argumentos não sejam sempre tão claros ou construtivos como gostaríamos que fossem.

Na terapia de casais existe uma teoria que nunca falha no que se refere a discussões. É a regra dos 5%. Dentro de todo esse emaranhado de tensões e diferenças desmedidas existe sempre um pequeno canto em que podemos confluir. Reconhecer esses 5% onde ambos estamos de acordo não significa em absoluto que devemos abandonar a nossa posição em relação aos outros 95%.

É, por assim dizer, uma “ilha de refúgio”, onde o casal pode se sentar para chegar a acordos. Não podemos esquecer que o objetivo final nas nossas discussões com o nosso parceiro não é “ganhar”, mas sim “construir”. Algo que só pode ser realizado através de uma inteligência emocional adequada, do respeito e do princípio da reciprocidade.

“Eu tenho consciência de que as nossas dificuldades financeiras preocupam a nós os dois, mas acho que você deveria compartilhar comigo os seus pensamentos e não se fechar dessa forma. Seu isolamento me deixa de mau humor, e você também acaba ficando. Ambos alimentamos um círculo vicioso que tem que terminar”.

 

Quem discute para ter razão perde tudo

Certamente alguma vez você já agitou uma garrafa de refrigerante. Quando retiramos a tampa, o líquido do interior vai estourar, derramando tudo. É exatamente isso que acontece nessas discussões acaloradas, onde em apenas cinco segundos podemos perder tudo. Nos deixarmos levar por um momento de raiva pode nos custar uma vida de arrependimento.

As emoções são como o refrigerante. Se as retemos um dia após o outro ao beber e calar, ao baixar o rosto e engolir, chegará o dia em que, simplesmente, iremos explodir no pior momento. Reagir a algo no mesmo segundo traz efeitos colaterais. Calar-se e aguentar também não é uma boa opção.

Propomos que você reflita a seguir sobre as estratégias que podemos utilizar para gerir um pouco melhor as nossas discussões.

A arte de discutir com serenidade e inteligência

Uma pessoa pode tentar manter a calma e dizer aquilo que não vale a pena dizer. No entanto, todos temos um “botão de alarme” que gere o nosso sistema límbico. Trata-se de uma estrutura cerebral que rege a nossa essência mais instintiva e nos sussurra a mensagem “reaja, você está diante de uma ameaça”.

A chave para discutir com inteligência é não permitir que nos levem até essa fase. Devemos evitar essa etapa em que a nossa vontade fica sob as rédeas do sistema límbico. Porque é o momento em que vai surgir a raiva, o desespero e a falta de controle.

Não deixe que as discussões fiquem acaloradas. Alargue os tempos de resposta, visualize uma sala de luz branca e serena onde pode entrar de vez em quando para tomar distância, para continuar vendo as coisas com clareza.

No momento em que deixam de existir argumentos válidos para dar lugar às queixas, é hora de parar. Nesta fase, toda a discussão deixa de ter sentido para se transformar em um campo de batalha.

Quem discute com calma, inteligência e construtividade esconde, na verdade, toda uma aprendizagem prévia. É alguém que gere as suas emoções e que, acima de tudo, tem um bom autoconhecimento e uma plena segurança na sua pessoa.

Sabemos que no nosso idioma a palavra “discutir” tem uma conotação negativa. No entanto, há discussões que vale a pena ter se com elas, mediante o respeito e a atenção, for possível chegar a acordos. Algo assim só é possível se ambas as partes investirem em um aspecto essencial: a boa vontade.

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*Fonte: psicologiasdobrasil

“Foda” (Marcos Bulhões)

“Quer foder comigo?”
Sexo casual é o novo modelo de relacionamento.
Uma mensagem,
Um olhar,
Algumas palavras e pronto!
O sexo ganhou um novo pseudônimo;
o aclamado: “foda”.
Então prepare o preservativo
que a noite vai ser de prazer.
Mas a preservação não é só por
uma gravidez inesperada
ou uma DST, também nos preservamos
do compromisso, do apego,
das cobranças e também do AMOR.
É mais fácil tirar a roupa do que o sorriso.
Tocar corpo do que o coração.
Preferimos alguém pra comer em uma noite,
a alguém que fique para comer
com a gente no café da manhã.
Estamos tão fragilizados com compromisso
que matamos o prazer
enquanto a carência nos enterra.
Houve um tempo em que as pessoas
faziam amor, e eram felizes.
Mas hoje, elas fodem!!!
E talvez por isso exista pouca gente feliz
e tanta gente fodida.”

*De: Marcos Bulhões

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10 perguntas e respostas sobre o futuro da mobilidade global

O Instituto PARAR (Pensando Alternativas Responsáveis Administrando Frotas com Resultado) fez 10 perguntas para Lukas Neckermann, um dos mais respeitados consultores de mobilidade do mundo e autor dos livros “The mobility Revolution”, Smart Cities, Smart Mobility” e “Corporate Mobility Breakthrough”.
10 perguntas e respostas sobre o futuro da mobilidade global

*Por Pedro Conte

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PARAR: Quão grande é o mercado de mobilidade, em comparação com o atual mercado global das montadoras de veículos? Esse mercado também existe nos países do hemisfério Sul?

LUKAS NECKERMANN: As estimativas variam bastante nesse mercado – de centenas de bilhões, até mais de 5 trilhões de dólares. Isso realmente depende da quantidade de receitas auxiliares que serão incorporadas nessa estimativa. Incluímos a energia utilizada pelos veículos elétricos, se as montadoras a incluírem em seu preço por quilômetro? Se os passageiros em um veículo autônomo assistirem filmes ao andar, incluímos royalties na indústria do entretenimento? E as mudanças nas infraestruturas que são ativadas pela mobilidade como serviço (MaaS)? O que quer que façamos, é claro, será realizado globalmente. Se há algo que aprendemos com a revolução dos smartphones, é que não há limites geográficos para ideias que melhorem nossa eficiência e nossa qualidade de vida.

PARAR: Que impactos as mudanças de mobilidade terão nas empresas? E quanto aos gestores de frota? Os carros como benefício, por exemplo, ainda serão importantes neste novo cenário?

L.N: Empresas e gestores de frotas têm a oportunidade de liderar essa transformação. Considerações de TCO (custo total de propriedade) rapidamente levarão a uma eletrificação da frota. A eficiência também levará a uma maior progressão na automação da frota. No que diz respeito aos carros benefício, já temos uma mudança de comportamento entre os mais jovens. Os gestores de frota em áreas urbanas podem acabar se surpreendendo ao encontrar funcionários mais jovens sem carteiras de habilitação ou sem interesse em ter seu próprio veículo, desde que existam outras opções de mobilidade disponíveis.

PARAR: Você poderia apontar um caso em que frotas corporativas adotaram soluções como o compartilhamento de carros ou a eletrificação de veículos em larga escala e melhoraram sua eficiência?

L.N: Claro! Eu conheço um gestor de frota do Reino Unido que inicialmente testou veículos elétricos entre 10% de seus condutores. Ele encontrou um menor custo de operação, menos tempo de inatividade, motoristas mais felizes e menos acidentes. Também há o famoso exemplo do Deutsche Post, na Alemanha, que estava tão ansioso para implementar veículos elétricos que acabaram comprando uma empresa e começaram a construir suas próprias vans de entrega totalmente elétricas. No que diz respeito ao compartilhamento de carro, há muitos gestores de frota que, basicamente, trocaram toda a sua frota de carros por opções de compartilhamento corporativo.

PARAR: Quem são os principais impulsionadores dessa revolução da mobilidade? As empresas, o estado, a sociedade? Como cada parte pode desempenhar seu papel para que a revolução ocorra mais rapidamente?

L.N: Não há uma única resposta para isso. A política, a economia e a sociedade têm um papel a desempenhar na adoção de soluções de mobilidade, especialmente em um cenário no qual a tecnologia se desenvolve muito rapidamente. Os governos municipais e nacionais devem criar as condições prévias para veículos elétricos e autônomos. E é preciso haver um de consenso de que essa seja, de fato, a trajetória de longo prazo. É por isso que você vê cada vez mais países se comprometerem em proibir a venda de motores de combustão interna até 2030 ou 2040. Como a tecnologia e a economia são favoráveis, acho que essas mudanças acontecerão mais cedo, mas há aí uma sinalização para o mercado: você pode se sentir seguro ao investir em veículos elétricos e altamente automatizados.

PARAR: Os veículos autônomos já são realidade? Quando você espera que sejam adotados em países como Brasil, China ou Índia?

L.N: Existem vários casos de uso diferentes, e a velocidade de adoção dos autônomos vai variar entre eles. Além dos projetos piloto de táxi autônomo na Pensilvânia e em Singapura, note que veículos totalmente autônomos já estão em funcionamento em minas, como tratores, comboios e até mesmo como ônibus de aeroporto. Ao longo do tempo, veremos que eles se deslocarão dos ambientes off-road controlados para ambientes semi-públicos, como áreas para pedestres e pistas de ônibus. Nossa pesquisa sugere que os veículos comerciais chegarão a autonomia primeiramente nas estradas, e em certas aplicações dos transportes públicos, em seguida. Quando os países do BRIC criarem condições para autonomia total nas ruas públicas, veremos essa transição ser concluída rapidamente.
10 perguntas e respostas sobre o futuro da mobilidade global

PARAR: A revolução da mobilidade pode ocorrer sem o apoio maciço dos governos em infraestrutura e regulação? Que países vão chegar lá primeiro e como seu governo está ajudando nesse assunto?

L.N: Na Europa, Noruega e Holanda podem ser considerados líderes em eletrificação, enquanto a Alemanha e a Itália se encontram terrivelmente atrasadas. Por sua vez, a Alemanha lidera o compartilhamento de carro. No que diz respeito aos veículos autônomos, os EUA, o Reino Unido e a Suécia podem ser considerados os líderes. Por último, todos os olhos estão na Finlândia e em Singapura no que diz respeito à mobilidade como serviço, no momento. Vários países vão liderar em diferentes áreas. Isso ocorre porque cada um tem um ponto de partida diferente, um ponto diferente de “dor”; ou um problema diferente a ser resolvido. No Brasil, uma diminuição nos impostos de veículos com pouca ou nenhuma emissão é uma consideração importante, mas a sinalização dos caminhos a serem tomados também poderia ser importante. Quando as cidades se movem em direção a ônibus elétricos e frotas governamentais, isso envia uma importante mensagem de compromisso.

PARAR: O que vem primeiro: mudanças de políticas ou demandas da indústria e dos consumidores? A razão da minha pergunta é tenho a sensação que tenho de que os decisores políticos estão geralmente atrasados ​​quando enfrentam as mudanças no mercado. Por exemplo, o Uber é uma realidade do mercado, mas ainda não se chegou a um consenso entre os legisladores na maioria dos países. Isso também acontecerá com os veículos autônomos?

L.N: Podemos debater isso para sempre – como a história do ovo e da galinha. A política geralmente segue as demandas dos consumidores. Mas o consumidor geralmente não é muito específico… o consumidor não está dizendo “Eu quero carros elétricos”. Ele diz “Quero um ar mais limpo, menor congestionamento do trânsito e cidades mais habitáveis”. Em seguida, cabe aos formuladores de políticas interpretar isso de uma maneira que orienta a indústria em direção ao objetivo desejado. Uber e outras empresas que representam a empresa demonstraram que havia uma demanda profundamente enraizada para a mobilidade sob demanda. Pessoas que queriam ser conduzidas de forma econômica e segura. Isso realmente define a cena e estabelece as bases para táxis e ônibus autônomos. Aqui, de fato, os legisladores precisam correr atrás. Suas reações iniciais podem ser a de se contrapor a esses disruptores, mas isso irrita os consumidores e sufoca a inovação. O gênio já está fora da lâmpada e os legisladores precisam evoluir seus próprios planejamentos e leis.

PARAR: Como o cenário da “mobilidade como serviço” mudará os aspectos de segurança e dos acidentes de trânsito?

L.N: Na maioria dos países, sabemos que lesões e óbitos geralmente são mais baixos no transporte público. Nós também sabemos que os veículos autônomos, uma vez lançados, terão uma maior consciência espacial e uma melhor capacidade de condução do que os humanos. Portanto, devemos esperar veículos autônomos sob demanda para reduzir acidentes de trânsito e mortes. Sugeri “Zero Acidentes” como o objetivo com o qual devemos trabalhar, embora isso certamente continue sendo uma aspiração por muito tempo.

PARAR: Quais são suas expectativas para as vendas do Tesla Modelo 3? Existem outros modelos e fabricantes que o Brasil deveria estar ansioso?

L.N: A Tesla conseguiu algo notável. Eles garantiram centenas de milhares de pré-compras para um veículo que ninguém havia conduzido anteriormente. Seu desafio agora é produzi-los rapidamente e com qualidade suficiente, ao mesmo tempo em que compram suas redes de carga e manutenção. Não é uma tarefa fácil, mas eles já provaram que são capazes de superar esse tipo de adversidade anteriormente. Mais importante ainda, eles mostraram que novos participantes podem quebrar o oligopólio da indústria automobilística. Em cinco anos, se Tesla falhar ou for bem sucedida – e acho que eles terão sucesso – eles terão aberto o caminho para empresas como BYD, Tata, Geely e outros. Existem barreiras de entrada mais baixas para a construção de veículos elétricos, e também penso que a tecnologia autônoma se tornará rapidamente comercializada e cairá de preço. Como resultado, aguardo com expectativa as notícias sobre novos campeões nacionais, inclusive no Brasil.

PARAR: Que mudanças de infraestrutura, atualmente, são mais importantes para a eletrificação massiva da frota de veículos?

L.N: Obviamente, os pontos de cobrança de vários tipos são fundamentais. O carregamento padrão pode e deve acontecer em casa, no local de trabalho ou nas ruas da cidade, mas estes precisam ser aumentados com capacidades de cobrança rápida em rota. Outras considerações são a geração limpa de energia e a estabilidade da rede elétrica. Eu tendo a acreditar que alcançaremos a paridade de custos muito mais cedo do que a maioria acredita. Isso significa que também precisamos examinar rapidamente questões à jusante, como a reciclagem de bateria, por exemplo.

 

 

 

 

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*Fonte: storia

Motocross: o esporte que mais exige do psicológico?

Eu tenho lido algumas estatísticas que dizem que o Motocross é o esporte nº 1 quando se trata de exigir do seu psicológico, o que eu concordo. Alguns dizem que o futebol exige mais do psicológico. Eu suponho que tudo que foi consultado é baseado na opinião individual de cada um e na sua experiência com um esporte em particular.

Para mim, o motocross exige muito mesmo. Eu já pratiquei vários esportes diferentes por muitos anos, e o Motocross definitivamente foi o mais emocionante, excitante e pesado para o corpo.

Eu joguei baseball, futebol, futebol americano, golf, wrestling, corrida, escalada, musculação, ski, jet ski, ski na neve, surf na neve e mountain bike. Cada um desses esportes apresentam seus próprios desafios para a mente, espírito e corpo. Mas as competições que não tem uma pausa, um tempo de descanso, um banco para sentar e que “só acabam no final” são as mais exigentes.

A maioria das pessoas pensam “ah, você só senta e puxa o acelerador”, mas não é bem assim. No Motocross você uma cerca de 60% de todos os seus músculos, tudo desde seu pulso e ombros até tornozelos. Estudos mostraram que uma corrida completa de motocross, que dura cerca de 25 a 30min, é quase a mesma coisa que correr na sua máxima capacidade durante 25min. Agora, pode ser que seja só comigo, mas é uma resistência muito boa se você consegue fazer isso e ainda chegar entre os 10 primeiros da corrida.

Motocross o esporte que mais exige do psicológico

No Motocross, um piloto vai entrar numa corrida que consiste em 2 ou 3 corridas de qualificação. Cada moto corre entre 20 e 45 minutos, dependendo do evento/ localização/ ou pista. O que separa esse dos outros esportes é o peso da moto, as pistas insanas, você está constantemente puxando a alavanca da embreagem, do freio, mudando marchas, girando o acelerador, saltando pelo ar, jogando a moto para os lados nas curvas, e isso usa TODOS os músculos do seu corpo – inclusive seu cérebro – no período.

Tudo isso acontece durante 20 a 45 minutos seguidos, SEM PAUSA. Não tem tempo para descansar. Sem tempo de banco, sem pit stop. Se você nunca fez nada disso antes, então imagine só. Seus pulmões queimam, sua cabeça começa a pulsar, os músculos do seu braço começam a doer e ter cãibra (pela vibração do guidão e por puxar a alavanca mais de 100 vezes por corrida), seus bíceps, tríceps, peito, quadríceps, canela, e outros músculos QUEIMAM por meia hora ou mais… Depois tente segurar um moto de mais de 100kg e controlar todos os seus movimentos. Isso tudo é difícil, não importa quem você seja.

Para se destacar na competição, você precisa TREINAR MUITO, preparar seu corpo e mente e entrar na sua melhor forma através dos treinos DIÁRIOS. Musculação, natação, ciclismo, corrida, etc. Sendo que o treino alternativo consiste em 7 a 10 outros esportes – combinado

Eu costumo dizer que os caras e garotas que se dão melhor no esporte são aqueles que treinam muito e também tem o maior talento natural. Prodígios,se você quiser. Eles são os competidores que entenderam como gastar a menor quantidade de energia na maior quantidade de tempo, e encontraram as áreas certas na pista para se mover mais rápido durante a competição. Isso requer uma enorme percepção de profundidade, reflexos super rápidos para reagir as mudanças rápidas e movimentos, e integridade mental incomparável.

Os pilotos de motocross são feitos para operar com alta intensidade cardiovascular

Você pode nunca entender completamente essa dinâmica a não ser que experimente, então aqui vai um estudo.

Esse estudo mediu o rítmo cardíaco de pilotos de motocross enquanto completavam duas corridas (cada uma com 30min e 2 voltas). Os resultados mostraram que nas duas corridas, os pilotos operaram com 94% e 96% (respectivamente) do máximo das suas frequências cardíacas. Isso mostra que existe um incrível esforço cardiovascular no motocross. Isso supera outros esportes de mesma duração e alta intensidade, como por exemplo o mountain bike.

Imagine estar próximo do máximo da sua frequência cardíaca por quase 40min. Eu não consigo nem imaginar algum outro esporte que exige ação sem pausa por 40 minutos em que se espera 100% da performance durante todo o tempo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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*Fonte: mxpartsblog

Amélie Poulain: O Propósito da Vida

Construído em tom de fábula pelo cineasta Jean-Pierre Jeunet, o filme “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” percorre através da perspectiva de uma jovem sonhadora, Amélie Poulain (Audrey Tautou), o caminho que leva às belezas da vida. Cheio de nuances, o filme nos leva por uma viagem intimista, lúdica e poética sobre o real sentido da vida e sobre a necessidade de enfrentá-la por mais que seja dura, solitária e cruel.

Criada com praticamente nenhum contato social e afeto, Amélie se torna introspectiva e na tentativa de fugir de uma realidade que se apresenta extremamente cruel e escura, cria um mundo de fantasias, onde as coisas são muito mais interessantes e coloridas. Esse tom lúdico é reforçado pela bela fotografia criada por Bruno Delbonnel, cheia de cores vivas, sobretudo, o verde e o vermelho, assim como, a trilha sonora. Outro fator que influencia na beleza e na atmosfera do filme reside nele ter sido filmado em locações, o que permite mostrar as belezas e idiossincrasias de Paris.

Sendo assim, Amélie sente enorme dificuldade em relacionar-se mais profundamente com alguém, não por falta de afeto, mas por timidez e dificuldade de encarar um mundo diferente do seu. Os traumas causados na sua infância pelos seus pais, os quais representam o mundo exterior, impedem, portanto, Amélie de encarar a realidade de um mundo que parece lhe assustar.

“Isso se chama encarar a realidade. Mas isso Amélie não sabe fazer.”

Se de um lado as dificuldades de relacionamento são um problema para Amélie, de outro o seu isolamento lhe permitiu viver todas as suas estranhezas e “imperfeições”, dando-lhe um caráter único e uma personalidade autêntica, contrariando a padronização a que nos submetemos e que acaba por tolhir o que possuímos de único e mais bonito. A idiossincrasia da nossa heroína permite que ela tenha um olhar mais íntimo sobre o que a cerca, desenvolvendo, assim, uma perspectiva ao mesmo tempo melancólica e poética que percorre os detalhes mais simples e suaves das situações, bem como, a faz percorrer um caminho próprio a sua felicidade, a qual não se constitui em grandes coisas ou lugares comuns, e sim em pequenas coisas que na maioria das vezes passam despercebidas, mas guardam belezas únicas para quem consegue percebê-las.

“Destino estranho esse de uma moça privada de si mesma. Mas tão sensível aos encantos discretos das pequenas coisas da vida.”

No entanto, por mais que essa constituição torne Amélie uma personagem tão bela e encantadora, a sua solidão e isolamento a impedem de viver a realização do que há de mais divino na vida, a saber, as relações humanas, o que só é possível a partir do momento em que estamos dispostos a imergir em mundos diferentes. Obviamente, criar laços é muito mais difícil para Amélie, já que ao ser privada do convívio com outras crianças e criar o seu universo, passa a existir um medo intrínseco de encarar um mundo tão desacolhedor para os sonhadores.

O medo que Amélie sente é o mesmo que sentimos, acima de tudo, se possuirmos uma constituição sonhadora como a sua, a qual, por mais que não se queira, nos coloca em uma posição de estranhos no ninho. Entretanto, é preciso coragem para romper o medo de encarar um mundo que é duro, principalmente com quem parece não se adequar muito bem a ele, para podermos ir além de nós mesmos e ter laços com pessoas reais, de carne e osso, que fazem parte de um mundo triste e, portanto, podem nos decepcionar, chorar e fazer retornar ao conforto do nosso mundo; mas também fazem parte de um mundo belo, cheio de amor e poesia e, assim, podem trazer muito mais alegria e ternura ao nosso coração.

Dessa forma, é preciso coragem para romper os muros da covardia, pois a vida é sofrimento, a felicidade é apenas lacuna. Todavia, essas lacunas só são percebidas se estivermos atentos às raras oportunidades que a vida nos oferece. Não em grandes acontecimentos, mas nas entrelinhas, nas sutilezas, nos pequenos detalhes, os quais Amélie era tão atenta, embora lhe faltasse coragem para agarrar as oportunidades, já que:

“Oportunidades são como a corrida da França. Esperamos muito, depois ela passa rápido. Então, quando o momento chegar, é preciso pular o obstáculo sem exitar.”

Faltava a nossa heroína, portanto, coragem. Coragem para encarar o mundo exterior, a realidade, os outros. Coragem para sair do seu mundo e mergulhar em mares obscuros de outros “eus”. Coragem para se arriscar, para cair, para se machucar, para se ferir. Coragem para não ter uma vida que não passe de rascunhos. Coragem para não ter uma vida de lembranças guardadas apenas em uma caixa velha. Coragem para renunciar ao direito inalienável de estragar a própria vida.

O tempo passa muito depressa e como é dito no filme, de repente, sem nos darmos conta, já temos cinqüenta anos. Assim, é preciso estar atento aos pequenos detalhes que guardam a magia de um mundo que na maioria das vezes parece tão frio. Estar atento aos detalhes que ninguém presta atenção, as pequenas coisas que podem fazer um coração feliz, como entregar uma caixinha com brinquedos guardada há quase cinqüenta anos ou ajudar um senhor cego a atravessar a rua, mostrando-lhe cada detalhe que há muito tempo ele não vê.

Amélie nos mostra o lado lúdico e poético da vida, as pequenas belezas que deixamos passar, a ternura que ainda existe no mundo, a essência daquilo que realmente possui valor. Mas, acima de qualquer coisa, nos mostra que a vida é única e não comporta reprises, de modo que precisamos ser corajosos para vivê-la, para senti-la naquilo que ela possui de melhor, sabendo que não possuímos ossos de vidro e, portanto, podemos suportar os baques que a vida traz, pois se há magia no mundo, além de enxergá-la, é preciso buscá-la, sobretudo, a maior magia de todas, os laços humanos, antes que o coração se torne seco e quebradiço e as emoções do presente sejam apenas pele morta das emoções do passado.

*Por Erick Morais

 

 

 

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*Fonte: genialmentelouco

Ninguém precisa ser grosseiro para ser sincero. Gentileza é bom e todo mundo gosta.

Não, eu não concordo com essa grossura toda, não. Esse negócio de achar que truculência e competência são a mesma coisa, esse estrabismo de enxergar eficiência onde só há intolerância, essa história de aceitar e elogiar a grosseria em nome do resultado. Para mim, não dá. Eu não aceito.

Vão me desculpar os autointitulados “sinceros”, mas cuspir nossas verdades pessoais na cara dos outros assim sem mais, sem pedir licença, sem jeito e sem pudor não é sinceridade. É falta de educação mesmo. Pretexto para humilhar, subjugar e acabrunhar alguém que, em nossa lógica perversa de autoproteção, precisa ficar em seu lugar.

Quase sempre, na esteira de um dissimulado “desculpe a sinceridade” vem uma enxurrada de afrontas, preconceitos e ofensas proferidos com falso desprendimento. A cada crítica forçada e opinião venenosa, o sujeito muito orgulhoso de sua “sinceridade” pisa com selvageria disfarçada as cabeças de suas vítimas enquanto festeja sua “personalidade forte”. E eu aqui me pergunto se isso não passa de fraqueza de caráter, insegurança profunda e essas coisas que ninguém assume.

Tem até quem ofenda e magoe alguém com a desculpa de tentar ajudá-lo. Balela. Mentira. Não está ajudando. Truculência não é boa intenção. É mal gosto mesmo. Digamos a verdade com firmeza mas com doçura. Por que não?

Sim, senhor! É claro que se pode ser sincero sem ser agressivo. Todos podemos declarar nossa versão da verdade sem vociferar e agredir. Mas tem gente por aí acusando pessoas de bom senso e almas cuidadosas de hipocrisia, frescura, falsidade e outros acintes pelo simples fato de elas ainda usarem o tato e a cautela para lidar com os outros.

É estranho, mas a incrível inversão de valores que nos assola transformou em “fingido” o sujeito de bons modos. Reduziu à condição de “sonso” o cidadão que ousa dizer o que pensa com firmeza, sim, mas com toda a delicadeza que lhe cabe. Na ótica míope dos hostis, o ser gentil é um molenga, um banana e um fingido. E a gentileza, veja só, é uma farsa.

Uma coisa é a nossa dificuldade de ouvir “a verdade” alheia, nosso embaraço em aceitar críticas e receber opiniões diversas. Isso se trata e se corrige. Outra coisa é o nosso direito de ouvir o outro com o mínimo de jeito e delicadeza. Isso não se negocia.

Sigamos assim, exaltando os grosseirões autointitulados “sinceros” e julgando como hipócritas, frouxos, covardes de personalidade fraca os bem educados, e estaremos cada vez mais distantes uns dos outros, rolando ladeira abaixo no caminho para o nada.

Nessas horas eu sinto saudade de minha bisavó, Benedita Rosa, que me visita com a brisa da tarde, na Hora da Ave Maria, Hora do Ângelus, “Hora da Rosa”. Pensar nela me faz bem. Olhando em nossos olhos durante uma bronca, tinha a firmeza e a direção das locomotivas. Mas nunca perdeu a doçura dos anjos e dos sonhos de padaria. Valei-me, Vovó. Valei-nos Deus! Com toda a sinceridade, está faltando sua gentileza aqui embaixo.

*Por André J. Gomes

 

 

 

 

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*Fonte: fasdapsicanalise

Uma nova classe de pessoas deve surgir até 2050: a dos inúteis

Com o avanço da inteligência artificial, os humanos serão substituídos na maioria dos trabalhos que hoje existem. Novas profissões irão surgir, mas nem todos conseguirão se reinventar e se qualificar para essas funções. O que acontecerá com esses profissionais? Como eles serão ocupados? Yuval Noah Harari, professor da Universidade Hebraica de Jerusalém e autor do livro Sapiens – Uma Breve História da Humanidade, pensa ter a resposta.

Em artigo publicado no The Guardian, intitulado O Significado da Vida em um Mundo sem Trabalho, o escritor comenta sobre uma nova classe de pessoas que deve surgir até 2050: a dos inúteis. “São pessoas que não serão apenas desempregadas, mas que não serão empregáveis”, diz o historiador.

De acordo com Harari, esse grupo poderá acabar sendo alimentado por um sistema de renda básica universal. A grande questão então será como manter esses indivíduos satisfeitos e ocupados. “As pessoas devem se envolver em atividades com algum propósito. Caso contrário, irão enlouquecer. Afinal, o que a classe inútil irá fazer o dia todo?”.

Uma das possíveis soluções, apontadas pelo professor, são os games de realidade virtual em 3D. “Na verdade, essa é uma solução muito antiga. Por centenas de anos, bilhões de humanos encontraram significados em jogos de realidade virtual. No passado, chamávamos esses jogos de ‘religiões’”, afirma Harari. “Se você reza todo dia, ganha pontos. Se você se esquece de rezar, perde pontos. Se no fim da vida você ganhou pontos o suficiente, depois que morrer irá ao próximo nível do jogo (também conhecido como céu)”.

Mas a ideia de encontrar significado na vida com essa realidade alternativa não é exclusividade da religião, como explica o professor.

“O consumismo também é um jogo de realidade virtual. Você ganha pontos por adquirir novos carros, comprar produtos de marcas caras e tirar férias fora do país. E, se você tem mais pontos que todos os outros, diz a si mesmo que ganhou o jogo”.

Para o escritor, um exemplo de como funcionará o mundo pós-trabalho pode ser observado na sociedade israelense. Alguns judeus ultraortodoxos não trabalham e passam a vida inteira estudando escrituras sagradas e realizando rituais religiosos. Esses homens e suas famílias são mantidos pelo trabalho de suas esposas e subsídios governamentais. “Apesar desses homens serem pobres e nunca trabalharem, pesquisa após pesquisa eles relatam níveis de satisfação mais altos que qualquer outro setor da sociedade israelense”, afirma Harari.

Segundo o professor, o significado da vida sempre foi uma história ficcional criada por humanos, e o fim do trabalho não irá necessariamente significar o fim do propósito. Ao longo da história, muitos grupos encontraram sentido na vida mesmo sem trabalhar. O que não será diferente no mundo pós-trabalho, seja graças à realidade virtual gerada em computadores ou por religiões e ideologias. “Você realmente quer viver em um mundo no qual bilhões de pessoas estão imersas em fantasias, perseguindo metas de faz de conta e obedecendo a leis imaginárias? Goste disso ou não, esse já é o mundo em que vivemos há centenas de anos”.

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*Fonte: epocanegocios

A cultura da NASCAR é um exemplo do que poderíamos oferecer aos fãs” – diz Nelson Piquet Jr. sobre a Fórmula-E

O piloto da Panasonic Jaguar Racing diz que a categoria ainda tem uma barreira alta demais entre piloto e aficcionado

A organização da Fórmula-E, até pelo caráter inovador da coisa, tenta ser próxima do público. É onde pessoas como eu e você podem ver o futuro do motor elétrico sendo levado ao seu extremo, afinal, e onde fabricantes apostam suas fichas para desenvolver tecnologias que estarão rodando nas ruas e estradas nos próximos anos. Mas para Nelson Piquet Jr., sobra espaço para melhoras na relação com os fãs. “NASCAR hoje em dia ainda é mais acessível que a Fórmula-E, você pode comprar a credencial de 20, 25 dólares e passar pelo paddock”, comenta o piloto em entrevista coletiva para jornalistas nesta sexta-feira (02). Acesso similar no F-E, aponta Piquet Jr., não sai por menos de 2 mil euros. “De certa forma ainda tem uma barreira maior que acho que poderia ter”, diz.

A categoria toma uma série de decisões nas quais a proximidade com o fã é item de grande importância. O preço mais amigável do ingresso padrão em comparação com a Fórmula 1 é um exemplo. Outro é o fato de que toda prova de Fórmula-E acontece não em autódromos, mas em pistas montadas na própria cidade, quase sempre no centro, como é o caso da corrida que acontece este sábado (03) no coração de Santiago, no Chile.

Ao mesmo tempo, todas as etapas da disputa acontecem no mesmo dia. Não é um programa que toma o fim de semana todo como a F-1, nem mesmo para os aficcionados. Mesmo assim, há alguma dificuldade: “O motivo porque muitos pilotos não querem falar com fãs (no dia da corrida) é que é tudo muito apressado”, lamenta Piquet Jr. “Você está sempre muito nervoso, pensando sobre treino e qualificatória; sinceramente, a única hora que dá para relaxar um pouco é depois dela, aí dá pra tirar 50% do peso das costas, mas até lá são nervos à flor da pele”.

É uma limitação particularmente delicada para a categoria high-tech, que está há apenas quatro anos na estrada: “É tão nova, que de certo modo você tem que se abrir pras pessoas para que elas descubram sobre”, comenta o piloto.

Uma ajudinha dos fãs

Um dos tópicos mais curiosos da Fórmula-E – em especial para quem não acompanha – é o Fan Boost. Na véspera de toda prova, e durante o início da corrida, os fãs podem eleger em redes sociais o piloto que receberá uma injeção de potência no motor elétrico (10 a 20kW em média), vantagem que pode ser usada após o pit stop – que é quando o piloto troca um carro com a bateria zerada por um novo em folha. Essa “mãozinha” do público é uma ideia com a qual até a Stock Car anda flertando nos últimos tempos.

Mas, entre pilotos e fãs, a opinião é que essa função ainda não se provou essencial e harmoniosa. “Hoje o Fan Boost faz bem menos diferença”, diz Nelsinho Piquet, “mesmo os caras que o ganham muitas vezes não usam”. Além de ter tido sua utilidade reduzida com o fim da pontuação por tempo de volta, o Boost traz desvantagens táticas: ele aquece o motor e representa um pico de consumo de energia. Potencialmente fatal em uma categoria em que uso eficiente de bateria é tudo. “Sim, a gente tenta puxar um pouco de tudo: o Fan Boost e toda vantagem que a gente possa conseguir” comenta, “mas há outras prioridades acima de investir tempo em pedir votos”.

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*Fonte: GQ

Venda de guitarras despenca quase 80% em cinco anos no Brasil

Por Ricardo Gouveia

Fabricantes de guitarra sofrem com a queda nas vendas não só no Brasil. As duas mais icônicas marcas do setor, as americanas Fender e Gibson, não vão nada bem das pernas. Aqui no Brasil as vendas de todos os instrumentos têm caído ano a ano. É um mercado muito dependente da importação e sofre bastante com o valor alto do dólar. Isso porque até as marcas brasileiras montaram fábricas no exterior.

Mas entre todos os instrumentos, as guitarras são as que apresentam os piores resultados, de acordo com os dados da Anafima (Associação Nacional da Indústria da Música). Comparando os números de importações de 2012 com 2017, as importações de violões caíram 33%. Com os instrumentos de percussão e teclados, por exemplo, a queda foi de 55%. Mas entre guitarras e baixos a queda foi a maior de todas: 78%.
As causas para essa baixa popularidade são várias. Para o presidente da Anafima, Daniel Neves, é difícil prever quais vão ser os destaques no cenário da música nos próximos anos. Ele não acredita que o rock vai acabar ou que as guitarras vão se tornar obsoletas, mas ressalta que o rock vive uma fase de pouca influência sobre os jovens.

“Existe uma questão de moda. O sertanejo foi um estilo musical que pegou. O número de violões sobe, não o de guitarras. Quando a gente tinha um movimento da indústria fonográfica para o forró, o número de acordeons aumentou incrivelmente. Acho difícil dizer se a guitarra vai voltar a ser um instrumento do momento. É muito mais uma questão de quem será que vai reinventar a roda da música”, acredita Daniel.

Edgard Scandurra, da banda Ira! e um dos heróis da guitarra no Brasil concorda que o cenário musical pop atual, também no exterior, não favorece o surgimento de novos guitarristas. Ele, que cresceu admirando guitar heroes, constata que a geração atual não tem estímulos para se dedicar a aprender a tocar um instrumento:

“A música pop hoje em dia não é uma música tocada mecanicamente. Em boa parte, ela é executada no computador. E acho que há um perfil da sociedade também, porque o rock é uma música contestatória. Existe uma atitude de contestação que não vejo muito hoje em dia. Essa moçada fica no computador e no videogame, acho que a juventude anda muito preguiçosa. As pessoas não têm nem muita paciência para ler uma coisa longa, quanto mais pegar uma guitarra, sentar numa cadeirinha e ficar treinando”, alega o guitarrista.

Essa sensação do Scandurra é confirmada pelo educador Rui Fava, autor do livro “Educação 3.0”, que analisa justamente as diferenças no aprendizado entre as gerações. Ele explica que principalmente os jovens nascidos depois do ano 2000 estão cercados de tablets, celulares e videogames, que são aparelhos preparados para serem aprendidos intuitivamente, sem cursos ou muito estudo. Diferente das guitarras:

“É a geração de imediatismo. E aí entra a questão da guitarra porque ela não é touch screen. Eles não têm paciência de fazer treinamento e todo esse estudo porque eles querem coisas grandes e rápidas, mas que sejam imediatas”, explica Fava.

Marcela Silva, de 11 anos, começou a se dedicar ao instrumento aos sete, com a ajuda da Associação Para Iniciação Musical da Criança Carente. As crianças atendidas pela associação contam com instrumentos doados, já que guitarras, baterias e baixos não têm mesmo um preço muito acessível. Mas a questão não está só nos custos. A Marcela conta que, entre os amigos dela, são poucos os que desenvolveram interesse em se dedicar à música ou que gostem de rock.
Novos guitarristas com habilidades como as de Jimmy Page, Jimi Hendrix ou Eric Clapton muito provavelmente vão surgir, pelo menos enquanto tiverem a oportunidade de se dedicarem ao instrumento. O que não dá mais para saber é se esses futuros talentos vão ser ícones da música pop ou da música clássica.

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*Fonte: cbn

Homem encontra Deus após a morte

Um homem morreu.
Ao se dar conta, viu que Deus se aproximava e tinha uma maleta com Ele…|

E Deus disse:
– Bem, filho, hora de irmos.

O homem assombrado perguntou:
– Já? Tão rápido?
Eu tinha muitos planos…

– Sinto muito, mas é o momento de sua partida.
– O que tem na maleta?
Perguntou o homem.

E Deus respondeu:
– Os seus pertences!
– Os meus pertences?
Minhas coisas, minha roupa, meu dinheiro?

Deus respondeu:
– Esses nunca foram seus, eram da terra.

– Então são as minhas recordações?
– Elas nunca foram suas, elas eram do tempo.

– Meus talentos?
– Esse não pertenciam a você, eram das circunstâncias.

– Então são meus amigos, meus familiares?
– Sinto muito, eles nunca pertenceram a você, eles eram do caminho.

– Minha mulher e meus filhos?
– Eles nunca lhe pertenceram, eram do seu coração.

– É o meu corpo?
– Nunca foi seu, ele era do pó.

– Então é a minha alma?
– Não!
Essa é minha.

Então o homem cheio de medo, tomou a maleta de Deus e ao abri-la se deu conta de que estava vazia..
Com uma lágrima de desamparo brotando em seus olhos, o homem disse:
– Nunca tive nada?

– É assim, cada um dos momentos que você viveu foram seus.
A vida é só um momento…
Um momento só seu!
Por isso enquanto estiver no tempo, desfrute-o em sua totalidade.

Que nada do que você acredita que lhe pertence o detenha…

Via o agora.
Viva a sua vida.

E não se esqueça de ser FELIZ, é o único que realmente vale a pena.
As coisas materiais e todo o resto pelo que você luta fica aqui.

 

 

 

 

 

 

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*Fonte:  semprequestione

Não tomar sol é tão perigoso quanto fumar, diz estudo

Pessoas que não fumam, mas também não tomam sol têm a mesma expectativa de vida de pessoas que fumam. É o que aponta uma pesquisa publicada na revista científica Journal of Internal Medicine realizada com 30 mil mulheres por cerca de 20 anos.

Este estudo indica que evitar o sol é um fator de risco de morte da mesma magnitude que fumar. Quando comparado a alguém que se expõe mais ao sol, a expectativa de vida de quem não toma muito sol pode diminuir até 2 anos e 1 mês.

Os pesquisadores do Hospital Universitário de Karolinska, na Suécia, responsáveis pelo estudo, notaram que mulheres que tomam mais sol tem menos riscos de problemas cardiovasculares e doenças crônicas como diabetes e esclerose múltipla do que quem evita o sol.

Um ponto interessante do estudo é que os benefícios aumentam conforme a pessoa toma mais sol.

Infelizmente, nem tudo são flores, os pesquisadores afirmam que também houve um aumento na incidência de câncer de pele entre quem se expunha mais ao sol.

“Contudo, o câncer de pele em pessoas que se expunham mais ao sol tinha um prognóstico melhor do que aquelas que tomavam menos sol”, diz o Dr. Pelle Lindqvist, autor do estudo.

Diante de tudo isso, Lindqvist defende que a mulher não deve se expor nem demais e nem de menos ao sol.

“Há tempos sabemos que existem três hábitos que são perigosos para a nossa saúde, são eles: fumar, sedentarismo e estar acima do peso. Agora, com esta pesquisa vimos que existe um quarto: evitar exposição ao sol”, conta Lindqvist.

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*Fonte: minhavida

Era da informação, tempos de ignorância

Web: A difusão do conhecimento e sua dissolução em meio à ignorância

Nunca em toda a história o conhecimento esteve tão acessível a tão ampla parcela da população. Se por muito tempo o saber foi monopolizado por segmentos sociais dominantes, nos dias atuais qualquer um que disponha de um telefone móvel e, no mínimo, consiga acesso a uma rede Wi-Fi pode pesquisar acerca dos mais variados assuntos e conhecer – ainda que virtualmente – bens culturais de todo o mundo. De receitas culinárias, passando por manuais de sobrevivência, até foguetes caseiros, há um sem número de sites, tutoriais e vídeos tratando do assunto. No início da difusão da rede mundial de computadores esse fenômeno já fora previsto e apontado como algo que garantiria uma formação cultural mais autônoma e eficaz, a ponto de se cogitar inclusive a futura obsolescência de escolas e professores.

Não obstante, nessa mesma rede mundial de computadores, da qual um dos usos principais são outras redes – essas que se dizem “sociais” – é possível observar toda a superficialidade de ideias de grande número de usuários que reagem a, comentam e compartilham fragmentos de ideias, quase sempre descontextualizadas e utilitariamente. Ora, todos gostamos de compartilhar um meme ou frase de efeito engraçada, ou que cuja ideia principal nos agrade, ou ainda, apenas por acharmos oportuno socializar uma informação que não precisa estar teoricamente referenciada. O hábito pode ser inclusive salutar, lúdico e útil. Quantas pessoas perdidas ou distantes são encontradas através das redes sociais. Outras tantas conseguem iniciar ou ampliar seus negócios valendo-se desse mesmo recurso. Grupos de debate sobre os mais variados assuntos se multiplicam e, por vezes, ajudam até a sensibilizar para a fragilidade de convicções arraigadas, mal fundamentadas e preconceituosas. Sendo assim, não se mostra coerente criticar genericamente algo que pode oferecer tantos benefícios.

Onde estaria então o lado negativo da rede mundial de computadores e de suas redes “sociais” para a construção do conhecimento, oferecendo elas acesso a tão ampla gama de informações a um grandioso número de usuários que ainda está a crescer? A meu ver, a tentativa de responder a esse questionamento exige outra pergunta mais pessoal e nada retórica: “até que ponto redes sociais e sites com informações simplistas e sintetizadas têm se tornado minha principal fonte de informação e, grosso modo, de conhecimento, na medida em que embasam minhas exposições e argumentos (consequentemente, meu raciocínio)?”

Não deve ser difícil se pegar na “saia justa” com essa pergunta. Uma simples pesquisa no Google revela um grande número de pessoas que dizem ter se tornado incapazes de ler livros ou textos mais longos (honestamente, desconfio que muitos que começarem a ler esse texto nem chegarão até aqui). A maioria dessas pessoas e das que comentam esses “desabafos” reconhecem no uso intensivo de textos sintéticos e superficiais disponibilizados na internet a causa para essa situação. A leitura curta e simplória acaba por se tornar hábito. Vemos então que o problema não está na ferramenta, mas em um certo tipo de comodismo intelectual de quem a utiliza, tendo em vista que essa mesma internet oferece acesso a leituras clássicas de domínio público em diversas áreas.

Compreender a forma como a dinâmica de disseminação e simplificação da informação na internet pode condicionar a maneira como nos relacionamos com o conhecimento é fundamental para que dominemos de fato as Tecnologias da Informação e Comunicação. Esse domínio da tecnologia não diz respeito apenas ao uso eficaz dessas ferramentas, mas à capacidade de discernir o limite onde deixamos que as facilidades e frivolidades oferecidas pela máquina moldem nossa maneira de construir nosso próprio conhecimento e raciocínio.

Bauman e a “cultura da oferta”: o conhecimento como mercadoria virtual

Para Zygmunt Bauman, o comodismo intelectual que parece permear a superficialidade de certas postagens revela um aspecto que não é algo idiossincrático, mas ideológica e amplamente disseminado. Em seu livro “Capitalismo parasitário”, Bauman demonstra que esse fenômeno faz parte de um processo pós-moderno que ele chama de “cultura da oferta”, processo esse que tende a impregnar todos os aspectos sociais com os valores mercadológicos. Assim, não só o próprio trabalhador, mas também o lazer, as relações sociais, bem como a cultura e o próprio conhecimento acabam por assumir aspecto de mercadoria, passando a se estabelecerem sob as mesmas regras que regem o mercado. Trazendo esse conceito para nossa discussão, poder-se-ia dizer que o tal comodismo intelectual anteriormente citado passa pela internalização de valores mercadológicos como o utilitarismo, o imediatismo, a descartabilidade, o modismo. Uma ressalva se faz necessária: não sejamos tão teoréticos a ponto de não considerar também fatores mais comuns, como os culturais, sociais e – por que não dizer – a própria preguiça individual. Mas, de maneira geral, o conceito baumiano de “cultura da oferta” nos serve bem.

Nesse contexto, sem entrar nos detalhes que Bauman desenreda primorosamente em seu livro, podemos dizer que até o conhecimento tem se tornado algo a ser consumido segundo a oferta do mercado. Estuda-se para tirar uma boa nota, passar no vestibular, porque determinado assunto está na moda, ou simplesmente porque “dá dinheiro”. Dessa maneira, a internet torna-se uma conveniente depositária da cultura e do conhecimento, sempre disponível a prestar seus serviços de memória externa do intelecto humano. Dentro dessa lógica, basta que se acesse o conteúdo mínimo necessário para que se possa alcançar os objetivos sempre imediatistas e provisórios do mercado. Sínteses de livros, sites com conteúdos simplificados e até aqueles que se prestam a fazer seu trabalho de faculdade são exemplos de usos pouco edificantes da internet. A mesma fonte que oferece o acesso aos bens culturais mais elaborados também possui características dispersivas e acomodatícias.

Ora, também é comum querermos, às vezes, ter apenas uma noção de determinado assunto, sem a necessidade de nos aprofundarmos nas premissas que o sustentam. Dessa forma, para reconhecer os limites do uso saudável dos “atalhos” que a internet oferece é importante compreender a maneira como o pensamento mais elaborado é construído e comparar esse processo com a maneira simplista e fragmentada de disseminação de informações no mundo virtual.

Construtivismo: pensamento integrador X conhecimento fragmentado

Jean Piaget é um dos principais pensadores que embasam a teoria educacional conhecida como educação construtivista. Como o próprio nome denota, entende-se que o indivíduo precisa construir seu próprio conhecimento a partir de sua relação com o objeto de estudo. Piaget diz que tal relação pode sim ser mediada e socializada, mas que para construir verdadeiramente seu próprio conhecimento, o indivíduo precisa descobrir por si mesmo as causas, fatores e relações dos fenômenos estudados.

Nesse contexto, o conhecimento não é algo a ser absorvido, mas internamente elaborado. Através do confronto de seus conhecimentos prévios com novas evidências, da análise das mesmas, de suas relações com outros conhecimentos e suas implicações na vida cotidiana, o sujeito acaba por reorganizar suas estruturas cognitivas. Isso implica não apenas na assimilação de novos conceitos, mas na mudança qualitativa na capacidade de raciocínio e senso crítico. Inversamente, nada que é entregue como verdade, nada que seja apresentado como fato acabado, nada que não seja descoberto pelo próprio indivíduo, nada disso pode propiciar a reorganização de estruturas cognitivas e a consequente mudança na capacidade de pensamento.

Ora, se tomarmos como plausível a ideia piagetiana de construção do conhecimento, podemos inferir que a forma como a maior parte das informações é disseminada na internet não oportuniza o desenvolvimento de um pensamento mais elaborado e crítico. Na verdade, grande parte de conteúdos que “viralizam” são o contrário disso; apresentados de forma simplista, descontextualizada, sem proporcionar o mínimo de reflexão e articulação com outros conhecimentos e a vida cotidiana. Isso sem falar das manipulações de que se valem deterministas que desejam propagandear ou condenar infundadamente determinada ideia, o que exige atenção até mesmo quando se quer apenas obter uma noção sobre algum assunto.

Não há atalhos!

Não há dúvidas! Dentre outros benefícios, a difusão da rede mundial de computadores permitiu o acesso de grande parte da população a variados bens culturais como nunca antes na história.

O problema é que paralelamente tornaram-se comuns formas simplistas de difusão desse conhecimento, que passa a não propiciar o desenvolvimento do pensamento mais elaborado e do senso crítico. Em muitos casos, o que ocorre é a disseminação de formas de pensamento superficiais e fragmentadas.

Assim, o conhecimento toma – como tem se tornado comum aos diversos aspectos da vida atual – caráter mercadológico. Estuda-se quando o sistema exige, o mínimo em quantidade e o mais compartimentalizadamente possível. Até mesmo quando se quer apenas ter uma noção sobre determinado assunto é preciso atentar para a qualidade da informação acessada.

A verdade é que não há atalhos para aquele que deseja assimilar conhecimentos relevantes, ampliar sua capacidade de pensamento e desenvolver seu senso crítico.

Os benefícios que a universalização da vida virtual nos trouxe são inegáveis. Todavia, sua dinâmica de disseminação simplista e fragmentada de informação parece constituir uma realidade insubmissa. Isso sem falar de seus aspectos frívolos e dispersivos. É preciso conscientizar-se de que esse lado pouco edificante da Web é sutil e vicioso e pode condicionar sim nossa forma de pensar e de aprender.

Material de qualidade também há na internet. Quase todos os clássicos de diversas áreas do conhecimento podem ser encontrados de forma legal na rede. Sites especializados divulgam estatísticas mais confiáveis. Professores renomados e provocadores divulgam vídeos instigantes em suas redes sociais. É no contato com esses materiais, contextualizando-os, criticando-os, que conhecimentos sólidos são construídos e se desenvolve a qualidade do pensamento.

*Renato Paixão

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Fonte: genialmentelouco

O mundo acelerou ou nós que mantivemos a inércia?

Talvez o mundo não esteja acompanhando sua própria velocidade. Em algum momento, parece que a rotação da Terra acelerou e, com isso, toda a dinâmica global foi obrigada a segui-la.

Mas, como tudo é uma perspectiva, não podemos colocar a culpa na física do planeta. Ela permanece a mesma, desde que foi criada (ou com poucas mudanças – aka meteoro e dinossauros).

A questão é que a dinâmica global passou a ter uma referência baseada na percepção humana e não somente nos movimentos geofísicos.

Referencial, por exemplo: se observarmos pela janela do trem, o mar se apresentará a uma velocidade absurda. O mesmo quando observamos, de nossa poltrona em um voo de céu límpido, um avião cruzando o céu logo ao lado – parece cruzar a passos de tartaruga.

Trazendo para a realidade corporativa, os tradicionais cases de Uber versus táxis, Airbnb versus hotelaria tradicional, fintechs versus bancos, mostram que o referencial de velocidade é puramente um reflexo da percepção humana. Empresas que trouxeram mudanças disruptivas podem parecer altamente velozes em suas estratégias, derrubando empresas tradicionais por décadas (ou séculos). Mas este é mais um exemplo de referencial.

Estas novas empresas, chamadas popularmente como “startups” já estavam construindo suas estratégias há anos. Nenhuma surgiu em um passe de mágica. Sempre existiu vontade do consumidor e seu desejo por mudança. Esse consumidor é a própria disrupção expressada em forma de empresas com novas ideias e (muitas vezes) aporte de capital. A identidade corporativa destas empresas é, basicamente, é personificação de clientes insatisfeitos, questionadores e com uma ideia solidificada de construir um novo mindset, mudando comportamento e a dinâmica global de negócios. Aliás, costumeiramente, os fundadores destas novas empresas são os próprios clientes. É exatamente neste momento que o big-bang ocorre: quando a inércia é quebrada por um movimento acelerado de “why not´s?”.

Vamos desacelerar? Espero que não. Vamos mudar a dinâmica do planeta? Certamente não. Vamos, sim,  entrar em novos tempos onde a entrega do amanhã já foi feita ontem. A teoria da relatividade passa a ser protagonista principal do referencial humano na busca por sua satisfação pessoal e profissional: tempo e espaço não são, necessariamente, uma linha reta bidimensional. São um emaranhados de curvas, círculos e cubos multidimensionais, com inúmeros pontos de convergência, que nos libertarão do status-quo.

*Renato Camargo

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*Fonte: updateordie

“A vida Secreta de Walter Mitty” – filme (uma das coisas mais legais dos últimos tempos)

Sei que já mencionei por aqui várias vezes o filme “A Vida Secreta de Walter Mitty”, que é tipo assim, um de meus filmes favoritos dos últimos tempos. Digo isso porque amo vários outros filmes clássicos, conhecidos por grande parte das pessoas e outros até menores, menos conhecidos ou então adorados. mas de grande força e recado. Esse aqui pode até parecer se ruma comédia, mas meu chapa, não é nada disso.

O interessante é que hoje de manhã ligo a TV e lá está Walter Mitty e a sua saga. Claro que assisti mais uma vez (isso que eu tenho o DVD, comprado de uma locadora de uma amigo que fechou).

Pode parecer estranho um filme com um comediante Ben Stiller no papel principal ter essa carga emocional, uma certa chinelada na cara da amenidade da vida. O filme sim começa numa certa dose em tons de comédia, mas aos pouco vai tomando outras cores e aspectos, muda cada vez mais até o seu final para uma mensagem de não conformismo, de mexa-se, aventure-se que a vida é boa sim, seja lá como for. Isso mesmo. Em meio a brincadeiras, cenas “aparentemente” bobas e ingênuas – (não se engane) há sim um recado denso.

Creio que esse filme seja mais um daqueles que precisa ser assistido uma primeira vez bem de boas, tranquilo, só por olhar mesmo e depois de visto, se faz necessário uma segunda (talvez terceira e quarta vez) só para se aperceber melhor detalhes, das inúmeras sutilizas, enquadramentos, as belas cores de cenas e paisagens, ah… e sem falar na trilhos sonora fantástica também.

*Spoilers:
1- Curto muito a cena do Walter dando dicas de skate para o filho da mulher por quem ele está apaixonado. Ela ao telefone num primeiro plano e ele mais atrás (até é uma img embaçada), faz algumas manobras incríveis ensinando o garoto e qdo ela olha prá trás, é justo qdo ele simpelsmente está parado em cima do skate. Assim não percebe/ou então perde de ver o cara “ruleando” no skate.

2. As inúmeras tretas com o novo chefe

3. A atenção do amigo do site de relacionamentos.

3. O piloto de helicóptero bebaço lhe oferecendo uma carona antes da tempestade que se aproxima em alto mar. Sem falar na trilha com David Bowie.

3. As várias novas e inusitadas amizades.

4. O downhill na estrada solitária / depois a fuga do vulcão.

5. O momento da foto não clicada na neve.

6. A busca, toda a jornada e seu propósito. Aqui uma lição de vida e sobretudo de respeito, admiração e profissionalismo entre Walter e o famoso fotógrafo aventureiro do filme.

6. A foto 25.

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Thanks mais uma vez Walter & Stiller, por esse belo filme. Talvez alguns não entendam ou não se toquem dos aspectos sutis mas bastante profundos desse filme, uma pena… Se você não concorda, não assistiu ou então nem quer fazê-lo, tudo bem. Seja feliz.

 

 

Pink Floyd: os dez mandamentos da banda na estrada

Uma exposição de memorabília do Pink Floyd que está acontecendo no Victoria & Albert Museum de Londres agora em 2017 mostra um curioso item, intitulado “Dez Mandamentos da Turnê”, que era pra ser seguido pela equipe técnica durante suas turnês, confira.

1 – NÃO SE ATRASARÁS: Por favor leve em conta os avisos de chamada. Seja por causa da bagagem, de descanso, ensaios, ou especialmente do show, seja pontual. Não faça muitos terem que esperar alguns poucos.

2 – NÃO DEIXARÁS DE USAR SUA IDENTIFICAÇÃO: Os crachás de identificação devem ser valorizados, nunca emprestados, esquecidos ou perdidos. São confeccionados de boa-fé e para a sua própria proteção e conveniência. Aos convidados serão entregues passes autocolantes. Por favor peça aos teus convidados que não tragam máquinas fotográficas ou filmadoras.

3 – NÃO CARREGARÁS EXCESSO DE PESO: Os membros da equipe da banda terão suas bagagens etiquetadas e é solicitado que não ultrapassem duas peças de bagagem. Viaje de forma simples e leve!

4 – NÃO FUJA DE SUAS OBRIGAÇÕES: Ao deixar um hotel, apresente-se na recepção para o check out, cuidando de suas despesas. Mesmo que não as tenha, faça o check out assim mesmo. Sempre arranje tempo para isto e seja pontual nas nossas saídas.

5 – NÃO ALIMENTE AS MASSAS: O serviço de alimentação é somente para a equipe de turnê. Não é um restaurante grátis para a família, amigos ou pessoas em que esteja interessado. As refeições serão servidas somente aos que possuírem os crachás de identificação.

6 – NÃO LIBERTARÁS O MUNDO: NÃO existirão ingressos de cortesia. Todos eles deverão ser comprados. Por favor, entre em contato antecipadamente com a Juliette para que suas solicitações sejam cumpridas de forma satisfatória.

7 – NÃO CIRCULARÁS À TOA: Se qualquer membro da equipe da banda sentir necessidade de sair em determinado momento, dia ou noite, ele ou ela devem se assegurar que os responsáveis estão sabendo e que tem como contácta-lo de alguma forma, se for possível.

8 – NÃO TRARÁS SOBRECARGA: Não assuma que amigos ou família irão no ônibus. Evite passar vergonha e carão, fazendo com que seus convidados planejem eles próprios as suas viagens.

9 – NÃO DEMONSTRAIS SUA DEPRESSÃO EM PÚBLICO: Tente manter seus gemidos, gritos, depressões, problemas pessoais e observações pessimistas pra si mesmo, ninguém está interessado em ouvir.

10 – SERÁS OBEDIENTE: Faça o que te dizem ou levarás uma chamada.

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*Fonte: whiplash / Bruce William

Por que a culpa não é do Tinder

Estava conversando com meu sobrinho sobre aplicativos de encontros, trocando ideias e experiências, quando ele me disse: “os aplicativos sempre servindo para nos apresentar pessoas interessantes… só que não”. Respondi a ele que os aplicativos são apenas ferramentas e que não podem fazer milagre. Eles nos mostram quem está disponível no “mercado” e supostamente interessado em ter um relacionamento afetivo ou sexual.

Há uma tendência generalizada de se “culpar” os aplicativos, a internet ou a tecnologia de forma geral pela queda na qualidade dos relacionamentos de hoje em dia. É como se o fato de usarmos um aplicativo para celular pudesse nos transformar em pessoas piores, passíveis de descartar outras pessoas em um piscar de olhos. Aliás, não… é como se isso acontecesse com todos os outros – menos com a gente. O que mais se vê são pessoas reclamando que não encontram outras pessoas interessantes, mas, por que será que essas pessoas não se encontram? Se quase todo mundo comenta a mesma coisa, quem são esses outros, afinal?

Os aplicativos de encontros são apenas mais uma forma de conhecer pessoas. Eles têm vantagens e desvantagens com relação a outras formas mais tradicionais de se buscar possibilidades de relacionamentos afetivos. Não é melhor em tudo, nem pior em tudo. É só mais uma forma. Facilita o descarte de pessoas – já pensou se cada cara mala que viesse nos abordar em um bar pudéssemos arrastar para a esquerda com um “nope” gigante? No bar, fica mais complicado. As pessoas selecionam mais, até porque, o descarte é mais difícil. Por outro lado, o aplicativo ajuda os tímidos. Poderia ficar aqui enumerando dezenas de vantagens e desvantagens, mas não é esse o ponto. A grande questão é: o problema não é o Tinder. O problema são as pessoas que usam o Tinder.

Quando dizemos “hoje em dia” ninguém quer mais relacionamento, estamos comparando com “antigamente”. Se dizemos que hoje é assim, é porque consideramos que antes não era. Ora, não era mesmo. Antes as pessoas se casavam por outros motivos – que não necessariamente o amor – e não se separavam. Não havia a possibilidade de buscar relacionamentos de melhor qualidade. Casava-se e vivia-se casado para sempre. Isso garantia felicidade? Obviamente, não. Novamente, temos vantagens e desvantagens. Havia a segurança, mas não havia a liberdade. Porém, essa tal liberdade que conquistamos hoje não é garantidora de felicidade, afinal. Porque você nunca sabe direito se está agindo certo ou não. Porque você não é obrigado a seguir script, o que lhe dá um número absurdo de possiblidades que você simplesmente não sabe se serão boas ou ruins.

Vivemos hoje a angústia descrita por Sartre, de sermos “condenados à liberdade”. Temos opções que não tínhamos antes, o que é ótimo, mas isso vem com uma carga de responsabilidade e maturidade que talvez as pessoas não tenham percebido. Vem também com uma questão interessante: afinal, o que você espera de um relacionamento? O quanto está disposto a se doar também?

Zygmunt Bauman em seu livro Amor Líquido cita a seguinte frase: “poucas coisas se parecem tanto com a morte quanto o amor realizado”, de Ivan Klima. Ele diz que no amor – assim como na morte – só sabemos como é vivendo. Se a morte é uma experiência única, ou seja, só morremos uma vez, o amor não necessariamente é assim. No entanto, cada história de amor é única. “Não se pode aprender a amar, assim como não se pode aprender a morrer”, diz Bauman.

Há um alto grau de insegurança ao se embarcar em uma relação. Diante disso, “em vez de haver mais pessoas atingindo mais vezes os elevados padrões do amor, esses padrões foram baixados. Como resultado, o conjunto de experiências às quais nos referimos com a palavra amor expandiu-se muito”, continua Bauman. Então, vive-se a ilusão de que pode-se “ganhar experiência” com o amor, aprender a amar. No entanto, “amar significa abrir-se ao destino, a mais sublime de todas as condições humanas, em que o medo se funde ao regozijo num amálgama irreversível”.

Em outras palavras, há um medo generalizado dessa insegurança, desse frio na barriga que vem junto com o amor correspondido. Há uma vontade de ter o lado bom do relacionamento, mas sem ter o lado ruim – ou seja, a possibilidade iminente de sofrimento. As pessoas querem ter, mas não querem depender. Tem coisa pior do que depender? Bauman diz que as pessoas querem “comer o bolo e ao mesmo tempo conservá-lo; desfrutar das doces delícias de um relacionamento evitando, simultaneamente, seus momentos mais amargos e penosos”.

Bauman cita, então, uma frase de Erich Fromm que diz: “A satisfação no amor individual não pode ser atingida sem a humildade, a coragem, a fé e a disciplina verdadeiras. Em uma cultura na qual são raras essas qualidades, atingir a capacidade de amar será sempre, necessariamente, uma rara conquista”. Essa frase praticamente resume o que quis dizer quando afirmei que o problema não é o Tinder, mas as pessoas que usam o Tinder.

A ideia de que “eu mereço uma pessoa que faça isso ou aquilo e não aceito menos que isso” é completamente coerente com os tais “amores de bolso” que Bauman cita, com o consumo de pessoas que satisfaçam nossos anseios. Arrisco a dizer que a maioria das pessoas não está, mesmo, preparada para o amor, mas não por causa do Tinder; nunca estiveram.

Rilke, no livro Cartas a um jovem poeta, um dos livros mais bonitos que já li, escreve que o amor é algo para o qual nós nos preparamos durante toda a vida. “O amor de duas criaturas humanas talvez seja a tarefa mais difícil que nos foi imposta, a maior e última prova, a obra para a qual todas as outras são apenas uma preparação. (…) O amor é uma ocasião sublime para o indivíduo amadurecer, tornar-se algo em si mesmo, tornar-se um mundo para si, por causa de outro ser; é uma grande e ilimitada exigência que se lhe faz, uma escolha e um chamado para longe”.

Ele também compara o amor à morte. “Quem examina a questão com seriedade acha que, como para a morte, que é difícil, também para o difícil amor não foi encontrada até hoje uma luz, uma solução, um aceno ou um caminho. Não se poderá encontrar, para ambas estas tarefas (…) nenhuma regra comum, baseada em qualquer acordo”.

Essas cartas do Rilke foram escritas entre 1903 e 1908, muito antes do Tinder, o que mostra que o problema mesmo está nas pessoas, sempre esteve, e que os aplicativos somente são mais uma forma de explicitar isso.

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*Fonte: genialmentelouco/ Juliana Santin